Guiné-Bissau: "PPG não nasceu para fazer oposição"
11 de setembro de 2026
Dez dias depois da aprovação da nova Constituição, surgiu uma nova força política na Guiné-Bissau: O Partido Popular Guineense (PPG). O partido foi anunciado por um secretariado ad hoc, sem indicação de um líder, num momento em que o país continua sob um regime de transição liderado pelo poder militar.
Será o PPG um partido de oposição ou uma força alinhada com o atual regime de transição?
Em declarações à DW África, o jurista Fodé Mané acredita que a nova formação pode servir como uma "plataforma" para o primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, se manter ligado à política guineense.
"Esse partido, pelos vistos, está à volta do atual primeiro-ministro", afirma. O jurista chama a atenção para cartas de renúncia divulgadas nas redes sociais submetidas por pessoas que ocupam cargos próximos de Ilídio Vieira Té, alegadamente para se juntarem à nova força política.
Na leitura do jurista, o surgimento do PPG pode não representar a criação de uma força destinada a fazer oposição, mas antes uma estratégia pessoal de Vieira Té para continuar a exercer influência política depois da transição.
"Na Guiné-Bissau, a política é feita apenas para conseguir um 'tacho', um emprego na função pública", critica Fodé Mané, acrescentando que o novo partido "deve ser uma jogada pessoal do próprio Ilídio para poder continuar a exercer o poder".
Autoridades "sem aceitação popular"
Por outro lado, Fodé Mané chama a atenção para o referendo à nova Constituição, que, segundo os resultados anunciados pela Comissão Nacional de Eleições, foi aprovada por 70% dos votantes. A nova Lei Fundamental reforça os poderes do Presidente da República, mas foi contestada pela oposição e por setores da sociedade civil, que apelaram ao boicote.
"Houve um boicote real", sublinha Fodé Mané. Na sua opinião, a adesão dos eleitores a esse boicote revela que a mensagem política da oposição e da sociedade civil passou e que as autoridades de transição podem ter poder, mas não têm aceitação popular.
"Os que detêm o poder sabem que têm o poder, mas não têm aceitação", resumiu o jurista.