Bissau: Oposição aberta a diálogo e alternativas às eleições
28 de fevereiro de 2026
O documento, divulgado nas redes sociais pelos autores, propõe uma saída para a crise política que se instalou na Guiné-Bissau com o golpe de Estado militar de 26 de novembro de 2025 e que interrompeu o processo eleitoral que estava em curso.
As negociações agora propostas pela oposição teriam como finalidade, entre outros, o restabelecimento da ordem constitucional e a avaliação de outras alternativas à publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais de 23 de novembro de 2025.
No manifesto, a Plataforma Aliança Inclusiva (PAI-Terra Ranka) liderada pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e a Aliança Patriótica Inclusiva (API- Cabas Garandi) dirigem “um apelo solene” ao general Horta Inta-a, Presidente de transição, para o “dialogo fraternal e patriótico”.
O diálogo, referem as duas plataformas, serviria para encontrar “vias respeitosas para a saída desta crise institucional e democrática” no país.
É a primeira vez que as duas plataformas políticas da oposição, que reclamam a vitória do seu candidato nas presidenciais interrompidas pelo golpe de Estado, reconhecem publicamente a existência do autodenominado Alto Comando Militar que protagonizou o golpe.
“Este Manifesto Político Nacional é um apelo profundo e sustentado à consciência patriótica (…) interpelamos todos os guineenses, civis e militares, para que se mobilizem, não para vingar o passado, mas para construir o futuro! Temos de construir pontes para o diálogo franco, responsável e patriótico entre filhos e filhas da Guiné-Bissau”, lê-se no documento.
As conversações com os militares, segundo a proposta, juntariam as candidaturas do ex-presidente guineense deposto no golpe, Umaro Sissoco Embaló, e a de Fernando Dias, suportada pelas duas plataformas políticas da oposição.
As discussões seriam assistidas pela sociedade civil do país e com a mediação da comunidade internacional, nomeadamente União Africana, Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e Nações Unidas.