São Tomé: Orgulho e frustração após ouro de Agate de Sousa
Danilson Gomes
12 de maio de 2026
Atleta luso-são-tomense Agate de Sousa conquistou recentemente a medalha de ouro para Portugal. Uma vitória que reacende o debate sobre a falta de investimento no desporto no arquipélago e a crescente saída de talentos.
Agate de Sousa venceu a final do salto em comprimento feminino durante o Campeonato Mundial de Atletismo em Toruń, Polónia, a 22 de março Foto: Fredrik Sandberg/TT NEWS AGENCY/picture alliance
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A atleta luso-são-tomense Agate de Sousa obteve o ouro para Portugal no mundial de salto em comprimento, realizado recentemente na Polónia. Sousa já representou São Tomé e Príncipe (STP) antes de passar a competir por Portugal.
Nas redes sociais, muitos são-tomenses manifestaram orgulho pela conquista, mas também frustração por verem atletas nacionais a brilhar com outras bandeiras.
Para o antigo treinador da atleta, Adnex Costa, "é uma alegria pela atleta", mas confessa: "Eu gostaria que isso fosse com as cores da bandeira nacional".
E Costa defende mais apoio ao desporto no país: "Apelo às autoridades competentes que invistam um pouco mais no desporto, ainda que não seja de forma massiva, mas para ter mais atenção com aqueles que têm destaque, que o país é que sai sempre a ganhar com isso".
Triunfo português graças ao estímulo de STP
Segundo o treinador, a atleta mudou-se para Portugal em 2019, com uma bolsa do Comité Olímpico São-tomense, à procura de melhores condições de treino — uma realidade que, diz, ainda não existe em São Tomé e Príncipe.
Também o presidente da Federação São-tomense de Atletismo, Simão de Carvalho, reconhece as dificuldades, mas sublinha que a decisão final é dos atletas: "A atleta decidiu representar outro país por sua livre vontade e não nos cabe impedir".
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Carvalho aponta medidas que poderiam potenciar a retenção: "O que nós temos que fazer aqui é continuar a lutar, tentar educar os nossos jovens e os nossos atletas para o gosto e a vontade de querer representar o país, independentemente das condições que cada um coloca à sua disposição."
Brilho para os outros, até quando?
Segundo Simão de Carvalho, tem-se registado uma fuga crescente de atletas são-tomenses para outros países, resultado direto da falta de condições no país.
"É verdade que os atletas neste momento têm dificuldades sociais gravíssimas e nós não temos com resolvê-los. Realmente o investimento que o Governo põe à disposição do desporto é praticamente nulo", reconhece.
Uma realidade que expõe os desafios do desporto em São Tomé e Príncipe e levanta uma questão inevitável: sem investimento, quantos mais talentos terão de partir para brilhar fora do seu próprio país?
Arrancaram este sábado (21.07), em São Tomé e Príncipe, os XI Jogos Juvenis da CPLP. São esperadas mais de 650 pessoas no país, sede dos jogos pela primeira vez desde a institucionalização do evento, em 1991.
Foto: DW/R. Graça
XI Jogos Juvenis da CPLP
Futebol, basquetebol, atletismo, taekwondo e voleibol são modalidades desta edição dos XI Jogos Juvenis da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). As autoridades de São Tomé e Príncipe acolhem centenas de atletas, juízes, apoio médico e demais delegações vindas de vários países da comunidade.
Foto: DW/R. Graça
Desporto e solidariedade
Cerca de 350 atletas e mais de 150 técnicos, entre equipas médicas e árbitros, participam nos jogos. Para a CPLP, os jogos têm como objetivo o reforço da solidariedade entre os cidadãos dos países da Comunidade, além de um legado de infraestruturas desportivas e escolares.
Foto: DW/R. Graça
Expetativas em alta
Do lançamento à abertura, foram seis meses de expetativas, que culminaram no sábado (21.07), no estádio, e ao som do hino desta edição dos jogos. As delegações participantes desfilaram na arena, na presença de milhares de espectadores, e num dia que ficará na memória de todos os são-tomenses.
Foto: DW/R. Graça
Uma cerimónia às cores
Trajadas de cores representativas das suas bandeiras, as respetivas delegações desfilaram no Estádio Nacional 12 de julho ao ritmo do hino dos jogos, para a alegria de milhares de pessoas que assistiram à cerimónia de abertura em São Tomé.
Foto: DW/R. Graça
Presidente marca presença
O Presidente da República, Evaristo Carvalho, esteve na abertura dos jogos e desejou aos atletas "boa sorte". O chefe de Estado enalteceu a iniciativa que São Tomé e Príncipe está a sediar pela primeira vez. Segundo o Presidente são-tomense, o evento é uma "forma de promover o desporto e a prática de atividade física que serve para tirar os jovens do caminho das drogas".
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Guiné Equatorial ausente dos Jogos
A Guiné Equatorial não marcou presença nos jogos da CPLP de São Tomé e Príncipe. Um voluntário, porém, desfilou com a bandeira do país que tem Teodoro Obiang no poder. O gesto foi testemunhado pela secretária executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, que também assistiu à cerimónia de abertura.
Foto: DW/R. Graça
Goleada no futebol
A seleção sub-16 de Angola bateu São Tomé e Príncipe por 7-0. Uma goleada que deixou centenas de são-tomenses desiludidos com a equipa técnica da federação do seu país. O futebol é uma modalidade que, há vários anos, na opinião de muitos são-tomenses, não tem representado o país da melhor forma nas provas internacionais.
Foto: DW/R. Graça
Mulheres mostram força
No voleibol de praia, as mulheres mostraram a sua força este fim de semana. Para a próxima fase, porém, seguem apenas as mais fortes - as duplas femininas de Portugal, Brasil, Moçambique e Cabo Verde.
Foto: DW/R. Graça
CPLP apoia a preservação da água
26 anos depois da primeira edição dos Jogos Juvenis da CPLP - que aconteceram em Portugal, em 1992 -, a edição atual e os jovens participantes apoiam a campanha da preservação água, um bem precioso.