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Guiné-Bissau: Movimento pede regresso de Sissoco ao poder

4 de dezembro de 2025

Grupo de guineenses lança movimento para exigir regresso de Umaro Sissoco Embaló, destituído pelos militares. Líder Tanunde Keita pede calma e diz que o grupo seguirá com o “eterno Presidente”.

Umaro Sissoco Embaló
Umaro Sissoco Embaló, destituído pelos militares em 26 de novembro, está fora do país desde o golpe, passou por Dacar e Brazzaville, enquanto apoiantes em Bissau lançam um movimento a exigir o seu regresso.Foto: Yonhap/YONHAPNEWS AGENCY/picture alliance

Um grupo de guineenses lançou uma iniciativa para garantir o regresso de Umaro Sissoco Embaló, Presidente destituído por militares em 26 de novembro, anunciou o líder do movimento, Tanunde Keita.

Coordenador dos movimentos sociais que apoiaram a candidatura de Embaló à reeleição nas presidenciais de 23 de novembro, Keita lidera agora a iniciativa "general Umaro Sissoco Embaló riba no ndianta pa kabanta kumpu terra" (general Umaro Sissoco Embaló volta para continuarmos a construir o país).

O grupo apresentou-se na quarta-feira, em Bissau, numa conferência de imprensa transmitida pelas redes sociais e, na ocasião, Tanunde Keita exortou os seus membros a absterem-se de atos de violência.

O coordenador da iniciativa criticou o que considera de "incentivo à violência" por parte de "ativistas das redes sociais residentes na Europa".

"Quem apela à violência nas redes sociais, estando na Europa, que venha para cá para ver se o país não tem autoridade", desafiou Tanunde Keita, reafirmando que a sua iniciativa pretende "andar do lado de quem quer construir a Guiné-Bissau".

O ativista disse que o grupo que promove a iniciativa "sabe que não será fácil", mas vai continuar a considerar Umaro Sissoco Embaló o "eterno Presidente" da Guiné-Bissau.

"Sissoco deve exigir resultados eleitorais"

41:47

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Sissoco fora do país

Depois de destituído, Sissoco Embaló saiu de Bissau, em 28 de novembro, para Dacar, no Senegal. Dias depois, deixou aquele país e foi para Brazzaville, no Congo. Nas últimas horas está a ser veiculada nas redes sociais a informação de que viajou, na quarta-feira, para Marrocos.

Um Alto Comando Militar tomou o poder na Guiné-Bissau a 26 de novembro, três dias depois das eleições gerais e presidenciais, e um dia antes da data anunciada pela Comissão Nacional de Eleições para a divulgação dos resultados oficiais.

As eleições gerais, presidenciais e legislativas decorreram sem incidentes e, um dia depois,Fernando Dias, o candidato da oposição, apoiado pelo histórico partido PAIGC, excluído das eleições, reclamou vitória na primeira volta sobre Embaló.

Golpe de Estado

Um tiroteio em Bissau antecedeu atomada de poder pelos militares, que nomearam o general Horta Inta-A Presidente de transição. Este, nomeou como primeiro-ministro e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, antigo ministro de Embaló.

No sábado, foi empossado um novo Governo de transição, com nomes do executivo deposto e cinco militares entre os 23 ministros e cinco secretários de Estado.

No golpe, o líder do PAIGC, Simões Pereira, foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.

Uma delegação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) reuniu-se, na segunda-feira, com as novas autoridades, em Bissau, e, no final do encontro, foi anunciado que os resultados dos contactos serão apresentados à Cimeira de Chefes de Estado e do Governo daquela organização, a 14 de dezembro, onde será analisada a situação da Guiné-Bissau.

A Comissão Nacional de Eleições informou, entretanto, que não tem condições para anunciar os resultados por, alegadamente, as atas eleitorais e outro equipamento terem sido confiscados e vandalizado por homens armados

A Guiné-Bissau está suspensa da CEDEAO, assim como de outra organização regional, a União Africana.

Militares assumem o poder na Guiné-Bissau

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