Deslocados de Cabo Delgado acomodados na cidade de Chimoio e no distrito de Gondola, em Manica, pedem ao próximo Presidente para acabar com a guerra no país, para que todos os moçambicanos vivam e circulem livremente.
"Estou a pedir que ele nos olhe, que venha nos visitar aqui para ver como é que estamos a viver", pede uma deslocada ao Presidente que vier a ser eleito a 9 de outubroFoto: Bernardo Jequete/DW
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Os perto de 200 deslocados de Cabo Delgado que vivem no bairro Cianga, na cidade de Chimoio, estão expectantes em ver o problema da insegurança e os ataques contra pessoas indefesas resolvidos pelo próximo Presidente da República de Moçambique, que será eleito a 9 de outubro.
"Estou a pedir que ele nos olhe, que venha nos visitar aqui para ver como é que estamos a viver", pede Isabel Januário, que fugiu das barbaridades dos terroristas no distrito de Muidumbe.
Agora, espera ver o próximo chefe de Estado a acabar de vez com os ataques: "Que lá a guerra acabe, talvez possamos ir visitar as campas [dos nossos familiares], porque aqui estamos seguros, por isso no dia 9 de outubro estamos dispostos para ir votar."
O deslocado Mário Severino, de 25 anos, pede ao próximo Presidente que traga mais empresas para resolver a falta de emprego, que é uma das principais preocupações da população jovem deslocada.
"A maioria dos que estamos aqui fizemos a 10ª e outros a 12ª, por isso queremos pedir emprego para nos ajudar, e também que resolva a situação da guerra", apela.
Abdala Momade: "Não estamos seguros porque o país não está bem"Foto: Bernardo Jequete/DW
Abdala Momade, de 52 anos, destaca a necessidade urgente de reconstrução das infraestruturas destruídas pela ação terrorista em Cabo Delgado para possibilitar o retorno seguro da população que foi obrigada a fugir e a deixar tudo.
"O país não está em condições porque numa parte as pessoas estão livres e outra parte não estão, por isso deve resolver aquela situação até acabar com aquela guerra, embora nós já estejamos aqui numa área segura, mas não estamos seguros porque o país não está bem", salienta.
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Reconstruir as regiões afetadas
Para Abdala Momade, o próximo Presidente da República deve combater sem tréguas os terroristas e priorizar a reconstrução das regiões afetadas.
"Ele deve combater a situação de Cabo Delgado e depois que comece a de recuperar, porque os distritos de Cabo Delgado estavam bem, havia escolas, hospitais, institutos mas tudo ficou destruído", recorda.
Deslocados de Cabo Delgado estão expectantes em ver o problema da insegurança resolvido pelo próximo Presidente da República de MoçambiqueFoto: Bernardo Jequete/DW
Também os deslocados da região centro de Moçambique, acomodados no distrito de Gondola, procuram respostas e soluções eficazes.
Mateus João Baptista, de 54 anos de idade, saiu de Pinanganga, no distrito de Gondola, uma região severamente afetada pela tensão político-militar. Acredita que o próximo Presidente da República terá o enorme desafio de lidar com a reconstrução e promover o desenvolvimento socioeconómico em prol da população deslocada.
"As pessoas que saíram de Pinanganga perderam muita coisa, não queremos que volte novamente aquela situação, não queremos mais a guerra, queremos paz, porque aqui não temos machambas e lá é onde as pessoas fazem machambas, criação", afirma..
O analista político Kelly Mwenda considera que a questão de segurança dentro do território deve ser a prioridade do novo timoneiro, visando pôr fim às mortes, destruições e êxodo da população.
"Todo o mundo quer viver em paz, quer estar na sua zona de conforto. Então, o próximo Presidente de Moçambique deve olhar esta preocupação como prioridade, deve olhar para a questão de segurança em Cabo Delgado como prioridade, deve resolver antes de tocar outros setores", conclui.
Candidatos presidenciais querem transformar Moçambique, mas como?
Todos os candidatos presidenciais, e os principais partidos em Moçambique, prometem mudanças depois das eleições gerais de 9 de outubro: menos corrupção e melhores condições de vida. Mas a via para lá chegar difere.
Foto: Alfredo Zuniga/AFP/Getty Images
Daniel Chapo, da FRELIMO, quer mudanças
Daniel Chapo promete mudanças se for eleito Presidente da República. O partido que o apoia, a FRELIMO, está no poder desde 1975, mas Chapo diz que quer fazer "coisas novas" em Moçambique. O ex-governador da província de Inhambane, de 47 anos, considera que a paz no país é uma prioridade: "Sou o candidato mais jovem e mais experiente, por isso, não podemos brincar no dia 9 de outubro", disse.
Foto: Marcelino Mueia/DW
FRELIMO quer novas leis para combater a corrupção
A FRELIMO aposta na mudança na continuidade e define o combate ao branqueamento de capitais e corrupção como prioridades. O partido propõe reformas legais, incluindo "a aprovação de uma Lei de Repatriamento de Capitais, bem como a Declaração de Bens de Proveniência ilícita, dentro de um determinado prazo". A FRELIMO quer um país "livre da dependência externa, com uma economia a crescer".
Foto: DW
Ossufo Momade, da RENAMO, promete revisão constitucional
Ossufo Momade, o candidato presidencial do maior partido da oposição, a RENAMO, diz que, se for eleito, vai "criar condições para rever a Constituição" e criar três capitais: "A capital política será Maputo, a capital parlamentar será Beira e a capital económica, Nampula". O opositor, de 63 anos, promete reforçar a força logística do Exército para combater o terrorismo em Cabo Delgado.
Foto: Marcelino Mueia/DW
RENAMO quer colocar o cidadão no centro da governação
A RENAMO nunca governou Moçambique, mas define uma missão clara no seu manifesto eleitoral: defender a liberdade e o Estado de Direito democrático, colocando o cidadão no centro da governação. O partido promete combater a corrupção e criar emprego, sobretudo para jovens e mulheres, aumentando a transparência e dando incentivos fiscais "seletivos" a quem crie postos de trabalho.
Foto: Bernardo Jequete/DW
Lutero Simango, do MDM, promete devolver dignidade ao povo
Lutero Simango, o candidato presidencial do MDM, será o primeiro nome no boletim de voto. O político, de 64 anos, promete resolver os problemas básicos dos cidadãos, melhorando as condições de vida: "Assumo o compromisso de que, se me elegerem, vou devolver a dignidade aos moçambicanos", afirmou. Simango também já disse que vai falar com "o diabo" para combater o terrorismo no país.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
MDM propões várias reformas
O MDM, a terceira maior força política em Moçambique, promete realizar várias reformas, se for eleito: Reforma das instituições, despartidarizando o Estado e redefinindo as competências das autarquias; Reforma na Educação, criando uma rede escolar equilibrada que priorize as zonas rurais e que torne o país competitivo; Reforma na Saúde, valorizando a medicina estatal, privada e tradicional.
Foto: Alfredo Zuninga/AFP/Getty Images
Candidato independente, Venâncio Mondlane, quer o povo no poder
Venâncio Mondlane, de 50 anos, começou a carreira política no MDM e passou também pela RENAMO. Agora, como independente, promete que, se for eleito Presidente da República, "o poder vai pertencer ao povo e não a um partido". Mondlane diz ainda que o país não precisa mais de se endividar: "Vamos criar condições para, com os nossos recursos naturais, fazermos muito melhor do que se tem feito".