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Manuel Chang sob custódia do ICE nos EUA

28 de março de 2026

Antigo ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, libertado pelas autoridades prisionais norte-americanas, encontra-se agora sob custódia dos serviços de imigração ICE.

Manuel Chang, ex-ministro das finanças de Moçambique
O antigo ministro moçambicano, Manuel Chang, foi acusado de aceitar subornos e de conspiração para desviar fundos dos esforços de MoçambiqueFoto: Ferhat Momad

O antigo ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, libertado pelas autoridades prisionais norte-americanas, continua detido, agora sob custódia do Immigration and Customs Enforcement (ICE), segundo avançaram este sábado fontes oficiais.

Chang, de 70 anos, encontra-se detido no Plymouth County Correctional Facility, no estado de Massachusetts, embora não tenham sido divulgados mais detalhes sobre o processo.

A agência Lusa contactou os advogados de Manuel Chang em Nova Iorque sobre esta nova detenção, mas não obteve resposta até ao momento. Na sexta-feira, a mesma agência noticiou que o ex-governante já não estava sob custódia das autoridades prisionais dos Estados Unidos, confirmando-se o fim do prazo de reclusão.

O ex-ministro deixou a custódia prisional norte-americana na quinta-feira, 26 de março de 2026, sete anos após a sua detenção no âmbito do escândalo das "dívidas ocultas", um dos maiores casos de corrupção em Moçambique.

Segue-se agora o processo de extradição para Moçambique, onde deverá enfrentar novos desenvolvimentos judiciais. 

Há um ano, o tribunal federal condenou Chang a 102 meses de prisão, mas rejeitou no mês passado a libertação antecipada. A justiça norte-americana considerou não existirem razões "extraordinárias e convincentes" que a justificassem, mas confirmando a libertação em 26 de março.

Chang foio acusado de recolher sete milhões de dólares (6,1 milhões de euros) em subornos, transferidos através de bancos norte-americanos para contas europeiasFoto: Getty Images/AFP/W. de Wet

Pena

Chang, que liderou as finanças de Moçambique de 2005 a 2015, estava detido no estabelecimento prisional federal em Connecticut, e pretendia ser libertado antes do final da pena, alegando motivos de saúde, condições de detenção e erros na atribuição de créditos para a redução do tempo da pena já cumprida, por estar privado da liberdade desde dezembro de 2018, quando foi detido na África do Sul.

Manuel Chang foi condenado em janeiro de 2025, a 102 meses (oito anos e meio) de prisão por conspiração para cometer fraude eletrónica e branqueamento de capitais no âmbito do caso das dívidas ocultas de Moçambique.

A pena foi significativamente reduzida devido aos créditos administrativos atribuídos pelo BOP, que contabilizaram o tempo já passado em prisão preventiva e o bom comportamento enquanto esteve detido. Esses créditos diminuíram a sentença inicial para cerca de 14 meses, fixando a sua libertação para 26 de março, entretanto concretizada.

Antes da condenação em Nova Iorque, Chang já tinha passado cerca de seis anos sob custódia enquanto aguardava julgamento, entre a África do Sul e posterior extradição para os EUA.

O ex-ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, em tribunal na África do SulFoto: DW/M. Maluleque

Acusações

Chang foi acusado de aceitar subornos e de conspiração para desviar fundos dos esforços de Moçambique para proteger e expandir as indústrias de gás natural e pesca, num plano para enriquecer e enganar investidores.

Durante o julgamento, os procuradores acusaram Chang de recolher sete milhões de dólares (6,1 milhões de euros no câmbio atual) em subornos, transferidos através de bancos norte-americanos para contas europeias de um associado, mas que o antigo ministro negou.

No total, Chang e outros participantes desviaram mais de 200 milhões de dólares (173,5 milhões de euros), afetando investidores nos EUA e em outros locais ao deturpar como os recursos do empréstimo seriam usados e fazendo com que sofressem perdas substanciais, sustentaram os procuradores.

Ao longo do processo, a defesa alegou que Chang estava a fazer o que o seu Governo desejava, quando assinou as promessas de que Moçambique pagaria os empréstimos, e que não havia provas de uma contrapartida financeira para o então governante.

Entre 2013 e 2016, três empresas controladas pelo Governo moçambicano contraíram discretamente empréstimos milionários junto de grandes bancos estrangeiros.

Chang assinou garantias de que o Governo reembolsaria os empréstimos, cruciais para os credores. As receitas deveriam financiar uma frota de atum, um estaleiro naval, navios da Guarda Costeira e sistemas de radar para proteger os campos de gás natural ao largo da costa do Oceano Índico.

Mas banqueiros e funcionários do Governo desviaram o dinheiro do empréstimo, disseram os procuradores norte-americanos.

Descobertas em 2016, as dívidas foram estimadas em cerca de 2,7 mil milhões de dólares (cerca de 2,3 mil milhões de euros), de acordo com valores apresentados pelo Ministério Público moçambicano. O Governo moçambicano chegou a acordos extrajudiciais com os credores, numa tentativa de pagar parte da dívida.

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