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Lei das ONG: "Iremos lutar até a última consequência"

9 de março de 2026

Em Angola, ONG têm 180 dias para se adaptar à nova lei, sob pena de terem as suas atividades suspensas. Segundo analista, ONG irão lutar para que democracia participativa não seja banida do país.

Serra Bango, diretor da Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) em Angola
Serra Bango: "Estas propostas visam atacar o essencial da vida das associações, controlar por via administrativa e limitar ou eliminar a autonomia das associações."Foto: Borralho Ndomba/DW

A nova Lei das ONG entrou em vigor na semana passada em Angola e reforça os mecanismos de registo, monitorização e fiscalização das organizações civis, estabelecendo maior controlo sobre financiamento, projetos e fontes de recursos.

Segundo o preâmbulo da lei, a atualização do quadro jurídico visa adequar a atuação das ONG ao contexto atual de desenvolvimento do país e garantir maior transparência e responsabilização, especialmente no uso de fundos públicos ou privados.

À DW, o diretor da Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) diz que a nova lei viola "o princípio da participação democrática dos cidadãos na vida pública” e que terá por objetivo controlar as ONG e "limitar ou acabar” com o espaço cívico em Angola. Serra Bango garante, entretanto, que as ONG irão lutar para que isso não aconteça.

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DW África: Qual é a posição do Grupo de trabalho de Monitoria dos Direitos Humanos — plataforma que congrega algumas das muitas organizações da sociedade civil angolana — sobre a nova Lei do estatuto das ONGs, que foi submetida à Assembleia Nacional?

Serra Bango (SB): O grupo de trabalho entende que ela viola o princípio da participação democrática dos cidadãos na vida pública. Nós temos uma democracia participativa. Viola igualmente a liberdade de associação e, como corolário desta liberdade, a liberdade de expressão e que vai também desembocar na liberdade de manifestação que, de certa maneira, tem sido violada de forma frequente.

DW África: Trata-se da primeira vez na história de Angola que o Governo tenta controlar e restringir a autonomia e as liberdades das organizações não governamentais?

SB: Em 2015, ainda na vigência do consulado do senhor José Eduardo dos Santos, também se propôs aprovar uma lei desta natureza. Em que, face às lutas que foram apresentadas, a resistência que foi apresentada pelas várias zonas e os vários movimentos cívicos que existem no nosso espaço nacional, ela acabou por ser travada - porque também o Tribunal Constitucional considerou, na altura, que determinadas normas que constavam naqueles documentos eram inconstitucionais.

E, diga-se de passagem, eram as normas principais. Eram, digamos, o miolo daquela proposta. Estranhamente vimos que, ainda no princípio deste consulado, o senhor Presidente João Lourenço pretendeu aprovar a mesma lei que ficou engavetada na Assembleia Nacional. Pensávamos que tivesse terminado por aí esta pretensão do Presidente João Lourenço.

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DW África: Na sua perspetiva, quais são os verdadeiros objetivos desta nova lei? Ou seja, quais são as verdadeiras propostas do governo por trás da nova lei?

SB: Estas propostas visam atacar o essencial da vida das associações, controlar por via administrativa e limitar ou eliminar a autonomia das associações, condicionar o trabalho das associações. Mas sobretudo, ela quer limitar ou acabar com o espaço cívico que tem sido duramente conquistado pelos cidadãos, pelas ONG que existem em Angola, enfim, até pela própria dinâmica político-constitucional que se vive em Angola.

DW África: Como é que as ONG, em Angola, vão reagir agora que o Governo deu um prazo de 180 dias para cumprir as novas obrigações legais?

SB: Iremos lutar até a última consequência. Portanto, nós não desistiremos até que, de uma vez por todas, o titular do Poder Executivo, o Governo angolano e o partido que o sustenta percebam que a democracia participativa, a democracia representativa, tem regras e estas regras não podem ser violadas, não podem ser banidas, não podem ser afastadas por mera vontade de quem quer perpetuar-se no poder a todo o custo ou de quem não consegue conviver na diversidade, na diferença.

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