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PolíticaCabo Verde

PAICV reclama maioria absoluta e líder do MpD demite-se

18 de maio de 2026

Francisco Carvalho já anunciou a conquista da maioria absoluta pelo PAICV nas legislativas em Cabo Verde, com base nos resultados provisórios. Ulisses Correia e Silva, candidato derrotado, demitiu-se da liderança do MpD.

Cartazes eleitorais na capital de Cabo Verde, que foi às urnas a 17 de maio para eleger um novo parlamento
A abstenção situa-se no valor recorde de 53,4%, numa ida às urnas marcada pela disputa renhida entre o PAICV e o MPDFoto: Ângelo Semedo/DW

Segundo os resultados apurados até ao momento pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) e divulgados no portal oficial eleicoes.cv, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) conseguiu 88.966 dos votos nas legislativas deste domingo (17.05), correspondentes a 46,7% dos votos, com 33 deputados num total de 72 assentos no Parlamento.

De acordo com os dados oficiais, o Movimento para a Democracia (MpD) elegeu 30 deputados (83.190 votos, 43,6%), enquanto a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), em terceiro lugar, obteve dois (9.793 votos, 5,1%).

A abstenção situa-se, para já, num valor recorde de 53,4%, numa ida às urnas marcada pela disputa renhida entre o PAICV e o MPD.

PAICV já celebra "maioria absoluta"

Ontem à noite, o presidente do PAICV, Francisco Carvalho, anunciou a conquista do parlamento com "maioria absoluta" e recebeu felicitações do candidato derrotado do MpD e primeiro-ministro desde 2016, Ulisses Correia e Silva.

"Os cabo-verdianos passaram uma mensagem clara: chegou a hora de mudar a gestão do país", referiu Francisco Carvalho na sua declaração de vitória, feita pelas 00:15 na sede do PAICV, na cidade da Praia. "Já chegaram os resultados da América que faltavam: é maioria absoluta", disse ainda.

A abstenção situa-se no valor recorde de 53,4%, numa ida às urnas marcada pela disputa renhida entre o PAICV e o MPDFoto: Queila Fernandes/AFP

"Podem esperar de nós tudo o que prometemos, com exceção do que depender de alterações constitucionais, porque o Movimento para a Democracia (MpD) não vai colaborar quanto a isso", acrescentou.

O líder do PAICV também recordou promessas eleitorais chave para executar: acesso gratuito à universidade pública, a cuidados saúde, viagens domésticas de barco a 500 escudos (4,53 euros) e de avião a 5.000 escudos (45,35 euros). "Não vamos invocar desculpas para não cumprir", acrescentou.

Francisco Carvalho criticou ainda a "democracia de fachada" que tem de dar lugar "a coisas reais" e "não pode ficar tudo como está, para, numa próxima eleição, o MpD voltar a comprar votos".

Ulisses Correia e Silva assume derrota

Ainda antes de Francisco Carvalho discursar, Ulisses Correia e Silva, presidente do MpD e primeiro-ministro de Cabo Verde, já tinha reconhecido a derrota e anunciado a demissão da liderança do partido, para fazer o Mpd "entrar numa nova fase".

Ulisses Correia e Silva telefonou a Francisco Carvalho para felicitar o líder do PAICV pelo resultado nas legislativas e desejar-lhe "sucesso na governação".

Apesar dos resultados, o candidato derrotado prometeu que "o MpD vai assumir o seu papel no Parlamento, obviamente como oposição responsável e a continuar a servir Cabo Verde."

Ulisses Correia e Silva declarou ainda que a renovação interna é importante para o fortalecimento do partido. "As pessoas passam, as instituições continuam", sublinhou.

"A vida continua. Terminadas as eleições, devemos regressar à normalidade, transmitir ao país uma mensagem de tranquilidade e centrar-nos no essencial, que é fazer o país avançar", concluiu.

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