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Homens armados incendiaram viaturas em Sofala

8 de abril de 2025

Polícia diz que é "prematuro" atribuir incidente a ex-guerrilheiros da RENAMO. Partido distancia-se do sucedido, assim como movimento anti-Ossufo Momade.

RENAMO distancia-se do sucedido, assim como movimento anti-Ossufo Momade.
RENAMO distancia-se do sucedido, assim como movimento anti-Ossufo Momade.Foto: DW

A Estrada Nacional 1 (N1), na província de Sofala, centro de Moçambique, esteve intransitável, na manhã desta terça-feira (08.04), devido a uma ação de indivíduos não identificados. O bloqueio da via, ocorrido próximo da aldeia de Fudza, região que foi palco de ataques armados nos últimos conflitos, culminou com o incêndio de sete viaturas e saque a um veículo de passageiros. 

Em declarações à imprensa, o comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala, Ernesto Madungue, fez saber que "os seis indivíduos, até então não identificados, teriam intercetado duas viaturas de transporte de mercadorias, onde mandaram parar os condutores e de seguida incendiaram as mesmas. Uma das viaturas transportava consigo cinco viaturas ligeiras, que também, resultado deste incêndio, ficaram totalmente em cinzas", explicou.

Depois do sucedido, disse ainda Ernesto Madungue, os seis indivíduos refugiaram-se nas matas.

O troço Nhampaza-Caia é conhecido na história de conflitos armados do país como a região que alberga o maior número de bases da guerrilha da RENAMO ao longo da principal estrada do país. No último conflito de 2019, a região foi epicentro de ataques armados contra alvos civis e militares protagonizados pela Junta militar da RENAMO, um grupo de guerrilheiros que protestava contra a liderança da agora terceira maior força política em Moçambique. 

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Questionado sobre se esta ação pode ter ou não relação com outras ocorridas na mesma região, o comandante provincial da PRM disse apenas tratar-se "de indivíduos na faixa etária de 55 a 60 e tal anos de idade".

"Acreditamos que com o trabalho que está sendo feito, poderemos a posterior dizer com precisão de que tipo de pessoas se trata", acrescentou.

"Não há nenhuma relação com a RENAMO"

Também em declarações à DW, o porta-voz da RENAMO, Marcial Macome, distancia o partido do ocorrido nesta terça-feira, garantindo que "não há nenhuma relação entre estas pessoas e a RENAMO", porque, lembra, "a RENAMO não tem armas".

"A RENAMO é um partido civil que fez a entrega da última arma em hasta pública", disse ainda Marcial Macome, acrescentando:

"A RENAMO é um partido político que desmobilizou os seus homens na presença de todo o mundo e fez a entrega da última arma. A comunidade internacional testemunhou este ato, a imprensa esteve presente. Desde aquele momento, a RENAMO não tem homens armados, não tem guerrilheiros. A RENAMO tem desmobilizados". 

Marcial Macome: "A RENAMO não tem homens armados, não tem guerrilheiros. A RENAMO tem desmobilizados"Foto: Nádia Issufo/DW

Macome realçou ainda que este ataque pode estar associado à conjuntura nacional de contestação dos resultados eleitorais.

Questionado sobre se, por se tratar de uma região sob o domínio da RENAMO, o partido estaria interessado em cooperar com as autoridades no esclarecimento deste caso, Macome disse:

"A menos que as forças de defesa e segurança peçam a experiência dos antigos desmobilizados para tentar partilhar com eles a sua experiência, não necessariamente apontar quem são [os responsáveis], [a RENAMO] pode, sim, através da experiência que tem, fazer a ação e a proteção de bem-estar social", disse.

Machava: "Os nossos planos são tirar Ossufo Momade"

A DW ouviu também João Machava, um dos rostos visíveis do movimento anti-Ossufo Momade, que também distancia o seu movimento do ataque em Nhamapaza.

Segundo Machava, a luta para afastar Ossufo Momade acontece apenas nas sedes do partido e não nas estradas.

"Isso está fora dos nossos planos", garante.

"Nós, os desmobilizados, estamos a fechar as sedes. Os nossos planos passam por tirar Ossufo Momade [da presidência da RENAMO]".

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