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PolíticaAlemanha

Guerra na Ucrânia domina Conferência de Segurança de Munique

William Glucroft
16 de fevereiro de 2023

Além da invasão russa da Ucrânia, a conferência de segurança global que decorre entre sexta-feira e sábado, na cidade alemã de Munique, também estarão em análise as crispações diplomáticas entre EUA e China.

Foto: Kostiantyn Liberov/AP Photo/picture alliance

Entre esta sexta-feira (17.02) e sábado (18.02), decorre em Munique, na Alemanha, a conferência de segurança global, um evento que coloca frente-a-frente líderes mundiais para discutir as ameaças da segurança mundial. 

O encontro deste ano acontece uma semana antes de se assinalar um ano da invasão russa à Ucrânia. Este será um dos principais temas que vão marcar as discussões, além das crispações diplomáticas entre os Estados Unidos e a China, depois do Pentágono ter acusado Pequim de espionagem.

O que originou a invasão da Rússia à Ucrânia? Porque é que muitos Estados hesitam em apoiar a Ucrânia e condenar a Rússia? E que lições se aplicam às crescentes tensões entre os Estados Unidos e a China na região Indo-Pacífico?

Estas serão algumas das questões que deverão ser colocadas em cima da mesa na Conferencia de Segurança de Munique, considera Christoph Heusgen, o presidente do evento, que defende mais diálogo resolver os conflitos.

Conferência de segurança global em Munique coloca frente-a-frente líderes mundiais Foto: Tobias Hase/dpa/picture alliance

Ocidente junta sinergias

No entanto, a Conferência de Munique poderá ser um espaço para os países ocidentais juntarem sinergias para apoiar militar e economicamente à Ucrânia, mas também para tentar convencer outros estados a condenar a Rússia pela guerra.

A especialista em Relações Internacionais Liana Fix explica porque é que há ainda muitos países que se abstêm em condenar a invasão russa a Ucrânia: "Isto não se baseia no sentimento pró-russo, é antes uma espécie de mentalidade anti-ocidental".

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Por seu turno, o analista de segurança indiano Gaurav Sharma, atualmente na Academia de Assuntos Internacionais em Bona, fala num jogo de interesses. "Podemos não estar realmente a apoiar, digamos, as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, mas isso não significa que apoiemos a Rússia. Quando as pessoas se abstêm, é pensado como apoio indireto. Mas não é bem assim", diz.

Desde que a guerra na Ucrânia começou a 24 de fevereiro, o ocidente uniu-se para sancionar a Rússia. Mas vários países africanos e sul-americanos mantêm-se neutros. E como se explica esta neutralidade?

Liana Fix responde: "O reequilíbrio da relação económica é provavelmente algo que eventualmente esteja a imperar mais nestas posições do que apenas iniciativas diplomáticas”.

Armas nucleares russas

Nos últimos tempos, devido ao forte apoio ocidental com armamentos à Ucrânia, a Rússia ameaça recorrer ao arsenal nuclear a seu dispor.

Face a esta ameaça, o vice-primeiro ministro japonês, Mori Takeo considera a ameaça séria: "É absolutamente inaceitável. A Rússia nunca deverá utilizar armas nucleares em circunstância alguma. É importante continuar a apoiar fortemente a Ucrânia e continuar a impor sanções severas contra a Rússia."

Já a secretária de Estado Adjunta dos EUA, Wendy Sherman, insta a Rússia a abandonar o seu programa de armas nucleares "e a cumprir as suas obrigações nos termos das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas."

Secretário de Estado norte-americano Antony Blinken viaja hoje para a Alemanha para participar na conferência de segurança de Munique e segue depois para a TurquiaFoto: J. Scott Applewhite/AP/picture alliance

Diálogo entre EUA e China?

A Conferência de Segurança de Munique deste ano vai colocar cara-a-cara suas superpotências, Estados Unidos e China, que estão desavindas devido à acusações de espionagem.

Os chefes da diplomacia dos dois países, Antony Blinken e Wang Yi, pela primeira vez poderão conversar diretamente sobre o suposto balão espião chinês abatido há dias pelo Pentágono.

Do momento, ainda não está claro, se os dois diplomatas terão uma reunião a sós para falar da crise diplomática entre os dois países. Mas a secretária de Estado adjunta dos EUA Wendy Sherman, garante: "Estamos abertos ao diálogo quando é do nosso interesse fazê-lo e acreditamos que as condições estão certas."

Na segunda-feira, a China disse ter detetado balões norte-americanos de alta altitude sobrevoando o seu espaço aéreo sem autorização mais de 10 vezes desde o início de 2022.

Reagindo a esta acusação, Wendy Sherman garantiu que "não há balões do governo dos EUA sobre a República Popular da China, nenhum, zero, ponto final".

No entanto, a questão da suposta espionagem chinesa em todo mundo, segundo denunciam os EUA é condenada pelo vice-primeiro ministro sul-coreano, Cho Hyundong. "A violação da soberania territorial de outro país nunca poderá ser tolerada", sublinha.

"Devem ser tomadas  medidas necessárias de acordo com o direito internacional, esta é a nossa posição clara sobre esta questão. E esperamos também que haja alguma oportunidade para um diálogo de alto nível com a China e que nos sentemos juntos sobre esta questão", conlui Hyundong.

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