1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Falta de garantias bancárias agrava crise de combustível

23 de abril de 2026

Crescem as filas nos postos de abastecimento em Moçambique. O Governo nega escassez de combustível, mas o Centro de Integridade Pública (CIP) aponta a falta de garantias bancárias como uma das causas do problema.

Bandeira de Moçambique na tampa do depósito de combustível de um automóvel
Há filas intermináveis nos postos de abastecimento, com relatos de falta de combustivel mesmo a preços inflacionadosFoto: AKlion/Depositphotos/IMAGO

No final de março, o Presidente Daniel Chapo tranquilizou Moçambique ao anunciar que não haveria "razão para alarme". Duas semanas depois, o chefe de Estado avisou que, afinal, era possível que o país viesse a enfrentar "uma crise de combustíveis".

Desde então, acumulam-se filas intermináveis em postos de abastecimento, com relatos de falta de combustivel mesmo a preços inflacionados. Entretanto, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia desmentiu a escassez e tem fiscalizado a distribuição do mesmo.

Em entrevista à DW, Ivan Maússe, investigador do Centro de Integridade Pública (CIP), alerta para a falta de garantias bancárias como um dos fatores para a falta de combustível à venda para o consumidor.

DW África: Como avalia a atual crise de combustíveis em Moçambique?

Ivan Maússe (IM): É importante que Moçambique também comece a pensar em ter alternativas, por exemplo, ligadas às ditas energias renováveis, para que não continue a depender excessivamente do combustível, sobretudo do combustível que é importado.

Ivan Maússe: "É importante que Moçambique também comece a pensar em ter alternativas"Foto: privat

DW África: A 29 de março, Daniel Chapo disse ao povo moçambicano que não haveria razão para alarme. Duas semanas depois, o Presidente da República avisou que afinal era possível o país enfrentar uma crise de combustíveis. Acha que o Governo não se preparou para o evento que está a abalar todo o mundo ou relaxou e acreditou que a guerra terminaria mais cedo do que o previsto?

IM: Não posso aqui dizer que o Governo de Moçambique tenha relaxado, porque conforme nós bem dissemos, existe combustível, pelo menos de acordo com a informação que vem sendo vinculada, de que há combustível a chegar no Porto da Matola. Então, num contexto em que temos essa informação de combustível a chegar no Porto da Matola, é um pouco perigoso dizer que o Governo moçambicano relaxou.

Caos em Maputo: Falta combustível nas bombas

01:01

This browser does not support the video element.

Talvez agora que sabemos que é possível que haja ruptura de stocks nos próximos tempos, Moçambique comece a pensar em ter reservas cada vez mais prolongadas para que mesmo em situação de crise não tenha em dois, três meses ter escassez de combustível, sendo a principal fonte que tem alimentado a indústria moçambicana.

DW África: O Ministério dos Recursos Minerais e Energia desmentiu que o país tenha falta de combustível para abastecer o mercado. Acredita que há possibilidade de desvios de combustível por parte dos comerciantes ou até mesmo dos distribuidores com o interesse que o preço suba mais depressa?

IM: Existe combustível, mas o certo é que há uma informação segundo a qual neste momento os operadores de combustível ou que se dedicam à distribuição e comercialização de combustível, enfrentam problemas muito graves em termos de terem garantias bancárias. Sabemos que o negócio de combustíveis movimenta somas muito elevadas em termos de dinheiro e que por vezes pela falta de garantias bancárias pode não permitir que as gasolineiras tenham combustível a tempo e horas, sobretudo as gasolineiras de pequeno porte.

Radar DW: Crise de combustível fora de controlo em Maputo?

30:13

This browser does not support the video element.

DW África: Lembrar ainda que no passado dia 16 o mesmo Ministério aprovou medidas para garantir o abastecimento que não parecem estar a surtir efeito. Que medidas é que o Governo pode tomar para desanuviar o bolso e a vida do cidadão moçambicano nos próximos tempos?

IM: É importante que o processo de fiscalização que já está a ser feito em Moçambique desde a semana passada, pelo menos de acordo com a informação que nos foi passada pela Autoridade Reguladora de Energia, mas sobretudo através do Ministério dos Recursos Minerais de Energia, continue a ser feito de forma efetiva, porque só assim vai se garantir com que as bombas ou as gasolineiras que têm combustível disponível, mas que por razões que pouco pensamos não queira fazer chegar ao consumidor, tenham de comercializar esse combustível, evitando com que haja situações de escassez quando é um combustível que existe.

 

Saltar a secção Mais sobre este tema