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Irão: Protestos continuam sem acesso à internet no país

13 de janeiro de 2026

No Irão, comunicações continuam severamente restringidas há quatro dias, incluindo a Internet e a rede Starlink. Donald Trump admite possível intervenção, enquanto regime iraniano reforça a repressão.

Forças de segurançapró-governo
Forças de segurança em manifestação pró-governo iranianoFoto: Stringer/Getty Images

Vários cidadãos iranianos conseguiram hoje fazer chamadas telefónicas para o estrangeiro a partir dos seus telemóveis. No entanto, o acesso à Internet e às mensagens em várias plataformas continua bloqueado há quatro dias, por decisão das autoridades, numa tentativa de conter a onda de contestação ao regime.

Nos Estados Unidos, o Presidente Donald Trump afirmou que o Irão pretende negociar com Washington, depois de ter feito ameaças a Teerão devido à repressão dos protestos. Segundo ativistas, a violência já provocou pelo menos 646 mortos.

A nível internacional, as reações multiplicam-se. A China rejeitou qualquer ingerência externa ou uso da força contra o Irão. Já França, Alemanha e Reino Unido condenaram a violência e apelaram à contenção por parte das autoridades iranianas.

Confrontos durante protestos e repressão violentaFoto: ANONYMOUS/AFP

"Povo iraniano levantou-se"

Na Europa, manifestantes saíram às ruas em várias cidades em solidariedade com os protestos. "O povo iraniano levantou-se mais uma vez. Os governos ocidentais precisam de demonstrar apoio aos protestos que estão a acontecer em todo o país. Esse apoio é fundamental para que as pessoas consigam mobilizar-se", afirmou um dos participantes.

O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos condenou a repressão e exigiu o seu fim, referindo que mais de 600 pessoas morreram desde 28 de dezembro, segundo organizações não governamentais.

Entidades de defesa dos direitos humanos indicam ainda que o número de vítimas aumentou de forma acentuada durante o fim de semana, numa altura em que o Governo iraniano intensificou a repressão aos protestos, iniciados há mais de duas semanas.

Foto: THE WHITE HOUSE/UPI Photo/Newscom/picture alliance

Apoio dos EUA

Donald Trump voltou a manifestar apoio aos manifestantes, escrevendo nas redes sociais que "o Irão está a olhar para a LIBERDADE" e que "os EUA estão prontos para ajudar".

Também o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reagiu, afirmando que "Israel apoia a luta dos iranianos pela liberdade" e condenando “nos termos mais fortes os assassinatos em massa de civis inocentes". "Todos esperamos que a nação persa seja em breve libertada do jugo da tirania", acrescentou.

Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou, durante uma visita de Estado à Índia, acreditar que o Governo iraniano está nos seus "últimos dias ou semanas". "Quando um regime só se mantém no poder pela força, isso é, na prática, o seu fim", afirmou.

Em Teerão, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, responsabilizou antigos inimigos pela instabilidade no país. “Eles criaram raiva no coração das pessoas. E em nome de quem? Da América e de Israel, que estão sentados longe a dar lições, dizendo: 'vão, nós estamos convosco'", afirmou, acusando o inimigo de tentar desestabilizar a sociedade iraniana e criar divisões internas.

Numa transmissão em direto da televisão estatal, o presidente do Parlamento advertiu que o exército dos Estados Unidos e Israel seriam "alvos legítimos" caso Washington ataque a República Islâmica. Outros deputados juntaram-se aos gritos de "Morte à América".

Segundo responsáveis norte-americanos, sob anonimato, Donald Trump foi informado durante o fim de semana sobre opções militares para um eventual ataque ao Irão, mas ainda não tomou uma decisão final.

Até ao momento, o Presidente dos Estados Unidos anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos provenientes de países que mantêm relações comerciais com o Irão.

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