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Encontro entre Putin e Witkoff em Moscovo termina sem acordo

3 de dezembro de 2025

Encontro entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o enviado dos EUA, Steve Witkoff, para debater plano de paz para a Ucrânia proposto por Trump foi produtivo, mas não foi alcançado qualquer acordo, informou o Kremlin.

Encontro em Moscovo entre o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff (segundo à esquerda), Jared Kushner, genro de Donald Trump, o conselheiro de política externa russo Yuri Ushakov (ao lado, à direita) e o Presidente Vladimir Putin (02.12.2025)
O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff (segundo à esquerda), e Jared Kushner, genro de Donald Trump, duranter o encontro com o conselheiro de política externa russo Yuri Ushakov (ao lado, à direita) e o Presidente Vladimir Putin, no Kremlin, em MoscovoFoto: Kristina Kormilitsyna/Sputnik/AP Photo/picture alliance

Segundo o conselheiro diplomático russo, Yuri Ushakov, a discussão, que durou cerca de cinco horas, foi "construtiva", mas "ainda há muito trabalho a fazer".

"Ainda não foi escolhida nenhuma solução de compromisso (sobre os territórios), mas algumas propostas americanas podem ser discutidas", declarou. "Conseguimos chegar a um acordo em certos pontos (...), outros foram alvo de críticas, mas o principal é que houve uma discussão construtiva e que as partes declararam a sua disponibilidade para continuar os seus esforços", acrescentou o porta-voz.

Em cima da mesa está a versão de 19 pontos da proposta norte-americana, que foi revista pela Ucrânia e os aliados europeus, e que voltou a ser trabalhada a nível bilateral no domingo, na Florida, entre as delegações ucraniana e norte-americana.

O Presidente ucraniano, que deu já luz verde a esta proposta, disse, esta terça-feira (02.12), que está "à espera de um sinal” da delegação norte-americana que se encontra na Rússia para saber quais os próximos passos: se as negociações entre as partes evoluem para um encontro presencial de líderes ou não.

Volodymyr Zelensky disse que Kiev está a lutar por um fim da guerra e não apenas uma pausa. "Os EUA estão a tomar medidas sérias para acabar com a guerra de uma forma ou de outra. O nosso objetivo, e estou certo que é comum a todos nós na Europa, é acabar com a guerra efetivamente, não apenas conseguir uma pausa nas hostilidades. É necessária uma paz digna. Mas para que isso aconteça, todos devem estar do lado da paz", disse.

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04:39

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Putin acusa europeus de boicote

Algo que, segundo o Presidente Vladimir Putin, não está a acontecer. Em declarações, na terça-feira (02.19), antes do encontro com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, em Moscovo, Putin acusou os europeus de boicotar os esforços em curso.

Segundo o líder russo, países como França, Alemanha e Reino Unido "estão do lado da guerra", pois apresentam "exigências que sabem que são absolutamente inadmissíveis para a Rússia.  O seu objetivo é culpar Moscovo pelo colapso deste processo de paz."

Putin foi mais longe, garantindo que a Rússia está preparada para travar uma guerra com a Europa se for essa a sua pretensão. "Não temos a intenção de entrar em guerra com a Europa, mas se a Europa o desejar e começar, estamos prontos imediatamente. Não há dúvida quanto a isso."

Já do lado da Europa, a narrativa é outra. Vários líderes têm alertado para o facto do continente estar afastado das discussões em curso não havendo qualquer representante da sua parte nestas negociações.

Fim da importação de gás russo até 2027

O Conselho Europeu anunciou esta quarta-feira (03.12) que chegou a um acordo com o Parlamento Europeu para eliminar gradualmente todas as importações de gás russo até 2027, estabelecendo um calendário juridicamente vinculativo para acabar com a dependência do bloco em relação à energia russa.

Segndo o acordo, as importações de GNL russo serão proibidas a partir do final de 2026, seguidas pelo gás canalizado no outono de 2027.

A Rússia representava 12% das importações de gás da União Europeia (UE) em outubro, uma queda em relação aos 45% antes da sua invasão da Ucrânia em 2022.

O ministro do Clima da Dinamarca, Lars Aagaard, considerou o acordo "uma grande vitória" para toda a Europa. "Temos de pôr fim à dependência da UE do gás russo e a sua proibição permanente na UE é um passo importante na direção certa", afirmou Aagaard.

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