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Credibilidade em jogo com boletins impressos em Bissau?

17 de novembro de 2025

As opiniões divergem sobre se a credibilidade do processo eleitoral poderá ficar beliscada com a impressão de boletins de voto em solo nacional, que acontece pela primeira vez na história da Guiné-Bissau.

Contagem de votos na Guiné-Bissau (imagem de arquivo)
A produção local de boletins de voto tem sido um assunto esquecido na campanha eleitoralFoto: Fatima Tchuma/DW

Tradicionalmente, desde 1994, até às últimas eleições legislativas de 2023, os kits eleitorais eram oferecidos à Guiné-Bissau por Portugal, no âmbito da cooperação entre os dois Estados.

No entanto, para o próximo ato eleitoral que acontece já no domingo, 23 de novembro, o Estado da Guiné-Bissau, alegando a questão da soberania, decidiu assumir, na íntegra, as despesas e inclusive a produção, pela primeira vez, no país, de boletins de voto. Esse trabalho já foi realizado em finais de outubro pela empresa gráfica estatal INACEP.

A produção local de boletins de voto criou algum debate quando foi anunciado, mas na presente campanha eleitoral tem sido um assunto esquecido.

No entanto, o candidato independente à Presidência da República Fernando Dias, apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), já deixou um aviso, sem nunca referir a questão de impressão de boletins.

"As eleições não serão adiadas e os resultados serão aqueles ditados pelos votos. E quem mexer nos nossos resultados, seja ele civil ou militar, não vai gozar do dinheiro que receber para esse fim".

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Mas para o candidato presidencial Mamadú Iaia Djaló, do partido Aliança para a República (APR), a impressão de boletins no país não tira credibilidade ao processo de votação ."A fraude no nosso sistema [eleitoral] é muito difícil, porque temos um sistema que, praticamente, que permite a transparência e não vejo como fazer a fraude", diz.

Mamadu Iaia Djáló sempre defendeu um acompanhamento do processo de impressão dos boletins e acredita que não há motivos para preocupação: "Eu reclamei desde o início, que todos os nossos representantes [na Comissão Nacional de Eleições e nas Comissões Regionais de Eleições] deviam tomar parte no momento de produção dos boletins. Foi o que realmente o nosso representante nos comunicou, de que teve a oportunidade de assistir à produção e até viu os boletins".

Eleições polémicas

Os últimos processos eleitorais na Guiné-Bissau têm gerado polémica e largas contestações. Em 2012, as eleições presidenciais foram interrompidas por um golpe militar quando se preparava para a segunda volta, após contestação da oposição, que alegava fraude eleitoral.

No atual contexto, o professor universitário e ativista cívico Nkanande Ka considera que a credibilidade do processo eleitoral está a ser ofuscada, mas não apenas pela produção de boletins pela primeira vez na Guiné-Bissau.

"Acredita-se que este processo não seguiu todos os parâmetro do ponto de vista legal. Portanto ninguém tem cem por cento de confiança sobre a credibilidade deste processo. Não só porque os boletins [de voto] foram impressos na Guiné-Bissau, mas todo o processo em que nós temos o Presidente [da República] com o mandato caduco e outros elementos que foram seguimentados para acompanhar o processo".

As sétimas eleições presidenciais e oitavas legislativas na história da Guiné-Bissau acontecem no próximo domingo. A campanha eleitoral decorre, para já, sem registo de incidentes que possam comprometer o processo eleitoral.

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