Presidente da República, Daniel Chapo, e representantes de nove partidos políticos aprovaram hoje o Plano de Ação para o Diálogo Político Nacional, instrumento previamente validado pela Assembleia da República.
Daniel Chapo (foto de arquivo)Foto: Amanuel Sileshi/AFP
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"A comissão técnica elaborou este plano de ação, analisamos e chegamos à conclusão que está em condições, a base estava elaborada e havia a necessidade de aprovarmos", disse o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, esta quarta-feira (30.04).
Na sessão do grupo responsável pela implementação do diálogo, foram igualmente aprovados os Termos de Referência para a seleção de personalidades das organizações da sociedade civil que integrarão o grupo de trabalho, bem como a proposta do Regulamento de Funcionamento da Comissão Técnica.
"Nova Fase"
Segundo o Presidente da República, que falava no final de mais uma sessão do Diálogo Político, a aprovação destes instrumentos marca o início de uma nova fase operativa do Diálogo Nacional Inclusivo.
Com a aprovação do regulamento da Comissão Técnica, o Chefe do Estado explicou que este órgão será responsável pela coordenação operacional do processo.
Chapo: Encontro com Mondlane foi "essencial para o país"
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Chapo referiu ainda que foram introduzidas pequenas alterações relacionadas com o mecanismo de fiscalização, que passa agora a ser exercido de forma colegial por quatro membros que compõem a chefia da Comissão Técnica.
"Apenas um ponto"
"Apenas houve um ponto na estrutura em que aparecia a figura do fiscal. Mas achamos que a figura de fiscal passa a ser o vice-relator e a fiscalização deve ser coletiva, sendo feita pelo presidente, vice-presidente, relator e vice-relator.”
O Presidente sublinhou que o grande objetivo é permitir que o diálogo aconteça de forma abrangente:
"Vamos dar os passos subsequentes para que o diálogo nacional inclusivo possa acontecer e todos os estratos sociais possam discutir melhor sobre o que queremos ser como sociedade moçambicana."
Candidatos presidenciais querem transformar Moçambique, mas como?
Todos os candidatos presidenciais, e os principais partidos em Moçambique, prometem mudanças depois das eleições gerais de 9 de outubro: menos corrupção e melhores condições de vida. Mas a via para lá chegar difere.
Foto: Alfredo Zuniga/AFP/Getty Images
Daniel Chapo, da FRELIMO, quer mudanças
Daniel Chapo promete mudanças se for eleito Presidente da República. O partido que o apoia, a FRELIMO, está no poder desde 1975, mas Chapo diz que quer fazer "coisas novas" em Moçambique. O ex-governador da província de Inhambane, de 47 anos, considera que a paz no país é uma prioridade: "Sou o candidato mais jovem e mais experiente, por isso, não podemos brincar no dia 9 de outubro", disse.
Foto: Marcelino Mueia/DW
FRELIMO quer novas leis para combater a corrupção
A FRELIMO aposta na mudança na continuidade e define o combate ao branqueamento de capitais e corrupção como prioridades. O partido propõe reformas legais, incluindo "a aprovação de uma Lei de Repatriamento de Capitais, bem como a Declaração de Bens de Proveniência ilícita, dentro de um determinado prazo". A FRELIMO quer um país "livre da dependência externa, com uma economia a crescer".
Foto: DW
Ossufo Momade, da RENAMO, promete revisão constitucional
Ossufo Momade, o candidato presidencial do maior partido da oposição, a RENAMO, diz que, se for eleito, vai "criar condições para rever a Constituição" e criar três capitais: "A capital política será Maputo, a capital parlamentar será Beira e a capital económica, Nampula". O opositor, de 63 anos, promete reforçar a força logística do Exército para combater o terrorismo em Cabo Delgado.
Foto: Marcelino Mueia/DW
RENAMO quer colocar o cidadão no centro da governação
A RENAMO nunca governou Moçambique, mas define uma missão clara no seu manifesto eleitoral: defender a liberdade e o Estado de Direito democrático, colocando o cidadão no centro da governação. O partido promete combater a corrupção e criar emprego, sobretudo para jovens e mulheres, aumentando a transparência e dando incentivos fiscais "seletivos" a quem crie postos de trabalho.
Foto: Bernardo Jequete/DW
Lutero Simango, do MDM, promete devolver dignidade ao povo
Lutero Simango, o candidato presidencial do MDM, será o primeiro nome no boletim de voto. O político, de 64 anos, promete resolver os problemas básicos dos cidadãos, melhorando as condições de vida: "Assumo o compromisso de que, se me elegerem, vou devolver a dignidade aos moçambicanos", afirmou. Simango também já disse que vai falar com "o diabo" para combater o terrorismo no país.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
MDM propões várias reformas
O MDM, a terceira maior força política em Moçambique, promete realizar várias reformas, se for eleito: Reforma das instituições, despartidarizando o Estado e redefinindo as competências das autarquias; Reforma na Educação, criando uma rede escolar equilibrada que priorize as zonas rurais e que torne o país competitivo; Reforma na Saúde, valorizando a medicina estatal, privada e tradicional.
Foto: Alfredo Zuninga/AFP/Getty Images
Candidato independente, Venâncio Mondlane, quer o povo no poder
Venâncio Mondlane, de 50 anos, começou a carreira política no MDM e passou também pela RENAMO. Agora, como independente, promete que, se for eleito Presidente da República, "o poder vai pertencer ao povo e não a um partido". Mondlane diz ainda que o país não precisa mais de se endividar: "Vamos criar condições para, com os nossos recursos naturais, fazermos muito melhor do que se tem feito".