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Covid-19: Como proteger os profissionais de saúde

Martina Schwikowski | cvt
7 de maio de 2020

Em muitos países africanos, enfermeiros e médicos queixam-se de falta de proteção contra o coronavírus. Muitos têm medo de serem infetados, alguns até entraram em greve. Alguns governos prometem ajudar.

Foto: Imago-Images/Le Pictorium/S. Souici

A crise provocada pelo coronavírus está a levar o pessoal médico de todo o mundo ao limite. Em África, a situação é particularmente difícil para médicos e enfermeiros: as condições de trabalho são más, o medo de contrair uma infeção é grande e falta frequentemente equipamento de proteção.

Em desespero, alguns páram mesmo de trabalhar, apesar dos seus serviços serem absolutamente necessários. No Zimbabué, médicos e enfermeiros entraram em greve há várias semanas. Recusaram-se a tratar pacientes infetados pelo coronavírus por não haver vestuário de proteção. O Quénia poderá passar por um cenário semelhante.

Perigo afasta muitos médicos

Na Nigéria, muitos médicos temem pelas suas vidas. Só na cidade de Kano, dez médicos contraíram Covid-19. Segundo o correspondente da DW Nasir Salisu Zango, "falta apoio para os doentes nos hospitais do país". Muitos médicos recusam-se a ir para os locais de trabalho, queixando-se de falta de proteção - máscaras e vestuário.

A situação é semelhante no Togo. Alguns médicos e enfermeiros adoeceram depois de terem entrado em contacto com doentes infetados com o novo coronavírus. Gilbert Tsolenyanu, secretário-geral do sindicato médico SYNPHOT, queixa-se do riscos elevados para médicos e enfermeiros.

"Pode ser um revés para nós, mas não é razão para desistirmos. Estamos decididos a continuar", garante Tsolenyanu. "Temos deficiências no sistema de saúde, mas isso não nos deve impedir de ganhar, de triunfar."

Visitas de hospital na Tanzânia passam por túnel de desinfeçãoFoto: DW/S. Khamis

Governos prometem "remediar"

Os países vizinhos têm problemas semelhantes. Christophe Kouamé dirige a organização cívica "Civis Ci", na Costa do Marfim, e o estado do sistema de saúde no país choca-o.

"Dado o número de pessoas infetadas no país, acreditamos que deveríamos ter tido um mínimo de equipamentos. Ainda não temos muitos casos e estamos surpreendidos por já não haver material suficiente", diz Kouamé à DW. Atualmente, na Costa do Marfim, cerca de 1.500 pessoas estão infetadas com coronavírus.

"Os governos reconheceram que, quando a doença se manifesta, praticamente já é tarde demais. Por isso, a prevenção é a única forma de conter a pandemia", afirma Marcus Leonhardt, da organização não-governamental africana AMREF, que atua principalmente no setor da saúde.

"Devido à falta de pessoal qualificado, muitos governos africanos - o Quénia, por exemplo - estão a utilizar instalações paramilitares e a treinar as forças de segurança, que recebem formação adicional como técnicos de saúde e são, depois, enviados para áreas remotas para fazer trabalho de sensibilização", afirma Leonhardt à DW.

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Contudo, na situação atual, não se podia partir do princípio que teriam de ser feitos investimentos adicionais para reforçar os sistemas de saúde mal equipados.

Os governos africanos já se tinham comprometido, numa cimeira realizada em 2001, a gastar 15% dos seus orçamentos nacionais no setor da Saúde. "20 anos mais tarde, apenas cinco países cumpriram esta promessa", revela Leonhard.

Tendo em conta as deficiências dramáticas, os governos africanos estão a tentar remediar a situação.

A Organização da Saúde da África Ocidental (OOAS), com sede no Burkina Faso, consulta regularmente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) sobre esta questão. "Tivemos uma reunião de crise com os presidentes dos Estados africanos há duas semanas e tomámos decisões", garante o diretor da OOAS, Stanley Okolo.

"O pessoal médico precisa de proteção porque está a trabalhar na linha de frente desta crise. Os governos querem aumentar a produção de máscaras e outros materiais de ajuda por empresas africanas. Alguns países como o Gana, o Senegal, a Nigéria e a Costa do Marfim também se comprometeram a oferecer seguros e subsídios aos seus profissionais de saúde."

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Alojamento perto do hospital

Já há exemplos concretos. "No Gana, por exemplo, foram construídos alojamentos perto do local de trabalho, ou seja, próximo de alguns hospitais. Os funcionários têm medo de, se forem infetados, infetarem os seus familiares. Agora, podem passar a noite nos abrigos locais", acrescenta o diretor da OOAS. Alguns países também teriam prometido aumentos salariais como uma espécie de subsídio de risco.

Alguns países  reagiram de forma semelhante durante a epidemia do ébola na região, em 2014 e 2015. Mas as lições aprendidas com aquela crise não podiam ser simplesmente aplicadas à situação presente.

"Não há comparação", diz Okolo. A epidemia do ébola afetou principalmente três nações: Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri, que receberam apoio de muitos outros países. "Mas agora todos os países africanos estão eles próprios a ser afetados pela crise da Covid-19 e têm menos dinheiro disponível. Agora, a comunidade internacional também deve desempenhar um papel", apela.

Pessimismo crónico

O diretor da OOAS, Stanley Okolo, tem a certeza de que "a crise é um sinal de alerta para todos nós." 

"O coronavírus irá desencadear uma reflexão e influenciar positivamente os sistemas de saúde africanos", afirma.

São necessárias melhores estruturas de comunicação, medidas conjuntas e aumentos dos salários perante este fenómeno global. Mas há um longo caminho a percorrer. "As infraestruturas de África no setor da saúde são fracas. Isso não vai mudar da noite para o dia só por causa do coronavírus", conclui Stanley Okolo.

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