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PolíticaHungria

Saída de Orbán anuncia descongelamento das relações com UE

Redação DW África com AP, AFP, Reuters
13 de abril de 2026

Os eleitores húngaros optaram este domingo pela linha pró‑União Europeia (UE) de Péter Magyar, pondo fim a 16 anos de governo de Viktor Orbán. A Europa aguarda agora para ver se Budapeste se reaproximará de Bruexelas.

| Peter Magyar comemora com uma bandeira da Hungriua após a divulgação dos resultados parciais em Budapeste
Peter Magyar obteve uma vitória esmagadora nas eleições húngaras deste domingo (12.04) Foto: Denes Erdos/AP Photo/picture alliance

Os eleitores húngaros compareceram em massa às urnas no domingo (12.04) para dar uma vitória esmagadora ao candidato pró-europeu Peter Magyar, que prometeu afastar o país do rumo de extrema-direita seguido pelo primeiro-ministro Viktor Orbán.

O partido de centro-direita de Magyar, o Tisza, deverá conquistar 138 lugares no parlamento húngaro, composto por 199 lugares, o que lhe dá mais cinco lugares do que os dois terços necessários para aprovar as reformas que o antigo discípulo de Orbán, de 45 anos, prometeu durante a campanha eleitoral.

A vitória ocorreu apesar do controlo de Orbán sobre os meios de comunicação públicos húngaros, da manipulação dos distritos eleitorais que exigiu que o Tisza obtivesse cerca de 5% mais votos do que o partido Fidesz de Orbán e dos esforços, tanto dos partidos de extrema-direita europeus como dos EUA, para exortar os eleitores a manter o governo no poder.

A afluência às urnas atingiu quase 80%, de acordo com o Gabinete Nacional de Eleições, um número recorde em qualquer votação na Hungria pós-comunista.

O que prometeu Peter Magyar?

Num discurso dirigido aos seus apoiantes após a vitória, Magyar reiterou as promessas de campanha de restabelecer as relações com Bruxelas e a NATO, que ficaram gravemente comprometidas durante o governo de Orbán, e de combater vigorosamente a corrupção.

"Com a maioria de dois terços que nos permite alterar a Constituição, iremos restaurar o sistema de equilíbrio de poderes", afirmou Magyar. "Iremos aderir à Procuradoria Europeia e garantir o funcionamento democrático do nosso país. Nunca mais permitiremos que alguém mantenha a Hungria livre em cativeiro ou a abandone", prometeu.

"Esta noite, a verdade prevaleceu sobre as mentiras. Hoje, vencemos porque os húngaros não perguntaram o que a sua pátria poderia fazer por eles, perguntaram o que eles poderiam fazer pela sua pátria. Vocês encontraram a resposta e levaram-na até ao fim", disse.

Viktor Orbán admitiu a derrota nas eleições parlamentares face ao rival Peter Magyar, um antigo membro do governo e recém-chegado à política que prometeu uma "mudança de sistema"Foto: Attila Kisbenedek/AFP

Magyar comprometeu-se a levar a cabo reformas que poderão desbloquear milhões em financiamento da União Europeia, congelado devido às preocupações de Bruxelas relativamente ao desmantelamento do Estado de direito e à repressão da liberdade de imprensa por parte de Orbán. Afirmou ainda que pretende que a Hungria adote o euro como moeda.

Alguns diplomatas e analistas afirmam, no entanto, que o novo governo deve primeiro demonstrar resultados concretos da sua iniciativa de reformas antes da disponibilização dos fundos, o que daria um impulso muito necessário à economia do país, que se encontra praticamente estagnada.

Líderes europeus e Ucrânia saudam vitória de Magyar

A vitória de Magyar foi saudada por muitos líderes da UE e da Europa, que esperam que a mudança de governo conduza não só a reformas internas na Hungria, mas também a uma mudança radical na política relativa à Ucrânia.

Embora Magyar, tal como Orbán, rejeite o envio de armas para a Ucrânia e se oponha à rápida integração do país na UE, é improvável que repita a retórica do seu antecessor em relação a Kiev.

Orbán utilizou repetidamente o seu veto para frustrar os esforços da UE no sentido de apoiar Kiev na guerra contra a Rússia e foi um dos poucos líderes do bloco a manter laços estreitos com o Presidente russo, Vladimir Putin. Recusou-se também a pôr fim à dependência da Hungria das importações de energia russa, que ajudam a financiar a guerra da Rússia.

Esta abordagem favorável a Moscovo foi igualmente rejeitada por muitos eleitores na Hungria e gritos de "Ruszkik haza!" ("Russos, vão para casa!") - uma frase muito utilizada durante a revolução antissoviética de 1956 na Hungria - fizeram-se ouvir em Budapeste à medida que a derrota de Orban se tornava evidente.

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou a vitória de Magyar no X, afirmando que "o coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite" quando os resultados foram anunciados.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, dirigiu-se a Magyar nas redes sociais, afirmando: "Estou ansioso por trabalhar consigo. Vamos unir forças por uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida."

O Presidente francês, Emmanuel Macron, escreveu no X que "a França congratula-se com esta vitória da participação democrática, do compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e da Hungria na Europa."

"Hoje a Europa vence e os valores europeus vencem", afirmou também o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez no X, felicitando os cidadãos húngaros por estas "eleições históricas".

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, também felicitou Magyar pela vitória. "Estamos prontos para reuniões e trabalho conjunto construtivo em benefício de ambas as nações, bem como da paz, segurança e estabilidade na Europa", escreveu numa publicação no X.

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