Estratégia de Trump: Oportunidade para África ou retrocesso?
11 de dezembro de 2025
Com a sua nova estratégia de segurança e economia externa, o presidente dos EUA, Donald Trump, coloca claramente o foco em menos programas de desenvolvimento para África e mais em projetos de segurança de matérias-primas e energia.
Os Estados Unidos pretendem, no futuro, colaborar com países selecionados para promover "relações comerciais mutuamente vantajosas" e explorar os recursos naturais e o potencial económico de África, segundo o documento publicado a 4 de dezembro.
Pretende continuar a desenvolver tecnologias de energia nuclear, gás liquefeito e gás natural liquefeito e aplicá-las em África.
Mas será que o plano de Trump de integrar África na política dos EUA principalmente como fornecedor de matérias-primas importantes representa uma nova oportunidade para o desenvolvimento do continente?
O economista queniano James Shikwati vê poucos sinais disso e entende que "o documento de Segurança Nacional trata África como uma região de baixo compromisso e, em termos da sua estratégia, é muito claro que contraria as aspirações da União Africana, bem como as aspirações dos blocos económicos regionais africanos, que pretendem integrar as economias das regiões e fazer com que África funcione como um todo".
EUA centrados no comércio e não na ajuda
Para o analista económico independente Daniel Silke, na África do Sul, a estratégia atual dos EUA é uma clara reformulação da política norte-americana.
"A nova estratégia dos EUA centra-se no comércio e não na ajuda. Os dias de benefícios generalizados através da AGOA para uma ampla variedade de produtos que entram nos EUA chegaram ao fim. Pelo menos por enquanto", diz.
O programa comercial AGOA foi criado em 2000 e permitiu que vários países africanos colocassem os seus produtos no mercado americano sem pagar impostos. O ex-Presidente dos EUA, Barack Obama, considerava o AGOA fundamental para o crescimento económico em África e prorrogou-o por mais dez anos em 2015.
Donald Trump, por sua vez, deixou o programa expirar no final de setembro de 2025. Um debate marcado para esta quarta-feira (11.12) em Washington poderá decidir por uma prorrogação de três anos do AGOA, mas a continuidade da importante parceria com a África do Sul é considerada questionável, depois que as relações entre os dois países se deterioraram significativamente no ano passado.
Solução: Outras parcerias para África
Como possível consequência da nova política externa de Trump, o analista Daniel Silke afirma que os países africanos podem tentar preencher a lacuna através de parcerias com outros Estados.
"Talvez procurar liberalizar as suas próprias políticas internas, acelerar o Acordo de Comércio Livre Continental Africano e procurar aumentar organicamente o comércio em todo o continente, em vez de depender das doações e dos benefícios que os EUA e a AGOAcostumavam oferecer", antevê Silke.
O economista acrescenta que "há uma sensação de que agora é o momento da África se desenvolver internamente, em vez de procurar as doações provenientes de uma grande potência como Washington".
A zona de comércio livre continental africana entrou oficialmente em vigor em 2019, mas até agora tem avançado lentamente: o projeto da União Africana abrange agora 54 Estados-Membros, um enorme mercado continental com mais de 1,3 mil milhões de pessoas.
A redução das tarifas alfandegárias e a simplificação burocrática devem impulsionar o desenvolvimento industrial de África.