Chapo questiona prevalência da desnutrição em Moçambique
14 de setembro de 2026
Ao discursar na abertura da 1.ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, sob o lema "Segurança Alimentar e Nutricional: Responsabilidade Coletiva para o Desenvolvimento de Moçambique", Daniel Chapo disse que o país possui terras férteis, águas dos rios e recursos para alimentar adequadamente a população e transformar a agricultura em fonte de rendimento, questionando assim a prevalência da desnutrição, sobretudo em crianças.
"A prevalência da desnutrição crónica em crianças menores de 5 anos situa-se ainda em cerca de 37%. Esta é a média nacional. Há províncias que estão aproximadamente a 50%", notou Chapo.
"Devemos ter a coragem de colocar uma pergunta simples, mas cuja resposta é determinante. Como podemos ter tanta terra, tanta água, tantos produtores e tantas potencialidades e ao mesmo tempo continuarmos a ter tantas crianças privadas das condições nutricionais necessárias para desenvolver plenamente o seu potencial?", questionou.
O chefe do Estado moçambicano disse não compreender como províncias com altos índices de produção agrícola podem continuar a registar níveis elevados de desnutrição, indicando que a reflexão que tem feito indica tratar-se de falta de hábitos alimentares.
"Precisamos de produzir mais, reduzir as perdas pós-colheita, melhorar a conservação, o armazenamento, a transformação, a logística e os mercados, garantindo que alimentos seguros e nutritivos diversificados cheguem às famílias a preços acessíveis. Precisamos, em suma, de olhar para toda a cadeia da machamba [campo agrícola], a bem da família moçambicana", disse.
O Presidente quer ver uma agricultura cada vez mais ligada à industrialização, com moçambicanos a consumirem a produção nacional e com os produtores a ganharem consoante os seus esforços. Por isso, exigiu ao Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) controlo dos preços de comercialização agrícola, indicando que só assim vai permitir que os agricultores tenham maiores ganhos com a atividade.
"[O ICM] devia ser o último tomador da produção nacional para que os nossos produtores não sejam explorados por aqueles que aparecem e determinam o preço (...), o produtor durante anos, ou todo o ano, teve muito sacrifício, muito empenho, muita dedicação, mas o preço, quando não é determinado pelo esforço que usou durante todo o ano, não incentiva a produção e é praticamente uma exploração ao povo moçambicano", disse.
Prevenção contra El Niño
O Presidente moçambicano também pediu hações antecipadas para travar impactos do fenómeno El Niño que se avizinha de forma "acelerada e assustadora", apelando a novas formas de financiar a segurança alimentar num dos países mais afetados por desastres.
Daniel Chapo lembrou que o país é ciclicamente afetado por desastres naturais, pedindo atenção no reforço da segurança alimentar.
"Não (...) podemos responder à crise quando ela já chegou. Precisamos de antecipar. Por isso (...) estamos a insistir em falar do El Niño exatamente para podermos antecipar, prevenir e construir resiliência, investindo na gestão de água, irrigação, tecnologia adaptada, sistemas de alerta precoce e armazenamento, com El Niño avizinhar-se, como fizemos referência, de uma forma acelerada e assustadora", disse o Presidente de Moçambique.
Chapo pediu que a conferência em curso debata sobre a educação cívica sobre como gerir melhor e mitigar os desafios que este fenómeno vai impor ao país, elevando custos sociais e económicos e provocando secas prolongadas num dos dez países a nível mundial que ciclicamente é afetado por estes eventos.
"Tudo isto exige recursos e uma nova forma de encarar o financiamento da segurança alimentar e nutricional. Este financiamento já não constitui uma despesa social, mas sim um investimento ao desenvolvimento nacional e investir na nutrição é fortalecer o capital humano", apelou Chapo.