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Mali suspenso das instituições da CEDEAO após golpe militar

bd | com agências
31 de maio de 2021

Em resposta ao recente golpe dos militares, os chefes de Estado da CEDEAO decidiram este domingo suspender o Mali da organização sub-regional da África Ocidental. Prometem também garantir uma transição pacífica no país.

Nana Akufo-Addo, Presidente do GanaFoto: Nipah Dennis/AFP/Getty Images

A decisão consta do comunicado final da cimeira extraordinária realizada em Acra, capital do Gana, e que contou com a presença de 12 Presidentes dos países membros da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Os chefes de Estado prometem também garantir uma transição pacífica no Mali, de acordo com a declaração final lida pelo Presidente do Gana, Nana Akufo-Addo: "Aproveito esta oportunidade para reiterar, em nome da CEDEAO, o nosso empenho em apoiar uma transição pacifica no Mali com o objetivo básico de restaurar a ordem democrática e de trabalhar para garantir a estabilidade no Mali e na região."

O tema principal da cimeira que teve lugar este domingo (30.05) foram os recentes desenvolvimentos políticos no Mali, com a estabilidade do país e de toda a região do Sahel como base de discussão, assim como a solução para a difícil questão de reação ao duplo golpe de Estado dos militares malianos.

O coronel Assimi Goita, homem forte no Mali desde o golpe de Estado que liderou em 18 de agosto de 2020 com um grupo de oficiais, prendeu o Presidente Bah Ndaw e o primeiro-ministro Moctar Ouane na segunda-feira passada (24.05). Acabariam por ser libertados na quinta-feira (27.05).

Goita participou na cimeira da CEDEAO

"A delegação da CEDEAO reuniu-se com o coronel Assimi Goita, vice-presidente do Governo de transição, sobre a situação vigente no país, em busca de estratégias para acabar com a crise", disse Nana Akufo-Addo.

Coronel Assimi GoitaFoto: AP Photo/picture alliance

Na mesma altura em que se discutia a grave crise maliana, no Gana, pelo menos cinco pessoas, um polícia e quatro civis morreram num suposto ataque jihadista num posto de controlo no sul do Mali.

"Estamos em tempos de desafios e perigos extremos para todo o Mali e a sub-região. Os grupos terroristas ainda estão ativos, manipulando as comunidades. Estamos muito preocupados e não há tempo a perder. Temos de agir rapidamente para não pôr em causa os esforços que o Mali enfrenta", afirmou, partir de Nova Iorque, o subsecretário geral da ONU para a paz, Jean-Pierre Lacroix.

Macron ameaça retirar tropas

No sábado (29.05), o Presidente francês, Emmanuel Macron, ameaçou com a retirada de cerca de 5.100 militares franceses do Mali, caso o país caminhe na "direção" de um "islamismo radical", depois de ter considerado "inaceitável" a prisão do Presidente e do primeiro-ministro malianos.

O Mali sofreu dois golpes militares em nove meses e passa por uma crise profunda de múltiplas dimensões como segurança, política e económica, depois do desencadeamento das rebeliões de independentistas e jihadistas, no norte, em 2012.

As ações de grupos armados filiados da Al-Qaeda e do Estado islâmico, bem como a violência de todos os géneros, alastrou-se para o centro do Mali, assim como para os vizinhos Burkina Faso e Níger, apesar do empenho das Forças Armadas da Organização das Nações Unidas (ONU) e africanas.

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