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EUA pressionam Kiev a fazer concessões territoriais à Rússia

11 de dezembro de 2025

Os EUA querem que a Ucrânia se retire de partes de Donetsk para criar uma "zona económica livre" e continuam a pressionar Kiev para fazer grandes concessões territoriais à Rússia para pôr fim à guerra, anunciou Zelensky.

Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia
Volodymyr Zelensky disse que qualquer concessão territorial terá de ser submetida a votação na UcrâniaFoto: Tetiana Dzhafarova/AFP

Washington quer que a Ucrânia retire as suas tropas de partes da região de Donetsk, onde seria instalada uma "zona económica livre" desmilitarizada como tampão entre os dois exércitos, disse hoje Volodymyr Zelensky numa conferência de imprensa.

Segundo o mais recente plano dos EUA, Moscovo também permaneceria onde está no sul do país, mas retiraria algumas tropas das regiões ucranianas que o Presidente russo, Vladimir Putin, não reivindicou como anexadas no norte.

As declarações de Zelensky parecem mostrar que pouco mudou na posição central de Washington sobre como o conflito deve terminar, desde que enviou um plano de 28 pontos a Kiev e Moscovo no mês passado, que favorecia fortemente a Rússia.

A Ucrânia tem vindo a rever esse plano e esta semana enviou uma contraproposta de 20 pontos a Washington, cujos detalhes completos não foram publicados.

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"Temos dois pontos-chave de divergência: os territórios de Donetsk e tudo o que lhes está relacionado, e a Central Nuclear de Zaporizhzhia. Estes são os dois tópicos que continuamos a discutir”, disse Zelensky.

O líder ucraniano tem repetido que não tem direito "constitucional” nem "moral” para ceder território ucraniano, e afirmou que os cidadãos devem ter a palavra final sobre esta questão. "Acredito que o povo da Ucrânia responderá a esta questão. Seja através de eleições ou de um referendo, tem de haver uma posição do povo ucraniano”, declarou.

"Muitas questões em aberto"

Zelensky também rejeitou a ideia de uma retirada unilateral da Ucrânia na região de Donetsk. "Porque é que o outro lado da guerra não recua a mesma distância na direção oposta?”, questionou, acrescentando que ainda há "muitas questões" por resolver.

De acordo com o plano dos EUA, a Rússia abandonaria território que capturou nas regiões de Kharkiv, Sumy e Dnipropetrovsk - três áreas sobre as quais Moscovo não fez uma reivindicação territorial formal.

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Em 2022, a Rússia afirmou ter anexado formalmente as regiões de Donetsk, Kherson, Lugansk e Zaporizhzhia, apesar de não ter controlo total sobre elas.

A Rússia, que tem vantagem numérica em homens e armas, tem avançado lentamente no campo de batalha e anunciou esta quinta-feira ter capturado a cidade de Siversk, na região de Donetsk, segundo a AFP.

Exército ucraniano com 800 mil soldados

O Presidente da Ucrânia também informou que o limite para o Exército ucraniano, estabelecido nos rascunhos que circulam do plano de paz promovido por Trump, foi fixado em 800 mil soldados.

"Havia números diferentes nos documentos", afirmou, recordando que, em 2022, os russos queriam um limite de 40 mil ou 50 mil soldados. "Hoje, o documento contém o tamanho real do Exército atual e isso foi acordado com o Exército: 800 mil soldados. Acredito que, hoje, este ponto esteja praticamente fechado", disse Zelensky.

A Rússia tem exigido limitar as capacidades e o número de efetivos do Exército ucraniano no pós-guerra como uma de suas condições para pôr fim ao conflito.

No plano inicial apresentado pelos Estados Unidos, o limite estabelecido era de 600 mil soldados, mas ucranianos e europeus conseguiram alterar esse e outros pontos do documento nas sucessivas reuniões mantidas durante as últimas semanas.

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