O escrutínio de terça-feira decorreu de forma pacífica e ordeira. Quem sucederá à Presidente Ellen Johnson Sirleaf?
Foto: Reuters/T. Gouegnon
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2,2 milhões de eleitores foram chamados às urnas na terça-feira (26.12) e a contagem dos votos está a decorrer. Os liberianos elegeram o sucessor de Ellen Johnson Sirleaf, 79 anos, a primeira mulher a presidir um país africano e Nobel da Paz em 2011.
Na corrida à Presidência, a lenda de futebol George Weah, senador de 51 anos, e o vice-presidente cessante, Joseph Boakai, 73 anos, no cargo há doze.
Na primeira volta, Weah obteve 39% dos votos, à frente de Boakai, apoiado pelo Partido Unido (no poder), com 29,1%.
Um dos dois candidatos será o novo Presidente da Libéria: Joseph Boakai (esq.) ou George WeahFoto: picture alliance/dpa/epa/Reynolds/Jallanzo
Eleição renhida?
George Weah, sendo mais jovem e politicamente menos desgastado, é considerado o favorito, até porque obteve mais votos na primeira volta. Mas a maior parte dos analistas consideram que o candidato do poder não deve ser menosprezado.
"As hipóteses estão muito repartidas. O eleito tanto poderá ser Weah como Boakai", afirma o analista político liberiano Menipakei Dumoe, lembrando que a "estrela" do futebol já se candidatou uma vez ao cargo, em 2005, mas acabou por perder.
Libéria conta votos das presidenciais
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"O maior trunfo do candidato Boakai é a sua experiência política, assim como o facto de os cidadãos o considerarem um homem honesto. E isso é importante num país como a Libéria, em que recaem sobre os políticos em geral acusações de corrupção e nepotismo. Mas Boakai até agora conseguiu escapar a esse tipo de acusações. Por outro lado, terá que convencer os cidadãos de que poderá governar melhor do que nos últimos anos", afirma.
Aguarda-se que os primeiros resultados oficiais provisórios sejam divulgados já esta quarta-feira, mas os finais deverão ser conhecidos apenas nos próximos dias.
A Comissão Nacional de Eleições liberiana, segundo a lei, tem até duas semanas para dar a conhecer os resultados finais da segunda volta das eleições - a primeira ocorreu a 10 de outubro.
As cicatrizes invisíveis do ébola
O ébola já matou mais de 5 mil pessoas na África Ocidental, mais de metade delas na Libéria. Houve liberianos que perderam a família inteira.
Foto: DW/Julius Kanubah
Ausentes da fotografia
Faltam três pessoas nesta foto de família, diz Felicia Cocker, de 27 anos. O vírus do ébola matou o seu marido e dois dos seus cinco filhos: "A vida tem sido muito dura. Não tenho mais ninguém que me possa ajudar."
Foto: DW/Julius Kanubah
Autoridades falharam
Stephen Morrison perdeu sete irmãos e uma irmã. Ele diz que a culpa do alastramento da doença na Libéria é a falta de informação e os rituais fúnebres tradicionais. "Os meus familiares começaram a morrer depois do falecimento de um idoso", conta. "Na altura, não sabíamos que era ébola. Por todo o lado se negava o surto."
Foto: DW/Julius Kanubah
Um depois do outro
"Eu e três crianças – fomos os únicos a sobreviver", conta Ma-Massa Jakema. Antes da epidemia ela vivia com 13 familiares. O vírus matou a sua irmã mais velha e o seu irmão mais novo, seis sobrinhas e sobrinhos, além de outros parentes afastados. "Morreu tanta gente, é horrível", diz Jakema.
Foto: DW/Julius Kanubah
Futuro incerto
"Não sei como vai ser agora", diz Amy Jakayma. "Primeiro morreu a minha tia, depois o meu marido e os meus filhos. A minha vida está virada do avesso – perdi a família inteira."
Foto: DW/Julius Kanubah
Desespero
Massah S. Massaquoi chora ao lembrar os familiares que morreram infetados com o vírus do ébola. "É difícil viver assim. Eu sobrevivi – fui uma das únicas a sobreviver na minha família mais próxima. Agora estou a viver com o meu avô." Massah perdeu o filho, a mãe e o tio.
Foto: DW/Julius Kanubah
Discriminação
Princess S. Collins, de 11 anos, mora na capital liberiana, Monróvia. Sobreviveu ao ébola mas o vírus roubou-lhe a mãe, o tio e o irmão. Mas agora "os vizinhos começaram a apontar para nós e a chamar-nos de 'doentes com ébola'".
Foto: DW/Julius Kanubah
Ébola também destrói futuros
Mamie Swaray (esq.) tem 15 anos de idade. Na verdade, ela devia estar na escola, mas o tio morreu infetado com o vírus do ébola e, por isso, não tem mais ninguém que lhe possa pagar as propinas escolares. Swaray sobreviveu ao ébola mas agora o seu futuro é incerto.
Foto: DW/Julius Kanubah
"Vontade de Deus"
Oldlady Kamara vive no bairro de Virginia, na zona ocidental de Monróvia. 17 membros da sua família morreram infetados com o vírus do ébola, incluindo o seu marido. "É horrível mas não posso fazer nada contra. É a vontade de Deus", diz Kamara. Ela contraiu ébola mas está muito grata por ter sido tratada num centro de saúde.
Foto: DW/Julius Kanubah
Obrigada aos médicos
Bendu Toure acaba de ter alta do centro de tratamento. O seu corpo conseguiu combater o vírus. Ela contraiu o ébola a partir da sua irmã. Toure cuidou dela até ela morrer. O seu irmão também faleceu. Apesar de tudo, Toure está bastante grata aos médicos: "Estou tão contente por poder sair daqui. Todos os dias tinha de assistir a mortes."