Uma operação realizada pelo Governo brasileiro resgatou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão, em agosto, incluindo 75 mulheres e 13 crianças e adolescentes, bem como 66 migrantes, alguns da Guiné-Bissau.
Em Minas Gerais, trabalhadores foram resgatados de condições análogas a escravidão numa fazenda (imagem ilustrativa)Foto: Mauricio Lima/AFP
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Os dados, agora divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, cita entre as vítimas 66 migrantes provenientes da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.
A "Operação Resgate VI" contou com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho (MPT), que realizaram 231 ações fiscais.
A região sudeste do país concentrou o maior número de trabalhadores resgatados, com 267 casos, dos quais 208 ocorreram em Minas Gerais e 58 em São Paulo.
Entre os casos está o de uma mulher de 51 anos na cidade de São Paulo, que vivia na residência da empregadora desde os 10 anos e trabalhou durante cerca de 40 anos sem registo formal ou pagamento regular de salários.
Ainda criança, passou a ser responsável por todos os afazeres domésticos da casa, "como lavagem de quintal e louça e arrumação do imóvel, e por cuidar da família da empregadora, incluindo o preparo de refeições" e a passar a ferro as roupas.
Os auditores-fiscais também identificaram que a mesma mulher trabalhou numa clínica de um dos membros da família sem qualquer registo formal de emprego.
À lupa: Sabia que há milhões de escravos no mundo?
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Explorados em Minas Gerais
No estado de Minas Gerais, trabalhadores foram resgatados de condições análogas a escravidão numa fazenda, na colheita de batata, sendo a maioria senegaleses e do Burkina Faso.
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Os auditores-fiscais identificaram que as vítimas trabalhavam na colheita manual de batatas sem registo formal de trabalho, sem acesso a instalações sanitárias, água potável, equipamentos de proteção individual e local adequado para refeições.
"Também foram identificadas irregularidades relacionadas à jornada de trabalho, transporte dos trabalhadores e às condições gerais de saúde e segurança do trabalho", cita o comunicado, sem adiantar detalhes sobre a situação dos guineenses.
O meio rural concentrou 57,5% das fiscalizações e 292 trabalhadores resgatados, enquanto as atividades urbanas representaram 36,5% das ações, com 178 resgates, e o trabalho doméstico teve nove trabalhadores resgatados.
Entre as atividades com mais trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão estão a construção em geral, com 85 resgatados, o cultivo de café, com 53, de cebola, com 47, e de batata, com 44.
Os empregadores foram obrigados a interromper as atividades, rescindir os contratos e regularizar retroativamente os vínculos, além de pagar mais de 1,4 milhões de reais (cerca de 236,1 mil euros) em verbas salariais e rescisórias.
Segundo o Governo brasileiro, os trabalhadores receberam ainda o seguro-desemprego especial, correspondente a seis parcelas de um salário mínimo.
Cerca de 25 mil descendentes do povo bantu, da África Oriental, vivem nas selvas indianas de Ghats Ocidental. Os sidis foram trazidos para a Índia como escravos. Hoje, continuam a viver excluídos e na pobreza.
Foto: Saurabh Narang
Música e dança únicas
A comunidade sidi floresce através das suas músicas e danças tradicionais - parte integrante da sua identidade cultural. Manuel é um agricultor na vila Mainalli, distrito de Uttar Kannad, em Karnataka. No seu tempo livre, dá oficinas de dança gratuitas para crianças locais, para que elas possam transmitir a cultura sidi à próxima geração.
Foto: Saurabh Narang
Instrumentos feitos à mão
Besteung ensina uma criança na vila de Mainalli a tocar o dammam - um instrumento de percussão feito de madeira e pele de camurça. Normalmente, os homens tocam o damman enquanto as mulheres dançam ao ritmo animado.
Foto: Saurabh Narang
Dhamal
Chandrika, de 13 anos, prepara-se para o dhamal, uma dança tribal tradicional sidi, que retrata a vida da comunidade. Chandrika vive na vila de Mainalli e, da mesma forma que adora ir à escola, gosta também de praticar as suas habilidades dhamal.
Foto: Saurabh Narang
Dançar para os reis
David também se prepara para dançar dhamal. A dança tribal foi originalmente apresentada como uma celebração para o retorno de uma caçada bem-sucedida. Também já foi uma das principais fontes de entretenimento dos reis no passado. Hoje, os sidis dançam dhamal em várias ocasiões.
Foto: Saurabh Narang
Trabalho forçado
Realizadores de Singapura recriam uma cena para a série de TV "Sentuhan Harapan". Nesta foto, estão a retratar a história de Ravi, um personagem complexo. Ravi foi espancado por um empresário local. Depois de se recusar a trabalhar por um salário baixo, Ravi também viu a família receber ameaças do empresário.
Foto: Saurabh Narang
Preconceito na escola
Na escola do set de filmagens de "Sentuhan Harapan", um jovem estudante sidi em Yellapur relata os episódios de discriminação e bullying de que foi alvo. O aluno diz que outras crianças geralmente não querem interagir com crianças da comunidade sidi, forçando muitos alunos a abandonar a escola.
Foto: Saurabh Narang
Posse de terra
Mahadevi, de 75 anos, é viúva e vive na vila de Magod, em Karnataka. Há muitos anos que Mahadevi luta nos tribunais para recuperar os cinco acres de terra que foram adquiridos ilegalmente por um guarda da floresta após a morte de seu marido, em 1996.
Foto: Saurabh Narang
Tempo livre
Um grupo de jovens sidis brinca numa velha árvore na aldeia de Mainalli. Como descendentes do povo bantu, da África Oriental, os antepassados sidis foram trazidos principalmente para a Índia como escravos pelos árabes desde o século VII, seguidos pelos portugueses e britânicos mais tarde. Outros vieram à Índia para trabalhar como comerciantes ou marinheiros.
Foto: Saurabh Narang
Nelson Mandela, um herói para os sidis
Uma foto emoldurada de Nelson Mandela - o primeiro chefe de Estado negro da África do Sul e líder anti-apartheid - está na casa de uma família sidi, na aldeia de Talikumbri. Quando a escravatura foi abolida, a comunidade fugiu para o interior da Índia, temendo um regresso ao passado. Durante séculos, cerca de 25 mil descendentes da tribo de origem africana têm vivido quase na obscuridade.