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PolíticaGuiné-Conacri

Guiné-Conacri: "Isso não é eleição, é outro golpe de Estado"

30 de dezembro de 2025

Os primeiros resultados parciais das presidenciais de domingo na Guiné-Conacri devem ser divulgados em breve. O líder da junta, Mamady Doumbouya, que assumiu o poder após o golpe de Estado em 2021, é dado como favorito.

Guiné-Conacri | Mamadi Doumbouya, líder golpista da Guiné-Conacri
Foto: Souleymane Camara/REUTERS

A Frente Nacional para a Defesa da Constituição na Guiné-Conacri questiona a taxa de participação de 85% nas eleições anunciada pelo Governo, alegando que a maioria da população optou por boicotar o processo, classificando-o como uma "encenação eleitoral".

A votação decorreu sem a participação dos principais líderes da oposição, que foram impedidos de concorrer e apelaram ao boicote das eleições.

Para o escritor Tierno Monénembo, no entanto, a situação no país corre o risco de permanecer inalterada: "Isto não é o que eu chamo de uma eleição. Mamadi Doumbouya tirou do seu chapéu uma Constituição feita à medida dele. Ele destruiu todas as restrições da Carta de Transição que proibia a candidatura, e fez exilar, prender ou riscar das listas eleitorais qualquer pessoa que pudesse incomodá-lo nesta farsa eleitoral".

"Isso não é uma eleição, é outro golpe de Estado. Depois, o golpe de Estado pelas armas é o golpe de Estado pelas urnas", acusa o escritor.

Eleições "para entreter o público"

Cerca de 6,8 milhões de eleitores, incluindo 125 mil na diáspora, foram chamados às urnas.

Para o escritor esta votação tem servido, sobretudo, para consolidar o poder de Doumbouya: "Não espero nada de bom após estas eleições. Mamadi Doumbouya vai apoderar-se de todos os poderes. Ele vai fazer de conta que foi eleito, quando não foi de todo. É a ditadura legitimada, de certa forma. Mamadi Doumbouya já foi eleito desde 5 de setembro de 2021. Foram as armas, foram as metralhadoras que o colocaram no poder. É por elas que ele vai continuar a governar nas eleições".

Mamadi Doumbouya tomou o poder pela via do golpe de Estado em setembro de 2021Foto: Souleymane Camara/REUTERS

Monénembbo vê a eleição apenas como uma formalidade, "é para entreter o público", considera. E o escritor lembra os métodos do líder da Junta Militar. "Ele consegue governar pela intimidação, pela repressão, multiplicando mortes misteriosas, exílios, prisões em massa, desaparecimentos forçados, raptos", denuncia.

Faltam "inteligência e generosidade"

O país aprovou recentemente uma nova Constituição que permite aos membros da junta militar concorrer às eleições e que prolonga o mandato presidencial de cinco para sete anos, renovável uma vez. A mudança abriu caminho para a candidatura de Doumbouya, que havia prometido inicialmente não concorrer e devolver o poder aos civis até ao final de 2024.

Desde a tomada do poder em setembro de 2021, o governo militar restringiu protestos, prendeu opositores e manteve parte da liderança política fora do país. Tierno Monénembo não está otimista quanto a mudanças significativas.

E Tierno Monénembo se questiona: "Será que, depois das eleições, ele vai tentar acalmar um pouco as coisas? Não penso".

"Para amnistiar os condenados, para permitir o regresso dos exilados, para criar um clima político mais inteligente, mais calmo, é necessário duas qualidades que Mamady Doumbouya não tem. São elas: inteligência e generosidade", entende o escritor. 

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