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Crise dos combustíveis: "Preços vão disparar" em Moçambique

8 de maio de 2026

À DW, o economista Egas Daniel alerta que a subida dos combustíveis terá impacto inevitável nos preços e defende subsídios urgentes aos transportes, além de maior aposta em energias alternativas.

Transportes em Maputo
“Subsidiar os transportes pode ser a única saída imediata”, diz economistaFoto: Romeu da Silva/DW

Os combustíveis estão mais caros emMoçambique. Os novos preços entraram em vigor na quinta-feira, com o gasóleo a registar um aumento de 45,5% e a gasolina de 12,1% por litro.

A  Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) considera a medida inevitável. Em conferência de imprensa, em Nampula, o membro da Comissão Política do partido no poder, Filipe Paúnde, afirmou que o reajuste era necessário "sob pena de o país ficar sem combustível”.

A subida já está a provocar contestação. Centenas de transportadores paralisaram as atividades em protesto, deixando milhares de passageiros sem transporte.

Em entrevista à DW, o economista Egas Daniel alerta que o aumento dos combustíveis terá um impacto inevitável sobre os preços dos produtos e dos transportes, podendo agravar a inflação. O analista defende ainda que, a médio e longo prazo, Moçambique precisa de reforçar a sua resiliência económica e apostar em fontes alternativas de energia, "que o país tem em abundância”.

DW África: Diante deste aumento do preço dos combustíveis, é inevitável que haja impacto sobre a economia?

Egas Daniel: "É inevitável que esse choque possa ser repassado para a economia como um todo"Foto: Amós Zacarias/DW

Egas Daniel (ED): Em primeiro, representa, de facto, uma inevitável transmissão para os preços, nos preços dos produtos no geral, mas de transporte em particular. Então, é inevitável que esse choque possa ser repassado para a economia como um todo e precipitar a inflação, porque é um choque do lado da oferta. Vamos ver como é que o Governo e o Banco de Moçambique, por exemplo, irão reagir em termos de políticas públicas para poder mitigar os efeitos nefastos disso sobre a economia.

DW África: Esta semana, o Governo moçambicano avançou que pondera subsidiar o transporte público de passageiros face a esta crise. É uma medida que se torna premente?

ED: Tendo em conta que grande parte das viaturas de transporte público coletivo de passageiros usa o diesel, os subsídios são provavelmente a ferramenta que se pode usar neste momento para conter a transmissão total dos preços sobre o consumidor final.

Agora, é importante, talvez, equacionar como fazer isso de forma mais eficiente, porque pode ser que alguns transportadores semi-coletivos, pelo menos o vulgo chapa 100, não sejam registados. Como é que eles podem beneficiar disso? Talvez haja um trabalho de sensibilização para que se possam registar, ou então o Governo encontra mecanismos alternativos para canalizar esse subsídio a estes ou usar o esquema de, talvez, bombas específicas de combustíveis destinadas aos transportadores coletivos e semi-coletivos. Aí já talvez pode ser mais fácil fiscalizar, para que também não se veja benefícios de quem talvez não esteja dentro do grupo-alvo desse subsídio.

DW África: E a médio e longo prazo, qual é a solução para este problema?

ED: Moçambique, primeiro, tem de se fortalecer na componente de resiliência contra esses choques. Falo de fortalecer no sentido de ter reservas internacionais, ter o fundo de estabilização que permita absorver os choques quando estiverem em entrada.

De outro modo, é tentar usar fontes alternativas de combustíveis, que Moçambique tem em abundância. Por outro lado, tentar buscar formas de até refinar parte do consumo doméstico, através de refinarias nacionais.

Por outro lado, falando de medidas mais alternativas, tentar ver se o próprio gás natural e as fontes de combustíveis renováveis que o país tem não podem ser usadas para a indústria, para substituir aqueles casos em que os combustíveis líquidos são os que alimentam a produção industrial.

Já que somos ricos em energias renováveis - eólica, solar, hidroelétrica... Acredito que o caso da Mozal é um bom exemplo para que o país tenha uma matriz energética mais renovável e dependente da sua potencialidade existente, em detrimento, por exemplo, de importar combustíveis líquidos como fonte principal de geração de energia.

A ideia é reduzir cada vez mais a dependência e a utilização de combustíveis fósseis importados, tendo em conta que Moçambique é, em si, rico em potencial energético extraordinário.

 

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