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Diálogo Rússia-EUA: É a vez da Ucrânia entrar na conversa

18 de agosto de 2025

O Presidente da Ucrânia, a convite do seu homólogo norte-americano, desloca-se hoje, com aliados europeus, a Washington. Objetivo: debater os detalhes relativos ao conflito Rússia-Ucrânia que Trump conversou com Putin.

Belgien Brüssel 2025 | Ursula von der Leyen empfängt Wolodymyr Selenskyj
Foto: Bart Biesemans/REUTERS

Depois da cimeira do Alasca entre Donald Trump e Vladimir Putin na sexta-feira (15.08), é a vez da Ucrânia entrar na conversa. 

A cimeira do Alaska, para surpresa ou não de todos, não resultou em nada concreto, seja num anuncio de cessar-fogo ou promessa de paz. No entanto, desencadeou várias reações e movimentos políticos para que a histórica reunião entre Putin e Trump não caia num vazio.

Após a reunião de mais de três horas entre os Presidentes russo e norte-americano falaram aos jornalistas, mas sem direito a perguntas por parte da comunicação social. Donald Trump afirmou que não se chegou a um acordo, mas está confiante.

"Portanto, não há acordo até que haja um acordo", disse Trump. O Presidente dos EUA explicou: "Mas tivemos uma reunião extremamente produtiva e muitos pontos foram acordados, restando apenas alguns poucos. Alguns não são tão significativos. Um deles é provavelmente o mais significativo, mas temos boas hipóteses de chegar lá".

Já o Presidente russo, Vladimir Putin, espera que a conversa com Trump sirva de base para uma resolução do conflito na Ucrânia: "O nosso país está sinceramente interessado em pôr fim a isto. O mais importante é que ambos os lados estavam empenhados no resultado. Vemos que o Presidente dos EUA tem uma ideia clara do que quer alcançar, se preocupa sinceramente com a prosperidade do seu país e, ao mesmo tempo, demonstra compreensão pelos interesses nacionais da Rússia".

Foto: Sergei Bobylev/ZUMA/IMAGO

Garantias de segurança à Ucrânia

O enviado especial dos Estados Unidos na Rússia, Steve Witkoff, revelou à FOX que Putin concordou que sejam dadas à Ucrânia garantias de segurança semelhantes ao mandato de defesa coletiva da NATO.

Witkoff diz que "os russos concordaram em consagrar legislativamente uma linguagem que os impediria de mais, que eles atestariam não tentar tomar mais terras da Ucrânia após um acordo de paz, onde atestariam não violar nenhuma fronteira europeia". E o enviado especial dos Estados Unidos na Rússia garante: "Então, avançámos bastante e ainda há muito mais a fazer".

"Isso significa que os Estados Unidos estão potencialmente preparados para oferecer garantias de segurança previstas no artigo 5º, mas não da NATO. Diretamente dos Estados Unidos e de outros países europeus, e isso é importante, muito importante mesmo", sublinha.

E será sobre um destes detalhes que o Presidente da Ucrânia, Volodomir Zelesnky, irá discutir esta segunda-feira (18.08) com Donald Trump. Mas ao contrário do que aconteceu em fevereiro deste ano, o Presidente ucraniano não viaja sozinho para os EUA.

Zelensky acompanhado pela UE

Zelensky chegará à Casa Branca envolto de uma verdadeira frente unida europeia, acompanhado por Ursula Von der Leyen, pelo secretário-geral da NATO, Mark Rütte, pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, pelo Presidente finlandês, Alexander Stubb, pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, e pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

Todos os principais lideres políticos europeus reuniram este sábado (16.08) em Bruxelas, maioria por video conferência, para definir estratégias e planos conjuntos antes da reunião com TRump.

Um dos desafios mais referidos foi uma reunião trilateralcom Zelensky, Trump e Putin. O Presidente ucraniano afirma que a Rússia não mostra abertura.

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"Uma vez que a questão territorial é tão importante, ela deve ser discutida apenas pelos líderes da Ucrânia e da Rússia na trilateral Ucrânia-Estados Unidos-Rússia. Até agora, a Rússia não dá sinais de que a trilateral irá acontecer e, se a Rússia recusar, novas sanções deverão ser aplicadas", exige.

O Chanceler alemão, Friedrich Merz, sugere o espaço europeu para a cimeira entre Putin, Trump e Zelensky: "E também acho que essa reunião tripartida irá acontecer. A data e o local ainda estão em aberto. Provavelmente, esse também terá de ser o local onde essas discussões ocorrerão permanentemente. Sugerimos que esse local também poderia ser na Europa".

"Mas esses são detalhes. Eles só serão esclarecidos nos próximos dias, talvez até nas próximas semanas", afirma Merz.

O recado de Trump

Com ou sem ironia, 24 horas antes, Putin desafiou Donald Trump para que a proxima cimeira fosse em Moscovo: "Mais uma vez, Senhor Presidente, gostaria de lhe agradecer muito e falarei consigo em breve e provavelmente voltarei a vê-lo em breve. Muito obrigado, Vladimir".

"Da próxima vez em Moscovo", disse o Presidente russo e Trump respondeu: "Oh, isso é interessante!"

Seja onde for a próxima cimeira, Donald Trump deixa um conselho a Zelensky e uma bicada ao ex-Presidente norta-americano, Joe Biden: "Sim, agora veja, a Ucrânia tem de concordar com isso. Talvez eles digam não porque [Joe] Biden distribuiu dinheiro como se fosse doces e a Europa deu-lhes muito dinheiro".

Horas antes de receber o Presidente da Ucrânia e a frente unida europeia, Trump deixou novo recado na rede social Truth Social: "O Presidente Volodomir Zelensky, se quiser, pode terminar a guerra com a Rússia de forma quase imediata, ou continuar a lutar."

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Reuters Agência de notícias
AP Agência de notícias
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