Kiev pede reação da comunidade internacional a ataque russo
9 de janeiro de 2026
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky pediu, esta sexta-feira (09.01), uma "resposta clara" da comunidade internacional, após maciço ataque aéreo russo, incluindo o sistema de mísseis hipersónicos Oreshnik.
"É preciso uma resposta clara da comunidade internacional. Em primeiro lugar, dos Estados Unidos, cujos sinais estão a ser seguidos de perto pela Rússia", declarou nas redes sociais Zelensky, exigindo que a Rússia entenda que "é seu dever concentrar-se na diplomacia".
Segundo o líder ucraniano, "o prédio da embaixada do Qatar foi danificado por um drone russo", tal como outros 20 edifícios residenciais na capital, confirmando um total de quatro vítimas mortais.
A Alemanha já reagiu ao sucedido, acusando Moscovo de tentar "incutir medo".
"A Rússia intensificou a situação mais uma vez", disse o porta-voz do Governo, Steffen Meyer, acrescentando que "são gestos simbólicos de intimidação destinados a incutir medo, mas que não são eficazes."
O ataque ocorreu poucas horas depois de o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertar a nação para as intenções da Rússia de levar a cabo uma ofensiva em grande escala.
Objetivo foi "testar os aliados"
Para Kiev, este ataque maciço teve como objetivo testar os aliados da Ucrânia, apesar de as autoridades ucranianas adiantarem que as defesas antiaéreas abateram 226 drones e 18 mísseis.
"Um ataque como este, próximo à fronteira da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), representa uma séria ameaça à segurança do continente europeu e um teste para a aliança transatlântica", defendeu o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, nas redes sociais.
Por seu lado, o ministério da Defesa da Rússia, que reconheceu ter utilizado um dos seus mísseis balísticos mais avançados, justificou a operação como uma "resposta ao ataque terrorista do regime de Kiev contra a residência do Presidente da Rússia na região de Novgorod, perpetrado a 29 de dezembro".
As autoridades russas comunicaram que os ataques incidiram sobre fábricas de drones "usadas para o ataque terrorista" e a infraestrutura energética ucraniana, mas também sem especificar as localizações.
Esta arma é capaz de atingir alvos a milhares de quilómetros de distância, com ogivas nucleares, e foi usado pela primeira vez com ogivas convencionais em novembro de 2024 contra a cidade de Dnipro (centro-leste).
Autoridades pedem saída de Kiev por causa do frio
Entretanto, o presidente da Câmara de Kiev instou os habitantes a abandonarem temporariamente a capital ucraniana, após os ataques desta noite terem deixado metade dos edifícios residenciais sem aquecimento, numa altura em que as temperaturas rondam os -8º Celsius.