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Luanda: "Gestão danosa" na TAAG gera protesto de tripulantes

Lusa
25 de fevereiro de 2023

Dezenas de tripulantes da companhia aérea angolana TAAG protestaram contra a "gestão danosa" da administração da transportadora e exigem que as suas reivindicações sejam atendidas.

Flugzeug der TAAG Angola Airlines
Foto: cc by Hansueli Krapf sa 3.0

Cerca de 70 tripulantes concentraram-se na manhã deste sábado (25.02) em frente ao Aeroporto Internacional 04 de fevereiro, em Luanda, gritando palavras de ordem e exibindo cartazes de protesto, entre os quais "devolvam a nossa TAAG", "abaixo a gestão danosa", "chega de aluguer as aeronaves estrangeiras, "devolvam os nossos direitos" ou "fora HiFly".

Para a secretária executiva do Sindicato Provincial do Pessoal Navegante de Cabine (SINPROPNC), que convocou a manifestação, está em causa o incumprimento da administração face às reivindicações dos trabalhadores.

"Estamos aqui hoje porque se esgotaram todas as possibilidades de conversarmos com a empresa", acusou Ondina Costa, dando exemplos como a falta de pagamento do valor diário para os tripulantes de voos internacionais.

Silêncio da TAAG

A sindicalista afirmou que foi enviado um 'email' ao conselho de administração a propósito de várias questões e queixou-se de o sindicato não ter sido ouvido até hoje.

"Esta administração ignora-nos", afirmou, lamentando que a empresa reaja apenas perante protestos públicos e usando comunicados que deveriam ser dirigidos aos trabalhadores e não à opinião publica, o que considerou uma forma de "escamotear tudo o que vêm fazendo".

Sublinhou ainda que os acordos assinados com a empresa apenas estão a ser parcialmente cumpridos.

Em relação às ajudas de custo, indicou que a situação se agravou, já que os tripulantes não estão a receber o pagamento adiantado. "Muitas vezes os tripulantes chegam ao destino e não têm o dinheiro depositado nos cartões", disse Ondina Costa.

Contestações dos tripulantes

Na quinta-feira, a administração da transportadora aérea angolana TAAG fez saber que está em vigor, desde 1 de fevereiro, a nova modalidade de disponibilização de ajudas de custo para o pessoal navegante de cabine, por via de um adiantamento no cartão de crédito "Visa Camba", atribuído aos tripulantes.

Esta alteração visou responder a reclamações do pessoal navegante relativas a atrasos no carregamento dos cartões e impossibilidade de acesso a consultas do extrato do cartão.

A sindicalista contestou também que não estejam a ser formados os tripulantes da TAAG para trabalhar nos aviões da HiFly, como tinha sido prometido.

Tripulantes da TAAG não descartam entrar em greve caso as suas reivindicações não sejam atendidas pela companhiaFoto: cc by Chucker2 sa 3.0

"A HIFly esta aqui há cerca de um ano e já deveriam ter sido formados os tripulantes da TAAG para poderem operar nesses aviões, para passarmos de um contrato de 'wet leasing' e passarmos para 'dry leasing'", reclamou.

No ano passado, as Linhas Aéreas de Angola contrataram à portuguesa HiFly uma aeronave Airbus A330 para a ligação Luanda-Lisboa-Luanda, em regime de 'wet lease', um tipo de contrato que garante, além do avião, a disponibilização da tripulação completa, manutenção e seguro do aparelho.

Ondina Costa realçou ainda que os trabalhadores não estão contra a administração, mas sim contra a sua gestão, criticando a falta de auscultação dos trabalhadores.

Funcionários não descartam greve

Admite também avançar para uma greve e sublinhou que os trabalhadores vão manter os protestos enquanto não virem as suas reivindicações atendidas.

O SINPROPNC tinha previsto desfilar até à sede da TAAG, mas não foi autorizado pelo Governo Provincial de Luanda (GPL), que alegou que a lei só permite a realização de manifestações partir das 13:00.

Ondina Costa lamenta que a resposta do GPL tenha sido tardia e não tenha permitido ajustar o horário a que seria feita a marcha.

 

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