Guerra pressiona energia e divide líderes da União Europeia
20 de março de 2026
O Conselho Europeu reuniu-se ontem, em Bruxelas, para discutir como a União Europeia pode conter os impactos da escalada militar no Médio Oriente dados os elevados preços da energia.
No final do primeiro dia da cimeira, os chefes de Estado e de Governo dos 27 pediram uma moratória sobre ataques contra infraestruturas de energia e água no Médio Oriente e apelaram à reabertura do Estreito de Ormuz.
O Irão intensificou os ataques a instalações de petróleo e gás na região do Golfo nesta quinta-feira, em retaliação a um ataque israelita a um importante campo de gás iraniano.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu "riscos futuros” para o fornecimento energético à UE, que "não está imune” à escalada de preços.
"O impacto mais imediato da guerra na Europa é no setor energético. Neste momento, a segurança física do abastecimento da União Europeia está garantida. No entanto, a Europa não está imune aos picos de preços a nível global e, à medida que o conflito se prolonga, os preços da energia continuam a flutuar. Por isso, para minimizar o impacto, temos de agir", disse.
A responsável anunciou, entre outros pontos, maior flexibilidade nos apoios estatais para compensar o aumento dos custos da energia, bem como medidas para reduzir os encargos das redes elétricas.
Está também prevista uma reforma da fiscalidade, com o objetivo de baixar os impostos sobre a eletricidade e garantir que seja menos tributada do que os combustíveis fósseis.
Bloqueio da Hungria
Na cimeira foi ainda debatido, esta quinta-feira, o empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia, aprovado em dezembro. O empréstimo tem sido travado pela Hungria e ontem o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, recusou levantar o bloqueio, mantendo-se o impasse.
A Hungria acusar Kiev de estar a bloquear propositadamente a transferência de petróleo para o seu país através do oleoduto de Druzhba.
Referindo-se ao bloqueio húngaro, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, sublinhou que "ninguém pode chantagear” as instituições da União Europeia, assegurando que o apoio europeu à Ucrânia continua inabalável…
"É totalmente inaceitável o que a Hungria está a fazer. E este comportamento não pode ser aceite pelos líderes. E é por isso que os líderes foram muito claros hoje no Conselho, condenando claramente o comportamento da Hungria nesta matéria", acrescentou.
Também o chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou a posição da Hungria como um "ato de grave deslealdade", sem precedentes.
Apesar da resistência húngara, Ursula von der Leyen reiterou que a UE vai "cumprir, de uma forma ou de outra” com o empréstimo à Ucrânia.