Na ONU, Guiné-Bissau defende eleições livres
26 de setembro de 2026
Na sua intervenção na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro-ministro de transição da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, destacou a realização de eleições, o 53.º aniversário da independência do país, celebrada a 24 de setembro, e apresentou à comunidade internacional as prioridades diplomáticas e os passos rumo à normalidade constitucional.
"Eleições livres e credíveis"
"O executivo está totalmente empenhado em assegurar que o escrutínio de 06 de dezembro decorra de forma inclusiva, livre, transparente e credível", afirmou o chefe do Governo de transição saído do golpe de Estado militar de novembro de 2025.
Vieira Té recordou que o país vive neste momento um período de transição decorrente da "interrupção da ordem constitucional" em 26 de novembro passado e enalteceu a adoção de uma nova Constituição da República, submetida a um referendo popularno passado mês de agosto.
Para o primeiro-ministro, a adoção de uma nova Lei Magna do país constitui uma "etapa crucial" no processo de retorno à ordem constitucional, no qual, disse, a Guiné-Bissau conta e agradece "o acompanhamento contínuo" da CEDEAO (Comunidade Económica de Estados da África Ocidental), da União Africana e "dos demais parceiros internacionais".
Críticas da oposição
Por outro lado, partidos da oposição guineense frisaram esta semana que não há condições para a realização do pleito. Ouvido pela DW, o porta-voz do Partido de Renovação Social (PRS), Paulo Baptista, admitiu um novo boicote da população ao pleito, como aconteceu no referendo à Constituição.
"Acho uma encenação" o bloqueio aos partidos, que não dispõem de condições para participar nas próximas eleições na Guiné-Bissau, disse o porta-voz do PRS.
Também Muniro Conté, porta-voz do PAIGC, afirma que a participação do partido nas próximas eleições gerais dependerá dos mecanismos que serão colocados à disposição dos partidos políticos para que elas aconteçam de forma livre e transparente.
“Se for nos mesmos moldes do referendo sem a participação dos partidos políticos, da sociedade civil e sem a observação da comunidade internacional, não vale a pena fazermos figura decorativa nestas eleições”, afirmou.
Candidatura ao Conselho de Segurança da ONU
Ainda em Nova Iorque, Vieira Té aproveitou para anunciar a candidatura da Guiné-Bissau a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2028--2029, subordinada ao lema "Prevenção. Cooperação. Paz". E sublinhou a urgência de uma reforma na governação global, argumentando que África continua "insuficientemente representada" nas instâncias de decisão internacional sobre paz e segurança.
O dirigente guineense defendeu ainda o reforço da "diplomacia preventiva", o combate ao crime organizado transnacional e às alterações climáticas, bem como o levantamento do embargo económico contra Cuba e o apoio ao processo político no Saara Ocidental.