Freeman Mbowe, líder do Chadema, o principal partido da oposição da Tanzânia, foi hospitalizado no centro do país depois de ter sido atacado por assaltantes desconhecidos.
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Na Tanzânia, Freeman Mbowe, presidente nacional do partido Chadema e líder da oposição parlamentar, foi hospitalizado depois de ter sido atacado por assaltantes desconhecidos, informaram as autoridades policiais do país esta terça-feira (09.06).
O incidente teve lugar em Dodoma, a capital política da Tanzânia e sede do Parlamento, quando o líder da oposição regressava à sua residência, segundo uma mensagem do Chadema na rede social Twiter. O partido informou ainda que Mbowe "foi imediatamente levado ao hospital para tratamento".
"Há notícias de que o Sr. Mbowe foi atacado por três pessoas que lhe partiram a perna direita. Continuamos a acompanhar o caso, ele ainda está no hospital", afirmou o comandante da Polícia Regional, Gilles Muroto.
O secretário-geral do Chadema, John Mnyika, afirma que Mbowe foi cercado e agredido "antes de começar a subir as escadas" e que embora os atacantes "tivessem armas de fogo, não as usaram". Mnyika considerou ainda que se tratou de "um ataque de motivação política" e acrescenta que a prioridade é a saúde do líder partidário.
Caso isolado?
O Presidente da Tanzânia, John Magufuli, subiu ao poder em 2015, prometendo o fim da corrupção. Desde que tomou posse, tem sido acusado de restringir os direitos humanos, incluindo a liberdade de expressão, e de reprimir as principais figuras da oposição.
Em meados de 2009, a Coligação Tanzaniana de Defensores dos Direitos Humanos (THRDC) tinha contado 17 raptos desde 2016, nomeadamente de defensores dos direitos humanos, jornalistas, empresários, políticos e artistas.
Freeman Mbowe, juntamente com outros legisladores da oposição, foi considerado culpado de sedição em março deste ano.
Nos últimos meses, o líder do Chadema tem acusado o Presidente de esconder informações sobre a real escala da propagação da Covid-19 na Tanzânia. Desde abril, o número de casos não é atualizado. O país é dos poucos no continente africano que ainda não implementou medidas extensivas de combate à pandemia.
Eleições em outubro
Desde a sua independência da Grã-Bretanha, em 1961, a Tanzânia tem sido governada pelo Partido da Revolução, Chama Cha Mapinduzi (CCM), atualmente no poder, ou pela União Nacional Africana da Tanzânia (TANU).
O líder do partido Chadema, Freeman Mbowe, concorreu sem sucesso à Presidência nas eleições de 2005. Ainda não declarou se vai ser candidato nas eleições presidenciais de outubro deste ano, mas o seu adjunto no partido, Tundu Lissu, ofereceu-se como candidato no domingo passado (07.06).
Lissu tem vivido exilado na Bélgica depois de ter escapado por pouco a uma tentativa de assassinato em setembro de 2017. O deputado foi atacado por pistoleiros desconhecidos em sua casa em Dodoma, tendo ficado gravemente ferido.
"Desigualdades Globais": pobreza ao lado de riqueza vistas de drones
O Global Media Forum (GMF) da DW é uma das maiores conferências de jornalismo na Alemanha. A edição de 2018 teve como lema as "Desigualdades Globais". Um destaque foi uma exposição de fotografias tiradas com drones.
Foto: Johnny Miller
Cidade do Cabo, África do Sul - Khayelitsha
O Global Media Forum (GMF) da DW é uma das maiores conferências de jornalismo na Alemanha. A edição de 2018 teve como lema "Desigualdades Globais". Um destaque foi a exposição "Unequal Scenes" ("Cenas Desiguais") de fotografias tiradas com drones pelo fotógrafo Johnny Miller, residente na Cidade do Cabo e fundador do projeto africanDRONE. Esta foto mostra o bairro pobre Kayelitsha à beira do mar.
Foto: Johnny Miller
Cidade do Cabo, África do Sul - Dunoon
Dunoon é um bairro pobre (township) em Milnerton, Cidade do Cabo. Tem uma população de cerca de 31.000 pessoas, mas faltam infraestruturas como uma equadra da polícia. Já foi palco de protestos xenófobos. A imagem foi captada através de um drone (aparelho voador não-tripulado) do fotógrafo Johnny Miller.
Foto: Johnny Miller
Cidade do Cabo, África do Sul - Wolwerivier
Wolwerivier é outro bairro da Cidade do Cabo. Neste caso, trata-se de um bairro temporário ("Temporary Relocation Area - TRA") administrada pelo município. Serve para albergar pessoas que tiveram que sair do centro por causa do aumento das rendas. Agora estão neste bairro isolado 25 kms do centro da cidade sem acesso a serviços como escolas, hospitais e empregos.
Foto: Johnny Miller
Johannesburgo, África do Sul - Makause
No bairro informal de Makause residem cerca de 15.000 pessoas. Fica em Primrose, Germiston no East Rand (Ekurhuleni Metropolitan Municipality) na área metropolitana de Johanesburgo, maior cidade da África do Sul. A África do Sul é um dos países do mundo com maior fosso entre ricos e pobres, legado do regime segregacionista. Mais de 25 anos depois do fim do apartheid, ainda se vê a divisão do ar.
Foto: Johnny Miller
Durban, África do Sul - Papwa Sewgolum Golf Course
O campo de golfe "Papwa Sewgolum Golf Course" está localizado nas margens verdes do Rio Umgeni em Durban, na África do Sul. Existe um bairro informal poucos metros do buraco número seis do campo de golf. Uma barreira de betão separa o relvado cuidadosamente cuidado do bairro de lata.
Foto: Johnny Miller
Nairobi, Quénia - Loresho/Kawangare
Para além da África do Sul, outros países africanos mostram os mesmos sinais de separação em bairros ricos e bairros pobres como neste caso de Loresho e Kawangare, na periferia de Nairobi. Ambos ficam no nordeste da capital do Quénia.
Foto: Johnny Miller
Mumbai, Índia - Slums
Na cidade indiana de Bombaim, oficalmente conhecida como Mumbai, o contraste entre os vários bairros até se vê pelas diferentes cores. A região metropolitana é a segunda maior do país, atrás de Grande Deli. Bombaim também é caraterizada pela convivência de ricos e pobres em espaços pequenos, já que a sua posição geográfica em ilhas limita a expansão urbana.
Foto: Johnny Miller
Cidade do México, México - Santa Fé
A Cidade do México é considerada uma das maiores do mundo. Neste caso, o drone captou a imagem do bairro de Santa Fé, onde agentes imobiliários começaram a erguer um bairro exclusivo e próspero dentro de uma zona tradicionalmente pobre.
Foto: Johnny Miller
Detroit, EUA - Highland Park
As desigualdades também são visíveis em países do norte, como neste caso de Detroit, nos Estados Unidos da América (EUA). Quem quiser ver mais imagens de drones do fotógrafo Johnny Miller, pode visitar o site: http://www.unequalscenes.com/