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"Diálogo já é um aspeto permanente no nosso país"

6 de outubro de 2026

Em entrevista à DW, Albino Forquilha mostra-se confiante no Diálogo Nacional Inclusivo, mas reconhece dificuldades na implementação dos resultados.

Albino Forquilha, presidente do partido PODEMOS - na oposição em Moçambique
Foto: AMILTON NEVES/AFP via Getty Images

O presidente do PODEMOS, o maior partido da oposição em Moçambique, está confiante de que, desta vez, o resultado do processo de diálogo em curso no país resulte e que "aquilo que for do consenso se viva na prática".

Em entrevista à DW, Albino Forquilha volta a afastar a tese de exclusão de Venâncio Mondlane do Diálogo Nacional Inclusivo. E explica que o diálogo com a FRELIMO tem sido "saudável", havendo consenso sobre o que está mal no país. Em prol da paz, defende, uma das prioridades é "a inclusão da oposição nas instituições públicas".

DW África: Por ocasião dos 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz, o Presidente Daniel Chapo disse, este domingo, que a 4 de outubro de 1992, em Roma, se substituiu "o confronto pelo diálogo, a divisão pela reconciliação e a guerra pela esperança". Na sua opinião, "diálogo, reconciliação e esperança" são palavras que definem o Moçambique de hoje?

Albino Forquilha (AF): Posso dizer, por um lado, que sim, porque nós temos estado sempre a dialogar, ainda que os resultados do diálogo não se reflitam praticamente na vida dos moçambicanos ou na implementação das políticas nacionais. Diálogo já é um aspeto permanente no nosso país. O que efetivamente está em problema é a implementação dos resultados do diálogo, porque o diálogo vai continuar a ser algo confiável se ele resulta em políticas públicas que são implementáveis, monitoráveis e censuráveis.

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DW África: Na sua opinião, este processo de diálogo inclusivo em curso está mais perto de mover Moçambique para essa paz e para esta reconciliação?

AF: Acredito sim. Olha, eu sou signatário. Se não acreditasse, portanto, não ia colocar a minha assinatura. E acredito, porque também acredito neste processo educativo dos moçambicanos. Nós não temos uma outra saída. Pelo menos como estivemos em dezembro 2024, já não tínhamos uma outra saída senão recorrer efetivamente ao diálogo.

E acredito, de facto, porque é aquilo que estou a acompanhar de perto. E também há as medidas de precaução que estamos a tomar, como o caso da constituição ou da criação do mecanismo institucional de supervisão, de monitoria e avaliação dos resultados deste diálogo. Penso que é um aspeto importante que poderá, de alguma forma, garantir que aquilo que está a ser discutido, aquilo que for do consenso, efetivamente se viva na prática em Moçambique.

DW África: Mantêm-se as críticas à exclusão de uma parte da sociedade neste processo. Como é que olha para essas críticas?

AF: Não há alguma constatação de exclusão no diálogo. Há uma coisa, pode-se lutar para que ele faça parte praticamente do grupo das lideranças, isto é outra coisa. Mas do ponto de vista de participação, do espaço para contribuir, não há ninguém que seja vedado no território moçambicano. Ninguém. O Venâncio Mondlane não está nos que estão dentro da liderança do diálogo. Mas não está excluído do diálogo. Até porque, tempos depois, o Venâncio, em nome da ANAMOLA, também participou e entregou as suas propostas e hoje em dia continuam a participar. 

Portanto, todo aquele que disser, que continuar com a tese de que há exclusão, há uma autoexclusão, provavelmente. Esta pessoa é que não quer participar. Quer fazer da sua não participação uma razão para protestar.

DW África: Enquanto líder da oposição, acha que o governo atual contribuiu para a estabilidade no país? Como define o diálogo com a FRELIMO?

AF: Defino o diálogo, neste momento, como saudável. Porque, como disse até nalgum discurso meu, nós todos identificamos o problema. Nós todos quer dizer a oposição e a própria posição, neste caso a FRELIMO, concordamos que aquilo que constituem os termos de referência do próprio diálogo, são os problemas que temos no país.

DW África: Mas então o que é que o Governo não está a fazer e que poderia fazer na vossa opinião?

AF: A administração do Estado é um espaço para todos nós, não é? Ali nós nunca exigimos, no passado, que houvesse também a certos níveis horizontais e verticais a representação proporcional com base nos resultados eleitorais. Nunca dissemos isso na expectativa de que quem está no Governo permita que o acesso à administração pública seja de facto inclusivo. Mas não é o que está a acontecer. Ademais, cria-se o sentimento de que o Estado moçambicano e tudo quanto acontece pertence apenas a quem é da FRELIMO. Como vimos durante as últimas manifestações, a queima de esquadras, de escolas e de instituições, que são de todos nós, expressa também este lado de não pertença desses meios.

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