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Liberdade de imprensaEtiópia

Etiópia reforça controlo sobre a imprensa antes das eleições

Cai Nebe
8 de setembro de 2025

A Etiópia assiste a um aumento de detenções de jornalistas nos últimos meses. Organizações internacionais de media denunciam perseguição. A esperança de mudanças com a entrada de Abiy Ahmed no poder morreram.

Etiópia Addis Abeba 2025 | Imprensa na Etiópia
Foto: Sollomon Muchie/DW

A Etiópia tem assistido a um aumento nas detenções de jornalistas nos últimos meses. Abdulsemed Mohamed, proprietário de uma estação de rádio e comentador económico, desapareceu a 11 de agosto. Yonas Amare, editor sénior do jornal The Reporter, foi "raptado por um grupo de indivíduos mascarados” dois dias depois. Após mais de dez dias desaparecidos, os dois foram libertados. Mas, nem eles, nem as autoridades etíopes, comentaram os desaparecimentos.

À DW, Sadibou Marong, da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), diz que, atualmente, a situação dos jornalistas na Etiópia é "bastante problemática”.

"Podemos considerar que a forma como eles têm sido detidos e mais ou menos mantidos em isolamento mostra como as autoridades na Etiópia podem ir longe na repressão contra os jornalistas. E isto numa altura em que o país se encaminha para eleições”, entende.

Dados do Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) mostram que seis jornalistas etíopes foram detidos em 2024, tendo um deles sido libertado em janeiro de 2025. Em março, foram detidos mais sete jornalistas que trabalhavam para meios de comunicação independentes. Dois deles aguardam julgamento por acusações de incitamento ao ódio.

Os jornalistas têm sido também acusados ​​de promover o terrorismo, divulgar notícias falsas e de conspirar contra o Estado quando reportam sobre conflitos. Em 2023, afirma a organização Repórteres Sem Fronteiras, 15 meios de comunicação estrangeiros foram proibidos no país.

Abiy Ahmed, primeiro-ministro da EtiópiaFoto: Ethiopian PM Office

"Jornalistas que entram na Etiópia são monitorados"

Sadibou Marong, também porta-voz da Associação Etíope de Profissionais da Comunicação Social, acrescenta: "Há um grande grupo de ativistas e jornalistas etíopes a viver noutros países, porque nestes países mais seguros, eles têm a possibilidade de se reinventar. E, na maioria das vezes, este grupo mantém a sua independência e liberdade. É a possibilidade de, a partir do estrangeiro, este grupo influenciar [a opinião pública] que as autoridades tentam bloquear".

Apesar do otimismo inicial relacionado à chegada doprimeiro-ministro Abiy Ahmed ao poder, desde 2018 foram detidos na Etiópia 30 jornalistas.

A caminho de eleições gerais em 2026, não são esperadas melhorias no que toca à liberdade de imprensa no país, acrescenta Marong: "As vozes dissidentes ainda são rastreadas, e os jornalistas que entram na Etiópia também são monitorados".

E Marong denuncia ianda que "há uma tendência geral de controlar a narrativa, de tentar ocupar o espaço cívico com a sua própria narrativa, e que está não seja contrariada por vozes dissidentes, por ativistas ou jornalistas”.

A DW tentou, sem sucesso, contactar o porta-voz do primeiro-ministro e o Gabinete de Comunicação do Governo etíope.

Imprensa em crise na Etiópia

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