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PolíticaeSwatini

eSwatini: Movimento Democrático promete continuar protestos

Thuso Khumalo | bd
6 de julho de 2021

Nas últimas semanas, a repressão policial marcou as manifestações no eSwatini. A Amnistia Internacional relata dezenas de mortos e mais 150 feridos. Mas o movimento pró-democracia promete continuar os protestos.

Barricadas durante protestos no dia 29 de junho, em MbabaneFoto: AFP/Getty Images

Os protestos das últimas semanas foram marcados pela repressão e violência das forças de segurança contra os manifestantes.

Mlungisi Makhanya, líder do Movimento Democrático, afirma que depois de testemunhar a brutalidade policial contra os manifestantes, o grupo decidiu continuar com protestos de rua, apesar da repressão.

Segundo o ativista, o hospital principal de Mbabane amputou 16 pessoas. "Mas também vi cadáveres de pessoas que foram alvejadas, porque o que estes soldados andaram a fazer, estavam a executar pessoas e a despejá-las na morgue mais próxima. Não temos como tirar os corpos da morgue. Consideramos o Rei Mswati como principal responsável por estes massacres contra o nosso povo", acusou Makhanya.

Tensão nas ruas

Desde que começaram os protestos, várias lojas estão fechadas e há pouca movimentação de pessoas nas ruas perante o agravar da tensão social que se vive no terreno.

Mswati III em visista oficial à Rússia (2019)Foto: Dmitry Feoktistov/TASS/picture alliance

Os manifestantes acusam o rei Mswati de nomear apenas os seus camaradas, de promover a corrupção, de silenciar as vozes críticas e também de usar o sistema monárquico como instrumento de opressão.

Maxwell Dlamini, um dos ativistas responsáveis pelos protestos, acusa a monarquia de ostentar uma vida de luxo, enquanto o povo passa fome.

"Neste preciso momento, há escassez de alimentos, temos falta de combustível e as pessoas têm estado em longas filas de espera de combustível, bem como de serviços alimentares, particularmente nas grandes cidades. Nas zonas rurais, estão a ter ainda mais dificuldades, porque não há nada que lhes chegue. Assim, a maioria das pessoas está a tentar ir à África do Sul para obter bens essenciais como alimentos, combustível e outros fornecimentos de que possam necessitar", relata Dlamini.

Alerta da Amnistia Internacional

A Amnistia Internacional denuncia também diversos desaparecimentos, torturas e detenções ilegais, admitindo que o total de mortes pode ser de "dezenas" nas últimas semanas.

As mobilizações tornaram-se especialmente violentas desde a última semana, com saques, incêndios de camiões, campos e prédios e graves confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

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Em resposta, o Governo ordenou um toque de recolher, cortou a internet e colocou o exército nas ruas.

Protestos vão voltar

A situação faz com que muita gente tenha medo de sair à rua para protestar, diz Mcolisi Ngcamphalalal, porta-voz do Partido Comunista da antiga Suazilândia.

"O povo não está a recuar. Já sofreram o suficiente e a motivação para continuarem a luta é a sua má condição de vida, que tem sido orquestrada pelo regime. A ausência temporária de protestos foi forçada pela imposição dos militares, que mataram muitas pessoas e isso não significa necessariamente que tenham recuado, mas que estão num processo de se organizarem melhor para outra investida", afirma.

Devido à grave onda de protestos que o país vive, uma delegação de ministros de países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) está a realizar uma visita ao eSwatini.

O país está sob o comando absoluto de Mswati III desde 1986 e tem pouco mais de um milhão de habitantes, a maioria deles jovens. Em abril de 2018, o próprio monarca decidiu mudar o nome oficial do país, substituindo o nome oficial em inglês da Suazilândia por eSwatini, que na língua local significa "o lugar do suazi" (grupo étnico maioritário). Além da falta de direitos e liberdades no nível político, o país enfrenta altos níveis de pobreza e uma alta prevalência de problemas de saúde como tuberculose e HIV.

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