Saxónia-Anhalt: AfD assegura vantagem, segundo projeções
6 de setembro de 2026
Com o encerramento das urnas no estado alemão da Saxónia-Anhalt, as sondagens à boca das urnas indicam que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 44,5% dos votos, enquanto a CDU, de centro-direita, ficou com 18,5%.
Já o SPD obteve, segundo as projeções, 8% dos votos, os Verdes 9% e a Esquerda registou 9,5%.
Os resultados provisórios sugerem que a AfD deverá conquistar 39 lugares no novo parlamento da Saxónia-Anhalt, ficando a três lugares da maioria absoluta e da capacidade de governar sozinho.
Prevê-se que a CDU, do chanceler Friedrich Merz, conquiste 16 lugares, o seu pior resultado na Saxónia-Anhalt desde a reunificação alemã. Espera-se que os Verdes e o SPD obtenham oito e sete lugares, respetivamente.
A AfD "fez história"
Ulrich Siegmund, líder da AfD na Saxónia-Anhalt, comemorou a aparente vitória do partido após a divulgação das sondagens à boca das urnas.
"Fizemos história, temos de o dizer claramente", afirmou à emissora pública alemã ARD.
Siegmund referiu ainda que o resultado constitui também um "sinal" para o governo federal alemão, liderado por Friedrich Merz.
Ao referir-se à possibilidade de formar uma coligação com um dos outros partidos — a maioria dos quais descartou a possibilidade de colaborar com o partido de extrema-direita antes das eleições —, Siegmund afirmou que a AfD está aberta à cooperação, nos seus próprios termos.
"Não vamos abdicar das nossas posições fundamentais apenas para chegar ao poder", sublinhou.
"Vamos mudar a Alemanha"
O co-líder da AfD, Tino Chrupalla, afirma que o partido garantiu um mandato para governar graças ao seu forte resultado eleitoral na Saxónia-Anhalt.
"Reduzimos para metade os votos da CDU, por isso, desse ponto de vista, é uma noite fantástica", disse Chrupalla aos jornalistas em Magdeburgo, referindo-se a uma observação do líder da CDU e chanceler, Friedrich Merz, segundo a qual o resultado da AfD poderia ser reduzido para metade.
Chrupalla classificou o resultado como "sensacional". "Ulrich Siegmund será o novo primeiro-ministro da Saxónia-Anhalt", afirmou. "A partir daqui, vamos mudar a Alemanha".
Caso o partido não consiga obter a maioria absoluta, Chrupalla afirmou que estaria aberto a negociações e chegou mesmo a sugerir que um governo minoritário da AfD poderia ser tolerado pelos outros partidos.
O candidato principal, Siegmund, rejeitou, no entanto, essa opção mais tarde, afirmando que "não haveria acordos envolvendo um governo minoritário ou algo do género". Afirmou que a AfD estaria, em princípio, aberta a um parceiro de coligação disposto a alterar as políticas de migração e energia, mas que, de momento, não via nenhum partido com essas características.
"Isto é democracia"
Por seu lado, o primeiro-ministro da Saxónia-Anhalt e candidato principal da CDU, Sven Schulze, afirmou que as sondagens à boca das urnas revelam a dimensão do revés sofrido pelo seu partido, colocando os conservadores nos 18,5%.
"Isto é democracia, as pessoas enviaram um sinal", afirmou.
Schulze felicitou a AfD pela aparente vitória nas eleições e afirmou que cabia agora à CDU encontrar uma forma de lidar com o resultado. O político descreveu a campanha como excepcionalmente difícil.
"Nunca vivi uma campanha eleitoral assim nos meus 25 anos na política", admitiu.
Entretanto, a secretária-geral da CDU, Franziska Hoppermann, descartou qualquer cooperação com a AfD. "Não vamos trabalhar com radicais, especialmente com radicais de direita".
Hoppermann também rejeitou as especulações de que este resultado pudesse afetar o futuro do chanceler alemão e líder da CDU, Friedrich Merz.