A ministra da Defesa francesa, Florence Parly, assinalou nesta quinta-feira (01.04), em Bamaco, no Mali, a "determinação" de França e seus parceiros em "continuar a luta contra o terrorismo".
A ministra da Defesa francesa, Florence Parly.Foto: picture alliance/dpa/M. Blinov
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"Partilhamos a nossa determinação em continuar a luta contra o terrorismo", afirmou a ministra francesa Florence Parly, depois de uma reunião com alguns dos líderes europeus, tendo sido citada pela agência France-Presse.
Parly e os seus homólogos de Estónia, Kalle Laanet, e República Checa, Lubomir Metnar, mantiveram conversações com o Presidente da transição do Mali, Bah Ndaw, dois dias após um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) ter afirmado que 19 civis morreram devido a um ataque aéreo da força francesa Barkhane, algo que Paris já tinha negado.
O Presidente da transição do Mali, Bah Ndaw.Foto: Amadou Keita/Reuters
Os três ministros declararam a "plena capacidade operacional" do grupo de trabalho militar europeu Takuba, liderado pela França, que aconselha, assiste e acompanha as Forças Armadas do Mali, em coordenação com os parceiros do G5-Sahel e outros atores internacionais no terreno.
Parceiros europeus
Paris diz contar fortemente com este "laboratório de integração dos parceiros europeus em combate" para partilhar o peso da luta contra os 'jihadistas' ligados a grupos como a Al-Qaida ou o movimento terrorista Estado Islâmico (EI).
Na terça-feira (30.03), uma investigação da missão das Nações Unidas no Mali (MINUSMA) afirmou que um ataque aéreo conduzido pela força Barkhane em 03 de janeiro matou 19 civis durante um casamento.
A ministra da Defesa francesa refutou, tal como o seu departamento o tinha feito antes, as acusações, afirmando que as "Forças Armadas francesas realizaram um ataque aéreo contra um grupo terrorista armado identificado como tal".
"Há também uma guerra no campo da informação, e o nosso inimigo (...) está a explorar todas as polémicas possíveis", disse a ministra. "Não posso admitir que a honra dos nossos soldados possa ser manchada desta forma", acrescentou.
Soldado francês no Mali (foto de arquivo).Foto: Getty Images/AFP/J. Saget
Sete organizações de defesa dos direitos humanos de França e Mali exortaram nesta quinta-feira (01.04) os dois países a realizarem uma investigação independente e transparente.
"Parece-me que a investigação realizada pelas Nações é independente", respondeu Parly, que lamentou que a opinião das autoridades de França não tenha sido tida em conta.
"Transmitiremos todas as nossas observações e comentários ao departamento competente da ONU", assinalou a ministra francesa.
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Investigação
Uma investigação realizada pela divisão dos Direitos Humanos da MINUSMA, apoiada por uma equipa forense das Nações Unidas, aos acontecimentos de 03 de janeiro, próximos de Bounti, no centro do país, confirmou pela "realização de uma celebração de casamento que reuniu no local do ataque cerca de 100 civis, entre os quais cinco pessoas armadas que se presumiam ser membros da Katiba Serma".
Missão da MINUSMA no Mali (foto de arquivo).Foto: picture-alliance/dpa/Le Pictorium/N. Remene
A Katiba Serma é afiliada ao Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (GSIM, em francês), uma aliança 'jihadista' que, por sua vez, é afiliada do grupo Al-Qaida.
Pelo menos 22 pessoas foram mortas durante o ataque aéreo, incluindo três dos alegados membros do Katiba Serma, com o documento a afirmar que 19 morreram no local e três durante a evacuação.
França está presente na região do Sahel através da força Barkhane, que inclui tropas destacadas no solo, mas também uma importante componente aérea, com três veículos aéreos não-tripulados ('drones') Reaper, sete aviões de caça e 20 helicópteros, segundo os dados mais recentes do Estado-Maior francês.
A força francesa conta com 5.100 operacionais e opera principalmente no Mali e nos seus vizinhos da região do Sahel, como o Níger, contra grupos 'jihadistas'. A operação Barkhane teve início em 2014, em substituição da Serval, lançada no ano anterior.
Terrorismo em Cabo Delgado: As marcas da destruição e a crise humanitária
Edifícios vandalizados, presença de militares nas ruas e promessas de soluções por parte de políticos contrastam com a tentativa das populações de levar a vida adiante.
Foto: Roberto Paquete/DW
Infraestruturas vandalizadas
O conflito armado em Cabo Delgado deixou um número de infraestruturas destruídas na província nortenha de Moçambique. Em Macomia, os insurgentes não pouparam nem a Direção Nacional de Identificação Civil. Os danos no prédio do órgão deixaram milhares de pessoas sem documentos. E carro da polícia incendiado.
Foto: Roberto Paquete/DW
Feridas abertas até na sede da Polícia
O edifício da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Macomia ainda carrega as marcas de um ataque em 2020. O tanzaniano Abu Yasir Hassan – também conhecido como Yasser Hassan e Abur Qasim - é reconhecido pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e pelo Governo moçambicano como líder do Estado Islâmico em Cabo Delgado. Não está claro se o grupo é responsável pelos ataques na província.
Foto: Roberto Paquete/DW
"Eliminar todo o tipo de ameaça"
Joaquim Rivas Mangrasse (à esquerda) foi empossado chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas a 16 e março. "É missão das Forças Armadas eliminar todo o tipo de ameaça à nossa soberania, incluindo o terrorismo e os seus mentores, que não devem ter sossego e devem se arrepender de ter ousado atacar Moçambique", declarou o Presidente Filipe Nyusi (centro) na cerimónia de posse, em Maputo.
Foto: Roberto Paquete/DW
Missões constantes para conter os terroristas
Soldados das Forças Armadas de Defesa de Moçambique preparam-se para mais uma missão contra terroristas em Palma. A vila foi alvo de ataques, esta quarta-feira (24.03), segundo fontes ouvidas pela agência Lusa e segundo a imprensa moçambicana. Neste mesmo dia, as autoridades moçambicanas e a petrolífera Total anunciaram, para abril, o retorno das obras do projeto de gás, suspensas desde dezembro.
Foto: Roberto Paquete/DW
Defender o gás natural da península de Afungi
A península de Afungi, distrito de Palma, foi designada como área de segurança especial pelo Governo de Moçambique para proteger o projeto de exploração de gás da Total. O controlo é feito pelas forças de segurança designadas pelos ministérios da Defesa e do Interior. Esta quinta-feira (25.03), o Ministério da Defesa confirmou o ataque junto ao projeto de gás, na quarta-feira (24.03).
Foto: Roberto Paquete/DW
Proteger os deslocados
Soldados das FADM protegem um campo para os desolocados internos na vila de Palma. A violência armada está a provocar uma crise humanitária que já resultou em quase 700 mil deslocados e mais de duas mil mortes.
Foto: Roberto Paquete/DW
Apoiar os deslocados
De acordo com as agências humanitárias, mais de 90% dos deslocados estão hospedados "com familiares e amigos". Muitos refugiaram-se em Palma. Com as estradas bloqueadas pelos insurgentes em fevereiro e março deste ano, faltaram alimentos. A ajuda chegou de navio.
Foto: Roberto Paquete/DW
Defender a própria comunidade
Soldados das Forças Armadas de Defesa de Moçambqiue estão presentes também no distrito de Mueda. Entretanto, cansados de sofrer nas mãos dos teroristas, antigos militares decidiram proteger eles mesmos a sua comunidade e formaram uma milícia chamada "força local".
Foto: Roberto Paquete/DW
Levar a vida adiante
No mercado no centro da vida de Palma, a população tenta seguir com a vida normal quando a situação está calma. Apesar da ameaça constante imposta pela possibilidade de um novo ataque, quando "a poeira abaixa", a normalidade parece regressar pelo menos momentaneamente...
Foto: Roberto Paquete/DW
Aprender a ter esperança com as crianças
Apesar de todo o caos que se instalou um pouco por todo o lado em Cabo Delgado, a esperança por um vida normal continua entre as poulações. Na imagem, crianças de famílias deslocadas que deixaram as suas casas, fugindo dos terroristas, e foram para a cidade de Pemba. Vivem no bairro de Paquitequete e sonham com um futuro próspero, sem ter de depender da ajuda humanitária e longe da violência.