A decisão da empresária angolana em despedir mil trabalhadores da uma rede de supermercados em Angola não tem razão de ser, defendem jurista e sindicalista. Governo diz ter garantias de que lojas "não serão encerradas".
Isabel dos SantosFoto: picture-alliance/dpa/B. Fonseca
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O arresto das empresas e contas da empresária angolana Isabel dos Santos ocorreu em dezembro de 2019 por uma suposta dívida de 1,1 mil milhões de euros para com o Estado angolano.
Volvidos cerca de seis meses, a filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos vem agora, em entrevista ao jornal angolano "Valor Económico", anunciar o encerramento de algumas lojas do supermercado Candando e o despedimento de cerca de mil trabalhadores. A engenheira alega problemas financeiros devido ao arresto deste espaço comercial.
Despedimentos massivos anunciados por Isabel dos Santos questionados em Angola
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Argumento infundado
Mas, em declarações à DW África, o jurista e advogado Manuel Pinheiro, diz que o argumento não tem fundamento.
"Uma vez que o arresto designou administradores judiciais que estão, efectivamente, a gerir as empresas. E, mesmo nessa perspectiva, os créditos dos trabalhadores têm privilégios sobre todos os outros créditos. De maneira que, o argumento da Isabel dos Santos é mais um daqueles que podemos verificar como um atirar barro à parede para ver se pega. Esse argumento não pode colher," afirma.
Também Francisco Jacinto, secretário-geral da Confederação Geral dos Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CG-SILA), não vê argumentos de razão nos pronunciamentos da engenheira Isabel dos Santos porque, depois do arresto, foi contituída uma entidade que visa fazer a gestão das empresas enquanto se espera pela decisão judicial.
"Os fiéis depositários têm essa possibilidade de poderem gerir essas empresas e incluindo o pagamento dos salários dos trabalhadores e também, quiçá, algumas despesas decorrentes das próprias empresas. Agora, não estou a ver porque Candando não tenha conseguido levantar os dinheiros para o pagamento dos salários, se a empresa continua a funcionar. Aliás, os supermercados são as empresas que mais trabalharam ao longo da decalração do estado de emergência," considera.
O também jurista, busca o exemplo da EFACEC, uma das empresas de Isabel dos Santos em Portugal igualmente arrestadas pela justiça lusa, para sustentar o seu argumento.
"Entretanto, a questão dos salários está salvaguardada. Nós acompanhamos ainda a tempo, quando a Isabel dos Santos veio reclamar lá em Portugal que havia trabalhadores com salários em atraso. O tribunal veio dizer que não," recorda.
Foto: DW/J. Beck
Apoio aos funcionários
Francisco Jacinto acrescenta que os terceiros de boa-fé, no caso, os trabalhadores do Candando, não podem ser prejudicados face ao arresto das empresas e contas da empresária. A ser materializada esta intenção de despedimento, o sindicalista receia que este caso venha a "desembocar" noutras empresas que se encontram na mesma situação. Para além do Candando, também foi decretado o arresto das participações de Isabel dos Santos em empresas como BFA, UNITEL e ZAP.
Contudo, o seu movimento sindical está de "braços abertos" para apoiar os funcionários na resolução de um eventual despedimento, diz.
"Nós, CG-SILA, se formos procurados, seremos os seus mandatários junto do tribunal para se fazer valer o direito violado", informa.
A DW África tentou ouvir o Tribunal Provincial de Luanda, sem sucesso.
Numa nota tornada pública, o Ministério do Comércio e Indústria, esclarece que as lojas do Candando não serão encerradas nos próximos meses. Após uma reunião com a instiuição que gere a rede de supermercados Candando, o ministro Víctor Fernandes diz ter recebido garantias de que os mil trabalhadores não serão despedidos, como anunciou a empresária Isabel dos Santos.
Nove mulheres africanas dão que falar no mundo da política e dos negócios, geralmente dominado por homens. Saiba quem são e como se têm destacado.
Foto: picture-alliance/dpa/epa/B. Fonseca
Primeira mulher Presidente em África
Ellen Johnson Sirleaf foi a primeira mulher eleita democraticamente num país africano. De 2006 a 2018, governou a Libéria, lutando contra o desemprego, a dívida pública e a epidemia do ébola. Em 2011, ganhou o Prémio Nobel da Paz por lutar pela segurança e direitos das mulheres. Atualmente, lidera o Painel de Alto Nível da ONU sobre Migração em África.
Foto: picture-alliance/dpa/EFE/EPA/J. Lizon
Um grande passo para as mulheres etíopes
Sahle-Work Zewde foi eleita, em outubro, Presidente da Etiópia. O poder no país é exercido pelo primeiro-ministro e o Conselho de Ministros. Entretanto, a eleição de uma mulher para a cadeira presidencial é considerada um grande avanço na sociedade etíope, onde os homens dominam os negócios e a política. Mas isto está a mudar. Hoje em dia, metade do Governo é formado por mulheres.
Foto: Getty Images/AFP/E. Soteras
Mulher mais rica de África
Isabel dos Santos tem uma reputação controversa em Angola. É filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, que a colocou na administração da Sonangol em 2016. Mas o novo Presidente, João Lourenço, luta contra o nepotismo e despediu Isabel dos Santos. Mesmo assim, dos Santos ainda detém muitas participações empresariais e continua a ser a mulher mais rica de África, segundo a revista Forbes.
Foto: picture-alliance/dpa/epa/B. Fonseca
Magnata do petróleo e benfeitora da Nigéria
1,6 mil milhões de dólares norte-americanos é a fortuna da nigeriana Folorunsho Alakija. A produção de petróleo faz com que a dona da empresa Famfa Oil seja a terceira pessoa mais rica da Nigéria. Com a sua fundação, a mulher de 67 anos apoia viúvas e órfãos. Também é a segunda mulher mais rica de África, apenas ultrapassada pela fortuna de Isabel dos Santos de 2,7 mil milhões (segundo a Forbes).
Foto: picture-alliance/NurPhoto/A. Ajayi
Oficial da dívida da Namíbia
Na Namíbia, uma mulher lidera o Governo: desde março de 2015, Saara Kuugongelwa-Amadhila é primeira-ministra – e a primeira mulher neste escritório na Namíbia. Anteriormente, foi ministra das Finanças do país e perseguiu uma meta ambiciosa: reduzir a dívida nacional. A economista é membro da Assembleia Nacional da Namíbia desde 1995.
Foto: Getty Images/AFP/H. Titus
Discrição e influência
Jaynet Kabila é conhecida pela sua discrição e cuidado. Irmã gémea do ex-Presidente congolês Joseph Kabila, é membro do Parlamento da República Democrática do Congo e também é dona de um grupo de meios de comunicação. Em 2015, a revista francesa Jeune Afrique apontou-a como a pessoa mais influente do Governo na RDC.
Foto: Getty Images/AFP/J. D. Kannah
Triunfo diplomático
A ex-secretária de Estado do Ruanda, Louise Mushikiwabo, será secretária-geral da Organização Internacional da Francofonia em 2019. Isto, mesmo depois de o país ter assumido o inglês como língua oficial há mais de 10 anos. A escolha de Mushikiwabo para o cargo é vista como um triunfo diplomático. O Presidente francês, Emmanuel Macron, foi um dos apoiantes da sua candidatura.
Outra mulher influente: a nigeriana Amina Mohammed, vice-secretária-geral das Nações Unidas desde 2017. Entre 2002 e 2005, já tinha trabalhado na ONU no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio. Mais tarde, foi assessora especial do então secretário-geral, Ban Ki-moon, e, por um ano, foi ministra do Meio Ambiente na Nigéria.
Foto: picture-alliance/empics/B. Lawless
A ministra dos recordes no Mali
Recente no campo da política externa, Kamissa Camara é a mais jovem na política e primeira ministra do Exterior da história do Mali. Aos 35 anos, foi nomeada para o cargo pelo Presidente Ibrahim Boubacar Keïta e é agora uma das 11 mulheres no Governo. No total, o gabinete maliano tem 32 ministros.