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Crise alimentar afeta milhares de pessoas em Inhambane

4 de julho de 2022

A crise alimentar atinge milhares de famílias em Inhambane, no sul de Moçambique. As autoridades locais alertam a população para a importância de apostar em culturas resistentes à seca.

Mosambik | Nahrungsmittelkrise
Foto: Madalena Sampaio/DW

A maioria das famílias da província de Inhambane não consegue fazer três refeições por dia. Outras famílias chegam mesmo a dormir com fome por falta de alimentos.

Clara Vasco, residente no distrito de Panda, sobrevive à base de verduras. "Quando acordo, é só ir na machamba cortar makofo (verduras) para vir cozinhar aqui em casa", comenta.

Para Luísa Macamo, residente de Inhambane e mãe, a maior preocupação é arranjar comida para alimentar os filhos.

"Estou a chorar mesmo, o que vamos fazer com as crianças? Logo nas primeiras horas, devemos preparar qualquer coisa para as crianças, mas não temos nada para lhes dar", diz Luísa.

"Uma criança a cada minuto que passa sofre de subnutrição grave", alerta a UNICEFFoto: Roberto Paquete/DW

Dois anos de secas

A crise alimentar na província de Inhambane  acontece depois de dois anos de pouca chuva e fracas colheitas. As Nações Unidas temem que a situação se prolongue até setembro deste ano.

O problema estende-se a outras zonas do país. Só no ano passado, segundo a ONU, quase três milhões de pessoas estavam em situação de insegurança alimentar grave, incluindo em Inhambane, Gaza, Cabo Delgado e no sul de Tete.

Bernardete Cossa enfrenta o desafio diário de encontrar comida. A residente de Inhambane diz que pede ajuda às pessoas que sabe que têm comida e que a podem partilhar.

"Vou levantar agora para ir a casa da vizinha pedir açúcar, um pouco de arroz e vir cozinhar e comer. À tarde, para cozinhar o quê? Deus me ajude também", comenta Bernardete.

O delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) em Inhambane, Cândido Mapute, acredita que a população deve apostar no cultivo de culturas resistentes à seca para evitar bolsas de fome.

"Na disseminação de cultura tolerantes à seca, no caso de batata doce polpa alaranjada, mas também a questão de ananaseiros e estacas de mandioca para produzir-se comida", alerta Mapute.

Devido à crise alimentar na província de Inhambane, algumas organizações não-governamentais estão a distribuir comida pela população para enfrentar a insegurança alimentar nas comunidades.

Distribuição de comida em Cabo Delgado pelas Nações Unidas, em fevereiro do ano passadoFoto: Alfredo Zuniga/AFP

Subnutrição infantil

A crise alimentar mundial já provocou subnutrição grave a mais de 260 mil crianças desde o início deste ano, o que se traduz em "uma criança a cada minuto que passa", revelou hoje o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A UNICEF aponta a "guerra na Ucrânia e alterações climáticas" como principais responsáveis devido à "escalada no preço dos alimentos e dos tratamentos terapêuticos". 

"Desde o início do ano, a escalada da crise alimentar global levou a que 260 mil crianças adicionais viessem a sofrer perda de peso severa em 15 países afetados pelo impacto desta crise de forma particular, inclusive no Corno de África e na região do Sahel", especificou a organização, em comunicado.

Cabo Delgado: Quase um milhão de pessoas em risco de fome

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