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PolíticaFrança

França reconhece formalmente o Estado da Palestina

ad | Lusa | com agências
23 de setembro de 2025

Enquanto os líderes mundiais se reúnem na ONU, a França tornou-se um dos mais recentes países a reconhecer o Estado palestiniano. Paris e Arábia Saudita lideram os esforços para reativar a solução de dois Estados.

Emmanuel Macron discursa na cimeira da ONU sobre a Palestina em Nova Iorque
Emmanuel Macron: Chegou a hora da paz porque estamos a poucos instantes de não a podermos alcançar"Foto: Angela Weiss/AFP

155 dos 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) já anunciaram, formalmente, o reconhecimento do Estado da Palestina. 

Emmanuel Macron, Presidente francês, discursou na abertura na conferência de alto nível sobre a solução dos dois Estados, que decorreu esta segunda-feira (22.09) em Nova Iorque. "Fiel ao compromisso histórico do meu país no Médio Oriente com a paz entre os povos israelita e palestiniano, declaro que a França reconhece hoje o Estado da Palestina", anunciou.

Macron apelou à paz entre israelitas e palestinianos, num discurso aplaudido de pé pela delegação palestiniana junto da ONU e marcado pela ausência de representantes de Israel: "Chegou a hora de libertar os 48 reféns detidos pelo Hamas. Chegou a hora de parar a guerra, os bombardeamentos em Gaza, os massacres e a fuga da população."

"Chegou a hora porque a urgência está em todo o lado. Chegou a hora da paz porque estamos a poucos instantes de não a podermos alcançar. É por isso que estamos aqui hoje. Alguns dirão que é tarde demais, outros dirão que é cedo demais. Uma coisa é certa: não podemos esperar mais", sublinhou Macron.

"Hamas deve entregar as armas"

Quem também não esteve presencialmente foi o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, isto porque as autoridades norte-americanas lhe recusaram visto para viajar para os EUA.

No entanto, Abbas participou de forma virtual e foi através de video que, perante a ONU, pediu a rendição do Hamas e comprometeu-se om a realização de eleições presidenciais na Palestina "um ano após o fim da guerra" atual de Israel contra a Faixa de Gaza, que serão seguidas por uma nova Constituição provisória.

"O Hamas não terá qualquer papel na governação (de Gaza). O Hamas e outras facções devem entregar as suas armas à Autoridade Palestiniana. Queremos um Estado unificado sem armas, um Estado governado por uma única lei e uma única força de segurança legítima. Reiteramos a nossa condenação dos crimes da ocupação. Condenamos também o assassinato e a detenção de civis, incluindo as ações do Hamas em 7 de outubro de 2023", declarou.

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Quem garantirá que o Hamas não faça parte de Gaza?

A resposta a este novo apelo foi dado ainda antes do arranque da conferência da ONU. O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, classificou como "um teatro" a conferência internacional pela solução dos dois Estados  e argumentou que "não mudará a vida dos palestinianos no terreno".

"Sabemos que esta conferência surgiu de interesses internos. Não é diplomacia. Quando o Hamas elogia esta conferência e a chama de fruto do dia 7 de outubro, sabemos que é um problema. Se uma organização terrorista está a apoiar o que está a acontecer aqui, é vergonhoso. Muitos líderes falarão hoje sobre o futuro, quando o Hamas não fará parte de Gaza. Mas eu lhes perguntarei: Quem fará isso? Quem garantirá que o Hamas não faça parte de Gaza?"

UE vai criar "grupo de doadores" para a Palestina

A União Europeia (UE) vai criar um "grupo de doadores" para a Palestina e um "instrumento específico para a reconstrução de Gaza", anunciou  a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defendeu, inclusive, a adesão plena de um Estado palestiniano à ONU, onde os palestinianos tenham o estatuto de observadores.

A guerra perdura desde 7 de outubro de 2023. Desde o ataque do Hamas, que causou 1.219 mortos em Israel, na maioria civis, ao longo destes quase dois anos, já morreram mais de 65 mil pessoas em Gaza, com a ofensiva militar israelita em curso.

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Antes de se pensar em donativos ou inclusões, o momento da paz chegou, como disse António Costa, presidente do Conselho Europeu. "Não há lugar para o Hamas, para o terrorismo; não há lugar para colonatos ilegais, não há lugar para a morte de civis inocentes – em lado nenhum, nem em Gaza, nem na Cisjordânia, nem em Jerusalém Oriental, nem em Israel. Só há um caminho a seguir e esse é a solução de dois Estados. O Estado de Israel: seguro e reconhecido por todos os membros desta Assembleia Geral. E o Estado da Palestina: democrático, independente, viável", disse Costa.

Apesar destes apelos, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que se opõe à criação de um Estado palestiniano, ameaçou tomar medidas unilaterais em resposta, possivelmente incluindo a anexação de partes da Cisjordânia.

 

Lusa Agência de notícias