Há falta de sangue nos hospitais da província de Inhambane, no sul de Moçambique. O maior hospital da província só tem 15 unidades de sangue de reserva. Desespero leva familiares de doentes a recorrer ao mercado ilegal.
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Nos hospitais da província de Inhambane, os médicos são obrigados a adiar várias cirurgias porque o Banco de Sangue não tem reservas suficientes. O Hospital Provincial de Inhambane só tem 15 unidades de sangue, mas devia ter um stock de 40, de acordo com o médico-chefe provincial, Stélio Tembe.
"Estamos a enfrentar uma baixa muito significativa na redução de stock de sangue nas nossas unidades sanitárias e pior ainda no nosso Hospital Provincial de Inhambane. Neste momento, estamos a contar com 15 unidades de sangue. É pouquíssimo porque é este hospital que depois responde a todas as dificuldades da província", explica o médico-chefe provincial.
Menos doações de sangue
Idália Machavene, diretora clínica no Hospital Rural de Chicuque, em Maxixe, também diz que tem sido difícil conseguir doações de sangue.
"Nós temos uma procura muito grande", refere, mas o stock não satisfaz a procura. Idália Machavene lamenta: "gostaria de ter mais stock do que temos agora. Estamos constantemente a fazer campanhas de doação de sangue".
A responsável afirma que alguns familiares dos doentes se oferecem para doar sangue; outros compram sangue no mercado informal – algo que é ilegal. Há dadores que chegam a cobrar até cinco mil meticais (cerca de 70 euros) por meio litro de sangue.
Para tentar pôr fim a esta situação, decorrem campanhas de recolha de sangue nas igrejas, escolas e nos mercados.
"Estamos a contar com as reposições"
Défice de sangue em hospitais de Inhambane
Filipe Wisquete começou a doar sangue esta semana, para ajudar uma jovem do seu bairro. E vai continuar. "Alguém me disse para doar", conta, explicando que queria saber qual é a sensação de salvar uma vida.
Depois da experiência, Filipe Wisquete diz que "vou continuar. Considero importante doar."
No entanto, nem todos são como Filipe Wisquete. Ainda há poucas pessoas a aderir às campanhas de recolha de sangue. Por isso, Stélio Tembe, médico-chefe provincial, pede uma maior participação da comunidade.
"A população no geral tem de aderir. Estamos a contar com as reposições. Quando há um paciente a necessitar de uma doação de sangue, temos de pedir sempre a um familiar para fazer reposição desse sangue, mas mesmo assim é muito pouco."
Carências do principal hospital de Bissau
O Hospital Nacional Simão Mendes é considerado a unidade hospitalar de referência na Guiné-Bissau. Mas falta quase tudo: pessoal especializado, medicamentos básicos, aparelhos de diagnóstico.
Foto: Gilberto Fontes
Crise política deixa hospital a meio gás
Com a instabilidade política agravaram-se as necessidades no principal hospital da Guiné-Bissau e caíram por terra as expectativas da equipa hospitalar que esperava mais atenção por parte das autoridades. A Cruz Vermelha e os Médicos Sem Fronteiras prestam apoio. Mas, mesmo assim, perdem-se muitas vidas por falta de condições básicas de assistência.
Foto: Gilberto Fontes
À espera da hemodiálise...
O país ainda não consegue tratar doentes com insuficiência renal. O hospital tem estas instalações novas para iniciar tratamentos. Só falta a máquina da hemodiálise. Curioso é que o equipamento está no hospital, fechado há anos numa sala, cuja chave está com o Ministério da Saúde, segundo fonte hospitalar. Um nefrologista e vários técnicos fizeram formação em diálise, que ainda não podem aplicar.
Foto: Gilberto Fontes
Enquanto isso a população sofre
Doentes, como esta senhora, só podem receber tratamentos de hemodiálise no Senegal. No entanto, cada sessão chega a custar 150 euros. O que é insustentável para muitos doentes que, normalmente, necessitam de várias sessões semanais. Quando a doença é detetada numa fase inicial, aciona-se a evacuação para Portugal. Mas o processo é moroso. Muitos doentes acabam por falecer por falta de tratamento.
Foto: Gilberto Fontes
Há equipamentos novos parados...
O técnico de radiologia Hécio Norberto Araújo lamenta que este aparelho novo de radiografias esteja praticamente parado. Só faz alguns exames, em casos de urgência. Também o equipamento de mamografia nunca funcionou devido à falta de acessórios, como o chassi e o aparelho de revelação. O hospital militar continua a ser o único no país a fazer mamografias e tomografias, que podem custar 100 euros.
Foto: Gilberto Fontes
E máquinas obsoletas em uso
Na falta de opções, este velho aparelho de raio x continua a ser muito requisitado. Ninguém sabe quantos anos tem o equipamento que funciona com arranjos improvisados de fita-cola. A pequena sala de diagnóstico está desprovida de qualquer proteção contra as radiações. O único avental de proteção está estragado. Os técnicos de radiologia estão diariamente expostos a radiações eletromagnéticas.
Foto: Gilberto Fontes
Sem mãos a medir na pediatria
Esta unidade costuma estar cheia, principalmente na época das chuvas, com o aumento de casos de malária ou paludismo e diarreia nas crianças. Neste serviço com 158 camas, há apenas nove médicos efetivos e quase 40 enfermeiros. Entre o pessoal médico, conta-se um único especializado em pediatria. A falta de um eletrocardiograma é responsável pelo diagnóstico tardio de cardiopatias entre os menores.
Foto: Gilberto Fontes
Nem medicamentos para emergências
Nos cuidados intensivos há apenas um cardiologista. A maioria do pessoal médico são clínicos gerais. Por vezes, em plena situação de paragem cardíaca, falta medicação de urgência que os familiares do doente têm de se apressar em providenciar. A equipa hospitalar quer mais investimento em formação e em condições de trabalho. Só assim pode salvar mais vidas e diminuir a evacuação para o exterior.
Foto: Gilberto Fontes
Faltam lençóis e comida
O Hospital Nacional Simão Mendes tem mais de 500 camas. Mas não tem lençóis que cheguem para fazer a cobertura de todas elas. Devido à falta de pijamas, muitos doentes ficam hospitalizados com a roupa que trazem no corpo. Além disso, não há como providenciar alimentação aos pacientes que, na maior parte das vezes, ficam dependentes da comida que os familiares conseguem fazer chegar.