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PolíticaAlemanha

Saxónia-Anhalt: AfD assegura vantagem, segundo projeções

6 de setembro de 2026

As sondagens à boca das urnas apontam para 44,5% dos votos para a AfD - mais do dobro do que a CDU, o partido no poder -, nas eleições regionais no estado alemão da Saxónia-Anhalt.

Eleições regionais na Saxónia-Anhalt
Comemoração de Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD, ao lado de Alice Weidel e Tino ChrupallaFoto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance

Com o encerramento das urnas no estado alemão da Saxónia-Anhalt, as sondagens à boca das urnas indicam que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 44,5% dos votos, enquanto a CDU, de centro-direita, ficou com 18,5%.

Já o SPD obteve, segundo as projeções, 8% dos votos, os Verdes 9% e a Esquerda registou 9,5%. 

Os resultados provisórios sugerem que a AfD deverá conquistar 39 lugares no novo parlamento da Saxónia-Anhalt, ficando a três lugares da maioria absoluta e da capacidade de governar sozinho.

Prevê-se que a CDU, do chanceler Friedrich Merz, conquiste 16 lugares, o seu pior resultado na Saxónia-Anhalt desde a reunificação alemã. Espera-se que os Verdes e o SPD obtenham oito e sete lugares, respetivamente.

A AfD "fez história"

Ulrich Siegmund, líder da AfD na Saxónia-Anhalt, comemorou a aparente vitória do partido após a divulgação das sondagens à boca das urnas.

"Fizemos história, temos de o dizer claramente", afirmou à emissora pública alemã ARD.

Siegmund referiu ainda que o resultado constitui também um "sinal" para o governo federal alemão, liderado por Friedrich Merz.

Ao referir-se à possibilidade de formar uma coligação com um dos outros partidos — a maioria dos quais descartou a possibilidade de colaborar com o partido de extrema-direita antes das eleições —, Siegmund afirmou que a AfD está aberta à cooperação, nos seus próprios termos.

"Não vamos abdicar das nossas posições fundamentais apenas para chegar ao poder", sublinhou.

"Não vamos abdicar das nossas posições fundamentais apenas para chegar ao poder", sublinhou Ulrich SiegmundFoto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance

"Vamos mudar a Alemanha"

O co-líder da AfD, Tino Chrupalla, afirma que o partido garantiu um mandato para governar graças ao seu forte resultado eleitoral na Saxónia-Anhalt.

"Reduzimos para metade os votos da CDU, por isso, desse ponto de vista, é uma noite fantástica", disse Chrupalla aos jornalistas em Magdeburgo, referindo-se a uma observação do líder da CDU e chanceler, Friedrich Merz, segundo a qual o resultado da AfD poderia ser reduzido para metade.

Chrupalla classificou o resultado como "sensacional". "Ulrich Siegmund será o novo primeiro-ministro da Saxónia-Anhalt", afirmou. "A partir daqui, vamos mudar a Alemanha".

Caso o partido não consiga obter a maioria absoluta, Chrupalla afirmou que estaria aberto a negociações e chegou mesmo a sugerir que um governo minoritário da AfD poderia ser tolerado pelos outros partidos.

O candidato principal, Siegmund, rejeitou, no entanto, essa opção mais tarde, afirmando que "não haveria acordos envolvendo um governo minoritário ou algo do género". Afirmou que a AfD estaria, em princípio, aberta a um parceiro de coligação disposto a alterar as políticas de migração e energia, mas que, de momento, não via nenhum partido com essas características.

O primeiro-ministro da Saxónia-Anhalt, Sven Schulze, considerou que os eleitores "enviaram um sinal"Foto: Kay Nietfeld/dpa/picture alliance

"Isto é democracia"

Por seu lado, o primeiro-ministro da Saxónia-Anhalt e candidato principal da CDU, Sven Schulze, afirmou que as sondagens à boca das urnas revelam a dimensão do revés sofrido pelo seu partido, colocando os conservadores nos 18,5%.

"Isto é democracia, as pessoas enviaram um sinal", afirmou.

Schulze felicitou a AfD pela aparente vitória nas eleições e afirmou que cabia agora à CDU encontrar uma forma de lidar com o resultado. O político descreveu a campanha como excepcionalmente difícil.

"Nunca vivi uma campanha eleitoral assim nos meus 25 anos na política", admitiu.

Entretanto, a secretária-geral da CDU, Franziska Hoppermann, descartou qualquer cooperação com a AfD. "Não vamos trabalhar com radicais, especialmente com radicais de direita".

Hoppermann também rejeitou as especulações de que este resultado pudesse afetar o futuro do chanceler alemão e líder da CDU, Friedrich Merz.

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