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Julgamento: Empréstimo do BESA "foi para comprar terrenos"

18 de fevereiro de 2026

Negócios do Banco Espírito Santo Angola (BESA) estão sob escrutínio em Portugal. Entre os arguidos estão Ricardo Salgado e Álvaro Sobrinho, acusados de burla e branqueamento de capitais.

Banco Espírito Santo
O julgamento decorre desde 05 de maio de 2025, no Tribunal Central Criminal de LisboaFoto: Patricia De Melo Moreira/AFP/Getty Images

Um empresário a cujas sociedades o Banco Espírito Santo Angola (BESA) terá emprestado 1,3 mil milhões de euros disse hoje, em tribunal, que os financiamentos visaram a compra de terrenos em Angola, dados como garantia.

Em Lisboa, ouvido como testemunha no julgamento do processo BESA, o empresário angolano garantiu: "O financiamento era para comprar o ativo. E talvez vedar o ativo e fazer alguma coisa relacionada com isso. O investimento [no desenvolvimento do terreno] teria de ser feito por mim."

Angariar terceiros para investir era o seu objetivo, esclareceu, mas isso nunca aconteceu.

"Os investidores chegavam, mas havia uma morosidade muito grande na legalização desses ativos nos ministérios", explicou, acrescentando que, ultrapassado o período de um, dois ou três anos para o investimento, o BESA lhe começava a exigir o pagamento dos juros devidos pelo financiamento.

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Os negócios remontam a 2009, 2010 e 2011, mas a dívida acumulada só terá sido resolvida em 2017 ou 2018, com a celebração de um acordo de dação em pagamento com entrega de ativos entre o empresário e o Banco Económico, sucessor do BESA, explicou.

De acordo com a acusação do Ministério Público, a maioria dos cerca de 1,3 mil milhões de euros emprestado a sociedades detidas por Eugénio Neto não tiveram finalidades produtivas.

Julgamento iniciou em maio de 2025

Os ex-presidentes do BES, Ricardo Salgado, e do BESA, Álvaro Sobrinho, são dois dos cinco arguidos que estão a ser julgados no processo sobre o alegado desvio de fundos entre 2007 e 2012 de financiamentos do BES ao BESA em linhas de crédito do Mercado Monetário Internacional e em descoberto bancário.

Em causa estão crimes de abuso de confiança, branqueamento e burla, acusações que os arguidos negam. 

O julgamento decorre desde 5 de maio de 2025, no Tribunal Central Criminal de Lisboa. O BES faliu em 2014 e o BESA foi liquidado no mesmo ano.

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