Mais de 22 mil deslocados regressaram às suas comunidades nos postos administrativos de Mucojo e Chai, no distrito de Macomia, um dos alvos de ataques rebeldes em Cabo Delgado, disse o administrador local.
Apesar dos avanços, a violência armada continua a afectar a província. Só em 2024, pelo menos 349 pessoas perderam a vida em ataques. Foto: DW
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Segundo informação avançada esta sexta-feira pelo administrador distrital, Tomás Badai, a melhoria das condições de segurança explica o regresso de mais de 22 mil pessoas deslocadas às comunidades de Mucojo e Chai, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado.
"O ambiente é bom, a população está a circular, a produzir, e a situação da segurança está controlada”, disse o dirigente, referindo-se aos postos administrativos de Mucojo e Chai.
Cabo Delgado enfrenta, desde Outubro de 2017, uma insurgência armada protagonizada por grupos ligados ao autoproclamado Estado Islâmico. O conflito, que afecta uma região rica em recursos naturais, já provocou mais de um milhão de deslocados internos.
De acordo com Tomás Badai, além dos regressos em Mucojo e Chai, o distrito tem registado o retorno de deslocados noutras aldeias, graças ao esforço conjunto das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), da Força Local e do contingente do Ruanda.
“Com o restabelecimento da segurança, a população está envolvida em actividades produtivas. Está tranquila”, garantiu o administrador.
Apesar dos avanços, a violência armada continua a afectar a província. Só em 2024, pelo menos 349 pessoas perderam a vida em ataques levados a cabo por grupos extremistas.
De acordo com dados do Centro de Estudos Estratégicos de África, uma instituição académica ligada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos que acompanha conflitos no continente, trata-se de um aumento de 36% em relação ao ano anterior.
Segundo a imprensa moçambicana noticiou esta sexta-feira (27.06), Forças de Defesa e Segurança continuam empenhadas em recuperar o controlo total de Quiterajo, o único posto administrativo do distrito de Macomia que ainda permanece parcialmente ocupado por insurgentes que actuam em Cabo Delgado desde 2017.
Macomia, localizado a cerca de 200 quilómetros de Pemba, é actualmente considerado o epicentro da insurgência armada que afecta Cabo Delgado há quase oito anos.
O rasto do terrorismo em Macomia teima em não desaparecer
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Quarta invasão
No dia 10 de maio de 2024, um grupo de terroristas invadiu Macomia, naquela que foi a quarta vez consecutiva que aquela vila de Cabo Delgado se viu entregue aos terroristas. Permaneceram na sede distrital por cerca de dois dias. Após confrontos com as tropas moçambicanas e aliados, o grupo armado abandonou a vila. Mas a destruição permanece.
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Rasto de destruição
Ao abandonarem o local, os terroristas deixaram edifícios públicos como registo civil, a direção de infraestruturas e a secretaria distrital completamente vandalizados. Alguns desses locais continuam de porta fechadas. O comércio vai reabrindo a conta-gotas e a medo.
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Agências humanitárias não escaparam
Também os escritórios e infraestruturas que albergam organizações humanitárias como a Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha, entre outras, foram arrasados pelos terroristas. Desses locais, foram subtraídos medicamentos, viaturas e outros bens.
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Reconstrução é urgente
Autoridades governamentais de Cabo Delgado visitaram Macomia no início de junho para avaliar os danos causados pela presença terrorista. Apesar de admitirem que é uma "prioridade repor aquelas infraestruturas para gradualmente os funcionários prestarem os serviços necessários à população", os serviços continuam a funcionar a meio-gás.
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Paz e medo entre os habitantes
A vila tenta regressar à normalidade, mas o clima ainda é de medo. Os residentes reativaram as atividades de autossuficiência, mas não escondem o receio de um novo ataque, preocupação que paira a todo o instante.
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Chitunda, em Muidumbe, sem serviços públicos
Os cerca de 11 mil habitantes que tinham saído do posto administrativo de Chitunda, em Muidumbe, devido à insegurança, voltaram a casa. Mas nenhuma escola ou hospital está neste momento a funcionar, deixando milhares de crianças fora das salas de aula e os residentes sem acesso a cuidados de saúde.
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Governo promete reabrir escolas e hospitais
Para aceder a cuidados de saúde, a população da aldeia de Miangaleua, no posto administrativo de Chitunda, em Muidumbe, recorre ao distrito de Macomia. Mas o governo local garante que em breve os centros de saúde e as escolas na região voltarão a funcionar.
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Chuvas intensas agravaram a fome
A população de Miangaleua, em Muidumbe, que regressa paulatinamente a casa está a dedicar-se à produção agrícola. Porém, as chuvas intensas que caíram entre finais de 2023 e princípios deste ano arrastaram vários hectares de campos agrícolas junto ao rio Messalo. A produção de arroz e de outras culturas perdeu-se, aumentando a fome na região.
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Autoridades exortam população a produzir comida
O governo local ofereceu sementes de milho e feijões, enxadas, catanas e outros materiais de produção para que os camponeses voltem a semear.
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Corrente elétrica em falta
Os habitantes expressam também o desejo de ver restabelecida a corrente elétrica em Macomia, uma vez que as instalações elétricas também foram afetadas pelos ataques terroristas dos últimos anos. Pequenos painéis solares garantem serviços mínimos, mas não permitem a conservação do peixe que é retirado do rio, por exemplo.
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Mais segurança
Os residentes da aldeia de Miangaleua, em Muidumbe, pedem o reforço da presença das Forças de Defesa e Segurança, para que nunca mais tenham de fugir das próprias terras devido ao terrorismo. Mas a ajuda tarda em chegar.