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Lentidão da Justiça preocupa angolanos

5 de janeiro de 2026

Cidadãos ouvidos pela DW relatam que morosidade processual em Angola alimenta falta de confiança nos tribunais. Em 2025, Provedoria de Justiça de Angola recebeu oito mil queixas.

Tribunal em Menongue, Angola, abril de 2025
Em 2025, a maioria das oito mil queixas recebidas na Provedoria de Justiça de Angola teve a ver com morosidade processualFoto: Adolfo Guerra/DW

Em 2025, a maioria das oito mil queixas recebidas na Provedoria de Justiça de Angola teve a ver com morosidade processual. Só na província do Cubango, diz a provedora de Justiça, Florbela Araújo, a "morosidade processual nos tribunais ou noMinistério Público" esteve na origem de 300 casos. 

À DW, Augusto Franco diz que tem um processo pendente na Justiça há quase dois anos. O antigo colaborador da Rádio Nacional de Angola processou a emissora depois de ele e outros colegas terem sido despedidos em abril de 2024.

"Durante o ano de 2024, o processo correu. Em março [de 2025,] solicitámos o cível, mas diziam que o processo já tinha juiz (para julgamento) para dar o seguimento […] só que ao longo do ano de 2025 a resposta foi sempre: 'venham no próximo mês'", conta.

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25:45

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Sem respostas e vendo o tempo a passar, Augusto Franco e os colegas submeteram um documento de impulso processual – também para entender as razões da morosidade.

"Depois deste impulso processual, esperámos um mês, mas também não recebemos resposta. Não nos foi dado qualquer esclarecimento. Tomámos a iniciativa de escrever de novo para o meritíssimo juiz da causa, mas também não fomos atendidos. […] A partir da secretaria judicial, recebemos informações de que o juiz presidente sabia da morosidade do nosso processo e que iria orientar para passar o processo a um outro juiz."

Quais as causas destas demoras?

O problema é antigo. Há muitos anos que há queixas do género. A falta de juízes e técnicos suficientes para lidar com o elevado número de processos é um dos motivos para a morosidade. Além disso, os recursos são escassos e os equipamentos limitados.

A juntar a esta realidade, alerta o ativista e académico Amadeu Lucas, a morosidade processual contribui para o excesso de lotação nas cadeias (com muitos arguidos à espera de julgamento) e para o aumento do sentimento de impunidade e injustiça.

Para Amadeu Lucas, "a perda de confiança resulta de decisões tardias, que descredibilizam o sistema de justiça e, na maioria dos casos, conduz à perspetiva de que quem tem dinheiro tem a capacidade de ver os seus problemas rapidamente resolvidos nos tribunais."

Sónia Teodoro, outra das queixosas no processo contra os despedimentos na RNA, acrescenta que a morosidade na Justiça faz com que "vidas fiquem em suspenso".

"É a causa de muitos problemas, porque nós somos pais e mães de famílias e nós dependíamos muito deste trabalho. Era pouco o que ganhávamos, mas dali saía o sustento dos nossos filhos", lamenta.

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