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MigraçãoPortugal

Imigração pode travar despovoamento no interior de Portugal?

26 de maio de 2026

Estudo defende que a imigração pode ajudar a travar o despovoamento do interior de Portugal. Mas de que forma seria possível? A DW ouviu imigrantes e dirigente associativa sobre o contributo da mão-de-obra estrangeira.

Imigrantes à espera em frente ao centro de assistência da AIMA, em Telheiras, Lisboa
A Associação Cabo-verdiana de Lisboa considera os imigrantes um motor económico comprovado nas regiões do interiorFoto: Luis Boza/NurPhoto/picture alliance

Portugal enfrenta um duplo desafio estrutural, marcado pelo despovoamento do interior e pela escassez de trabalhadores em setores como a agricultura, o turismo rural, a construção e os cuidados sociais. Esta é a conclusão central do estudo desenvolvido pelo Centro de Formação Prepara Portugal, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), da Segurança Social, da Pordata, da Confederação dos Agricultores de Portugal e da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

"O que nós fazemos como centro de formação profissional é estimular os nossos alunos, que são na sua maioria imigrantes, a relacionar esses dados e perceber a necessidade e a positividade da presença de imigrantes, principalmente na região do interior de Portugal, que é um dos lugares mais procurados pelo facto de ter um custo de vida mais barato", afirma Higor Cerqueira, fundador e diretor pedagógico do Centro Prepara Portugal.

Atualmente, cerca de 495 mil trabalhadores estrangeiros representam 13,4% da força de trabalho em Portugal, segundo o Boletim Económico do Banco de Portugal, com base em dados da Segurança Social. Na agricultura, na construção e no turismo, já representam mais de 30% dos trabalhadores, de acordo com dados compilados pela Pordata.

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"A imigração já não é apenas uma tendência, mas uma realidade estrutural do mercado de trabalho português, que pode ajudar na retenção de talentos no interior", afirma o responsável pelo estudo, que defende políticas para atrair mão-de-obra qualificada.

"E mais do que ir ao interior, [são necessários] incentivos, não só para os imigrantes, mas para toda a população, para ter uma retenção de mão-de-obra no interior. Porque o imigrante, quando ele vem escolhe Portugal como sua casa, ele observa a logística de todos os lugares e o custo de vida que ele vai ter. Não só a população imigrante, mas a população portuguesa também sente a necessidade da retenção de talentos no interior", acrescenta.

Apoio à integração

O estudo alerta que a fixação no interior é um desafio porque o seu impacto depende de políticas eficazes, nomeadamente no que diz respeito ao apoio à integração. É o que pensa Edilson Saize, estudante moçambicano em estágio na Escola Europeia de Direito Público, há mais de um ano em Portugal. "Eu acho que para tal também é preciso haver condições mínimas para os imigrantes se enquadrarem, como o acesso à habitação e um acolhimento [adequado] para a comunidade em geral", defende.

Embora o regresso a Moçambique esteja em primeiro plano, Edilson Saize diz que não hesitaria se lhe surgisse uma oportunidade para trabalhar no interior de Portugal depois de concluir o estágio.

"Acho que sim, aceitaria porque a presença de imigrantes nas zonas rurais é muito importante para combater a desertificação populacional. Os imigrantes ajudam no desenvolvimento rural e também na parte do turismo."

Dulcineia Sousa, presidente da direção da Associação Cabo-verdiana de Lisboa, considera que sobretudo os imigrantes jovens são um motor económico comprovado nas regiões do interior: "Nós temos o caso do Fundão, que era uma zona que estava a ficar bastante desertificada, que, entretanto, com boas políticas de imigração conseguiu combater isto; mas para isso teve de criar políticas públicas adequadas."

Há concelhos do interior de Portugal com índices de envelhecimento muito elevados. Dulcineia Sousa defende a aposta nos imigrantes para inverter esta tendência. "Também para o tecido empresarial. Há muitos imigrantes a abrirem PME's (pequenas e médias empresas), restaurantes. E os benefícios culturais e sociais também são grandes", diz.

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