Inhambane interdita navegação devido ao ciclone Gezani
13 de fevereiro de 2026
A navegação marítima foi interdita em toda a província moçambicana de Inhambane, sul do país, com a circulação e o funcionamento de instituições condicionados, devido à aproximação do ciclone Gezani, anunciaram hoje as autoridades locais.
Em comunicado conjunto do governo provincial e da secretaria do Estado em Inhambane, determina-se a circulação condicionada de veículos em todas as estradas da província, incluindo no troço Zandamela-Save, ao longo da Estrada Nacional 1, principal via terrestre do país, adiantando que as vias vão ser interditas se as condições atmosféricas se agravarem.
As autoridades locais decidiram também pelo funcionamento condicionado das instituições públicas e privadas, incluindo estabelecimentos comerciais, avisando que são para encerrar se as condições atmosféricas se agravarem.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano alertou para a possibilidade de o ciclone Gezani atingir hoje Moçambique como ciclone tropical intenso, com rajadas de vento até 250 quilómetros por hora, na província de Inhambane, no sul.
"As projeções atuais indicam que esse sistema meteorológico poderá evoluir para a categoria de ciclone tropical intenso, com vento médio de 200 quilómetros por hora e rajada até 250 quilómetros por hora, até o final do dia de hoje", lê-se num alerta vermelho do Inam.
Província prepara-se para chuvas fortes, trovoadas e mar agitado
Segundo o instituto meteorológico moçambicano, o ciclone Gezani continua a mover-se em direção à costa da província de Inhambane, estando a 250 quilómetros da costa do distrito de Massinga, prevendo-se também chuvas fortes e trovoadas severas, com ondas a atingir até 12 metros de altura.
A província de Inhambane poderá registar chuvas acima de 150 milímetros em 24 horas, principalmente nos distritos de Govuro, Inhassoro, Vilanculo, Massinga, Morumbene, Homoíne, Panda, Inharrime, Jangamo, Zavala e cidades de Maxixe e Inhambane.
Estão também previstas chuvas entre 50 e 150 milímetros em 24 horas nos distritos de Mabote e Funhalouro, também em Inhambane, Machanga, em Sofala (centro), e Gaza (sul), principalmente nos distritos de Mandlakazi, Chongoene, Chibuto, Chigubo, Limpopo e cidade de Xai-Xai, já afetada pelas cheias de janeiro.
O Inam pede a tomada de medidas de precaução e segurança face aos "ventos fortes, chuvas fortes e trovoadas".
A primeira-ministra de Moçambique disse hoje que o ciclone Gezani poderá agravar a situação da segurança alimentar no país, pedindo a massificação da educação nutricional para travar a desnutrição.
"Neste exato momento estamos perante uma ameaça forte. Tudo indica que no dia de hoje teremos a chegada de mais um ciclone que vai devastar áreas que não foram atingidas pelas cheias iniciais. Isso vai agravar certamente aquilo que é a nossa segurança alimentar e nutricional", admitiu a primeira-ministra, Maria Benvinda Levi.
Populações costeiras aconselhadas a retirada preventiva
As autoridades moçambicanas apelaram na quinta-feira à retirada preventiva das populações das zonas costeiras das províncias de Inhambane, Gaza, no sul, e Sofala, no centro.
Pelo menos 40 pessoas morreram em Madagáscar durante a passagem do ciclone Gezani, que atingiu com força na terça-feira à noite a segunda maior cidade do país, Toamasina, segundo um novo balanço das autoridades malgaxes.
Moçambique ainda recupera das cheias de janeiro, que provocaram pelo menos 27 mortos e afetaram quase 725 mil pessoas.
Desde outubro, início da época chuvosa, Moçambique registou pelo menos 202 mortos, 291 feridos e 852.285 pessoas afetadas, segundo atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).