Maputo: Chuvas expõem antigo problema de saneamento
13 de janeiro de 2026
Em vários bairros na cidade e província de Maputo, as inundações obrigaram moradores a abandonar as suas casas e procurar abrigo em casas de familiares, centros temporários ou habitações arrendadas.
Uma das vítimas das cheias conta à DW o momento dramático que viveu na noite em que a sua casa inundou: "Uma vizinha bateu à porta para me acordar. Quando vi, estava dentro de água. Fiquei sem chão e acabei por sair porque tinha uma cobra dentro da casa".
Angustiada, a mesma fonte continua: "Ali só me perguntava: para onde vou? A vizinha convenceu-me a ir para o abrigo temporário".
A história repete-se em vários bairros da capital de Moçambique.
No bairro de Magoanine A, em Maputo, uma outra vítima das cheias, que aqui reside há mais de 15 anos, afirma que este é um drama recorrente:
"Ficámos cerca de um ano fora da nossa casa por causa das inundações e tivemos de arrendar [outra casa]. Quando a água baixou, voltámos. Agora o problema repete-se. Como pode ver, a água voltou a encher. É muito difícil", lamenta.
"Não tivemos ajuda de ninguém"
A mesma fonte relata perdas materiais: "As mobílias molharam, os alimentos estragaram-se e não tivemos ajuda de ninguém".
O sentimento é partilhado por outros moradores que à DW desabafam "não ter esperança", uma vez que a situação se arrasta há muito tempo.
Sem respostas estruturais, as comunidades lançam um apelo urgente: "Pedimos ao governo que crie condições de habitação condigna e nos livre deste sofrimento".
A DW tentou obter esclarecimentos junto da edilidade de Maputo sobre a assistência às famílias afetadas, mas até ao fecho desta reportagem não obteve resposta.
Apoio na Matola
Por outro lado, a edilidade da Matola Rio confirmou estar a prestar apoio.
Segundo Sérgio Gimo, do Gabinete de Comunicação, cerca de 30 famílias ficaram sitiadas pelas inundações. Destas, "metade encontrou abrigo em casas de familiares, enquanto as outras 15 estão sob assistência do Conselho Municipal", explicou.
Moçambiqueregista chuvas intensas desde a semana passada, com o Instituto Nacional de Meteorologia a emitir avisos vermelhos para a ocorrência de fortes chuvas e trovoadas.