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Maputo paralisada após subida dos combustíveis

8 de maio de 2026

Maputo acordou parada: protesto dos "chapeiros" contra a subida até 45,5% do gasóleo deixa milhares sem transporte e aumenta tensão social nas ruas da capital moçambicana.

Maputo
Protesto dos ‘chapeiros’ contra subida de 45,5% no gasóleo deixa milhares sem transporte.Foto: Amos Fernand/DW

Ao segundo dia de novos preços de combustíveis em Moçambique, com aumentos até 45,5% no gasóleo, centenas de transportadores paralisaram em protesto esta manhã, deixando milhares de pessoas sem transporte em Maputo, sob forte reforço policial.

No mercado de Xiquelene, ponto de partida de uma das rotas mais movimentadas da capital, Aníbal António, de 39 anos, aguardava desde as 05h00 por um ‘chapa', nome dado ao transporte público informal. Após quase três horas de espera, desistiu.

"Devido ao agravamento do combustível, porque 36 meticais não faz sentido. Logicamente, teve que se paralisar tudo”, afirmou.

Sem transporte disponível, centenas de pessoas percorreram quilómetros a pé sob um calor intenso para tentar chegar ao trabalho.

Governo aponta mercado internacional

Os aumentos, em vigor desde quinta-feira, elevaram o preço do gasóleo para 116,25 meticais por litro e da gasolina para 93,69 meticais. O Governo justificou a medida com a subida dos preços internacionais causada pelo conflito no Médio Oriente.

Em cima da mesa está a possibilidade de subsídios ao transporte, mas muitos transportadores e utentes mostram desconfiança devido a promessas anteriores não cumpridas.

"Em 2021 fizeram a mesma coisa e não cumpriram”, recordou Aníbal António.

Para muitos trabalhadores, a crise ameaça diretamente o emprego.

"Os empregadores vão começar a descartar os empregados por falta de comparência”, lamentou. 

Radar DW: Crise de combustível fora de controlo em Maputo?

30:13

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Transportadores dizem não conseguir trabalhar

A cerca de cinco quilómetros da baixa de Maputo, Arsénio Howana, ‘chapeiro' há quase dez anos, mantinha o veículo parado.

"Não dá para trabalhar com estes preços”, afirmou.

Segundo explicou, cada viagem rende cerca de 270 meticais, valor insuficiente face ao novo custo do combustível.

"Vai ter que subir [a tarifa]. Caso contrário, o Governo terá de subsidiar diretamente na bomba”, defendeu.

Arsénio considera que o subsídio anunciado não chega aos operadores e propõe descontos diretos em postos de abastecimento selecionados.

Tensão e reforço policial

Durante a paralisação, alguns transportadores tentaram continuar a operar, mas colegas bloquearam a passagem dos veículos e obrigaram passageiros a sair, antes da intervenção rápida da polícia.

A presença policial intensificou-se em vários pontos da cidade, incluindo agentes da Unidade de Intervenção Rápida, perante receios de manifestações.

"Tenho família para sustentar. Este é o meu trabalho”, disse Arsénio, preocupado com o impacto da paralisação.

Mateus Salomão, também ‘chapeiro', criticou o aumento "absurdo” do gasóleo.

"Preferimos parar. Devem aumentar o preço do chapa ou baixar o combustível para podermos trabalhar”, afirmou. 

Uma alternativa aos transportes públicos em Maputo

04:02

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Passageiros desesperados

A crise afeta diretamente milhares de passageiros.

Após hora e meia de espera, Isabel Batista, de 24 anos, desistiu de tentar chegar ao salão onde trabalha no centro da cidade.

"Posso até caminhar”, disse, embora receando o regresso a casa sem transporte.

A jovem admite que o aumento da tarifa será inevitável.

"Se o salário não sobe, não vai dar para custear o chapa todos os dias”, lamentou.

Rita Laura, empregada doméstica de 28 anos, partilha da mesma preocupação.

"Mais de duas horas e não há chapa. Estamos à espera e não sabemos como vai ser”, afirmou.

Enquanto aguardava transporte, um mototaxista ofereceu-lhe viagem por 200 meticais, muito acima dos habituais 15 meticais cobrados nos ‘chapas'.

"Não ajuda, nem tão pouco”, reagiu.

Presidente pede calma

O cenário de paralisação e longas filas repetiu-se em vários pontos da cidade, embora algumas rotas tenham continuado a funcionar.

Na quinta-feira, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu que o aumento dos combustíveis era inevitável, mas sublinhou que Moçambique continua a praticar preços inferiores aos de países vizinhos.

"Não podemos permitir que os inimigos do desenvolvimento e da estabilidade tragam boatos e agitem o povo moçambicano”, declarou. 

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