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Eleições no Quénia: Desafio para a Commonwealth

Andrew Wasike | tm
6 de agosto de 2017

Observadores da Commonwealth estão no Quénia para monitorar as presidenciais. Mas o medo de ataques extremistas e o assassinato de um membro da comissão eleitoral queniana aumentam tensão política no país.

Eleitores quenianos preparam-se para as presidenciais de 8 de agostoFoto: Reuters/T. Mukoya

O ex-Presidente do Gana, John Dramani Mahama, está no Quénia com um grupo composto por 15 membros da Commonwealth para monitorar o bom andamento das eleições quenianas. Um desafio é claro: as tensões étnicas e os discursos de ódio têm aumentado pelo país na medida em que se aproximam as eleições, marcadas para o próximo dia 8 de agosto.

Na disputa eleitoral há dois grandes candidatos. O Presidente Uhuru Kenyatta enfrenta o ex-primeiro-ministro e líder da oposição, Raila Odinga. Já em 2007, as eleições no Quénia, denunciadas como fraudulentas pelos observadores internacionais, foram igualmente muito violentas, resultando na morte de mais de mil pessoas. Por isso, todos os olhos estão virados para esse país africano.

Recentemente, o assassinato do supervisor do sistema informático da Comissão Eleitoral queniana (IEBC), Christopher Musando, fez aumentar o medo da violência entre eleitores. O corpo do funcionário foi encontrado no sábado (29.07), numa floresta nos arredores da capital Nairobi, com sinais de tortura. 

O ex-Presidente do Gana, Dramani Mahama, por sua vez, mencionou este tema em primeiro lugar à imprensa em sua visita ao Quénia: "Em nome do Commonwealth, e dos observadores, eu gostaria de expressar minhas sinceras condolências à família e colegas de Christopher Msando. Gostaríamos de nos juntar aos que pedem a completa e rigorosa investigação sobre quais foram os motivos e quem são os responsáveis por esse crime."

Grupo de Peso

Mahama é acompanhado por um grupo de peso. Entre os membros da Commonwealth há representantes da África, Ásia, Europa, do Caribe e do Pacífico com larga experiência em temas sobre a sociedade civil, direitos das mulheres e dos jovens; além de direitos humanos e os média.

A equipa avaliará o ambiente pré e pós-eleitoral no Quénia, assim como as atividades durante o dia de votação, tendo como pano de fundo a legislação nacional; além dos compromissos nacionais e internacionais. "Observaremos se o Quénia seguirá os padrões dos acordos com os quais tem se comprometido", disse Mahama.

O ex-presidente do Gana está seguro de que estas eleições definirão o futuro do Quénia. "É uma eleição de apostas altas. Eu a considero um marco", disse, "a maturidade da democracia queniana está jogo, e se essa deverá - ou não - firmar-se como uma das principais do continente", completou.

Familiares choram a morte do funcionário Christopher MusandoFoto: picture-alliance/Photoshot

Ataques em Mandera

A equipa de observação da Commonwealth chegou ao Quénia no dia em que o grupo islamita somali Al-Shabaab atacou uma delegacia de polícia na cidade de Mandera, matando uma pessoa e incendiando dois carros. O grupo fugiu. Contudo, militantes já divulgaram, através de uma rádio na Somália, que organizarão ataques ao país africano para impedir as eleições.

Por sua vez, o inspector-geral da polícia, Joseph Boinett, afirmou que a ampla segurança será garantida e pediu aos eleitores que não tenham medo. "Infelizmente, durante os disparos em que dois veículos foram atacados, perdemos um oficial da polícia. Em apoio à Comissão Eleitoral queniana (IEBC), seguiremos a lei estritamente. Seremos apartidários e atenderemos as necessidades dos cidadãos", completou.

As presidenciais quenianas de 8 agosto serão a quinta já realizada no país depois que o pluripartidarismo foi implementado, em 1991.

 

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