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Missão da CEDEAO falha: Jammeh não abdica do poder na Gâmbia

AFP | AP | gs
14 de janeiro de 2017

Depois de conversações em Banjul, os líderes da CEDEAO partiram, na noite de sexta-feira (13.01), com o Presidente eleito na Gâmbia, Adama Barrow, para o Mali, a fim de participarem na 27ª cimeira África-França.

O Presidente da Gâmbia (dir.) já tinha recebido o seu homólogo nigeriano em dezembro de 2016Foto: Reuters

O chefe de Estado nigeriano, Muhammadu Buhari, liderou a missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) à Gâmbia, que integrou a sua homóloga liberiana, Ellen Johnson Sirleaf, e o ex-Presidente do Gana, John Dramani Mahama.

O objetivo da visita era convencer o Presidente da Gâmbia Yahya Jammeh, há 22 anos no poder, a reconhecer os resultados das eleições de 1 de dezembro, que ditaram a vitória do opositor Adama Barrow.

Contudo, a missão não teve êxito, admitiu Geoffrey Onyeama, chefe da diplomacia nigeriana. Mas, a CEDEAO continua "determinada em encontrar uma solução pacífica que respeite a Constituição da Gâmbia e que reflita a vontade do povo", afirmou Onyeama.

Yahya Jammeh tornou claro que não pretende abandonar o poder até que o Supremo Tribunal da Gâmbia decida sobre o requerimento interposto pelo seu partido, que pede a anulação das eleições. Contudo, o tribunal já anunciou que, devido à falta de juízes, não poderá analisar o requerimento nos próximos meses.

A missão da CEDEAO à Gâmbia reuniu-se também com o Presidente eleito, Adama Barrow. Os dirigentes da África Ocidental decidiram deixar Banjul, na companhia de Barrow, na noite de sexta-feira (13.01), rumo a Bamako, no Mali, para participarem na 27ª cimeira África-França.

União Africana não reconhecerá Jammeh

A Gâmbia vive uma grave crise política desde 09 de dezembro, quando Yahya Jammeh anunciou que não reconhecia os resultados das eleições. Inicialmente, Jammeh aceitou a derrota no escrutínio e saudou publicamente o candidato vencedor, Adama Barrow, mas depois retirou o que disse.

Adama Barrow venceu as eleições na Gâmbia, de 1 de dezembroFoto: picture-alliance/AP Photo/J. Delay

Entretanto, a União Africana (UA) anunciou que deixará de reconhecer Yahya Jammeh como Presidente da Gâmbia, a partir de 19 de janeiro, data em que termina oficialmente o seu mandato. A UA alertou ainda que haverá “sérias consequências” para Jammeh, sem especificar quais. 

Mohamed Ibn Chambas, representante das Nações Unidas para a África Ocidental e Sahel, disse que a CEDEAO vai pedir ao Conselho de Segurança a aprovação do envio de tropas para a Gâmbia, se Jammeh continuar a recusar deixar o poder.

Milhares de refugiados na Guiné-Bissau e Senegal

Por causa da crise, milhares de gambianos já começaram a abandonar o país, rumo ao Senegal e à Guiné-Bissau. Segundo o secretário-executivo da Comissão de Apoio aos Refugiados na Guiné-Bissau, Tibna Sambé Na Wana, mais de mil gambianos já entraram no país lusófono. "Têm medo da escalada militar", acrescentou Na Wana.

A Organização das Nações Unidas para os Refugiados anunciou que "vários milhares de pessoas", principalmente crianças, já atravessaram a Gâmbia para a região de Casamansa, no sul do Senegal.

Yahya Jammeh chegou ao poder através de um golpe de Estado em 1994. É acusado de governar com mão de ferro o país de 1,9 milhões de habitantes e de graves violações dos direitos humanos.
 

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