1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

EUA e Irão voltam a trocar ameaças

14 de março de 2026

Israel reafirma que guerra vai durar o tempo necessário. EUA ameaçam com ataque a infraestrutura petrolífera de Kharg. Hamas apela a Teerão para cessar ataques contra países vizinhos.

Forças norte-americanas atacaram alvos militares na ilha iraniana de Kharg
Trump garantiu que as forças norte-americanas aniquilaram alvos militares na ilha iraniana de Kharg,  alertando que a infraestrutura petrolífera local pode ser o próximo alvo.Foto: Morteza Nikoubazl/NurPhoto/picture alliance

A guerra no Médio Oriente entrou, este sábado (14.03), na terceira semana com uma escalada de tensão no Golfo, marcada por ataques de drones, interceções de mísseis e movimentações diplomáticas e militares de larga escala. 

Israel anunciou hoje que a guerra contra o Irão está a entrar "numa fase decisiva que continuará enquanto for necessário". 

"Estamos a entrar na fase decisiva do conflito, entre as tentativas do regime [iraniano] de sobreviver, ao mesmo tempo que inflige sofrimentos crescentes ao povo iraniano, e a sua capitulação", afirmou o ministro da Defesa israelita. 

Israel Katz reiterou numa mensagem citada pela agência francesa AFP que "só o povo iraniano" pode pôr fim à situação "através de uma luta determinada" até que o regime "seja derrubado e o Irão seja salvo". 

Guerra está a fazer aumentar os preços de petróleo em todo o mundpFoto: Rene Traut/IMAGO

Ao contrário de Israel, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tem variado as previsões sobre a duração da guerra entre poucas semanas e o recente "está quase terminada", sobretudo desde as consequências do conflito nos preços do petróleo

Esta sexta-feira (13.03), Trump garantiu que as forças norte-americanas aniquilaram alvos militares na ilha iraniana de Kharg,  alertando que a infraestrutura petrolífera local pode ser o próximo alvo. 

"Optei por não destruir as infraestruturas petrolíferas da ilha. No entanto, se o Irão, ou qualquer outro país, fizer alguma coisa para impedir a passagem segura e livre de navios pelo estreito de Ormuz, reconsiderarei imediatamente a minha decisão", escreveu o Presidente norte-americano na sua rede social, a Truth Social.

A pequena ilha do Golfo Pérsico é o principal terminal por onde passam as exportações de petróleo do Irão.

Irão ameaça com novos ataques no Médio Oriente

Em reação, as Forças Armadas de Teerão prometeram "reduzir a cinzas" as instalações petrolíferas e energéticas ligadas aos Estados Unidos (EUA) no Médio Oriente.

Subida do preço do petróleo – oportunidade ou ilusão ?

26:30

This browser does not support the video element.

"Todas as instalações petrolíferas, económicas e energéticas pertencentes a empresas petrolíferas da região que sejam parcialmente controladas pelos Estados Unidos ou que cooperem com os Estados Unidos serão imediatamente destruídas e reduzidas a cinzas", anunciou o porta-voz do quartel-general central de Khatam al-Anbiya, afiliado da Guarda Revolucionária do Irão, citado pela imprensa local. 

Este anúncio, acrescentou o porta-voz militar, é uma "resposta às declarações do presidente agressivo e terrorista dos Estados Unidos".

Hamas faz apelo a Teerão

Também este sábado, o movimento radical palestiniano Hamas pediu ao seu aliado Irão para cessar os ataques contra os países vizinhos do Golfo Pérsico. "O movimento apela aos irmãos no Irão para que não visem os países vizinhos", escreveu o Hamas num comunicado divulgado nas redes sociais citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). 

O Hamas reafirmou também "o direito da República Islâmica do Irão de ripostar a esta agressão por todos os meios disponíveis, de acordo com as normas e o direito internacional". 

Guterres defende solução diplomática

O secretário-geral da ONU defendeu hoje, em Beirute, uma solução para a guerra por vias diplomáticas. António Guterres também apelou à comunidade internacional para que intensifique o compromisso para com o Líbano. 

"A minha mensagem às partes beligerantes é clara: parem os confrontos, parem os bombardeamentos, não há solução militar. Apenas diplomacia, diálogo e a aplicação integral da Carta das Nações Unidas e das resoluções do Conselho de Segurança", afirmou.

Guterres chegou a Beirute na sexta-feira para uma visita de solidariedade ao povo libanês, que disse ter sido arrastado para uma guerra sem o desejar. 

Até esta sexta-feira, a guerra já tinha causado mais de dois mil mortos, incluindo 1.444 no Irão e 687 no Líbano, de acordo com dados oficiais citados pela televisão Al-Jazeera do Qatar. 

Causou também perturbações graves nos mercados internacionais de petróleo devido ao bloqueio pelo Irão do estreito de Ormuz, por onde circula mais de 20% da produção mundial. 

Os Estados Unidos anunciaram, entretanto, o destacamento de cerca de 2.500 fuzileiros navais e três navios adicionais para a região, incluindo o navio de assalto "Tripoli", para reforçar a presença militar norte-americana no Médio Oriente.

O preço do barril de crude atingiu os valores mais elevados desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, tendo ultrapassado novamente a barreira psicológica dos 100 dólares, o que fez recear uma crise económica global.

Médio Oriente: Porque preços dos combustíveis estão a subir?

03:59

This browser does not support the video element.

Saltar a secção Mais sobre este tema